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Como salvar a pátria da crise?

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<a href="http://3.bp.blogspot.com/_r8JQKntVPhA/TAP0d0D20aI/AAAAAAAAA7Q/Zml0iBZ8YwU/s1600/Lazaro-Mabunda.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float:
left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;">image Por ser insustentável para um país em falência técnica, sugiro que o Governo renuncie a organização dos jogos africanos. Assim, evitaríamos gastos acima de 250 milhões de dólares pelos investimentos em infra-estruturas para o efeito.

Que o nosso país está em crise sem precedentes, ninguém duvida e nunca houve dúvidas. As medidas tomadas esta semana pelo Governo só vieram confirmar aquilo que ninguém ao nível do próprio Governo queria assumir, mesmo ao nível do Banco de Moçambique. O estado moçambicano entrou em crise muito antes da gente imaginar que a crise financeira internacional podia reflectir-se nocivamente sobre nós. A boa coisa é que tivemos um Governo tão bondoso quanto falso, que sempre veio, mesmo se apercebendo que o barco estava a afundar, tranquilizar- nos que nós somos um mundo à parte e que a conjuntura internacional não se reflectia sobre nós.
Este enredo lembra-me a fábula do esquilo e galo, em que o primeiro caçou o segundo. Ora, apercebendo-se que o galo tinha sido caçado pelo esquilo e já ia entrar num arbusto para o devorar, a galinha e os pintos começaram a gritar clamando por apoio, para salvar o galo de uma morte previsível.

Esperançoso de que ainda podia escapar e, para não passar vergonha, o galo responde: “Não me está a puxar, estamos a puxar-nos”. A galinha e os pintos calaram-se e ficaram a assistir à medição de forças. Só que, quando o galo se apercebe que a sua força estava a esgotar-se e o esquilo estava quase a introduzi-lo no buraco, eis que desata em pedido de socorro: “Salvem-me, está a puxar-me mesmo”. O pedido foi tardio. A morte foi inevitável.

É o que aconteceu ao nosso Governo. Só começou a anunciar a crise quando já era tarde demais para a pátria salvar-se. Era tarde demais para pedir ao povo que aceitasse a realidade que estávamos a viver.

Aliás, o porta-voz do mesmo Governo fez questão de salientar que nós já estávamos num barco em que já não havia marinheiro e que havia necessidade de todos tentarmos salvar o barco e as nossas vidas. Ou seja, queria transmitir-nos que estamos num país em que o Governo já não existia e que nós, o povo, tínhamos de salvar a pátria e a nós mesmos. No entanto, esqueceu-se que quando dizíamos que o Estado estava em falência técnica, o mesmo Governo saía em exercícios de contra-informação.

Contudo, tenho de congratular o Governo por ter assumido, embora tardiamente, que estávamos em crise e que havia necessidade de todos trabalharem para salvar o país. As medidas de austeridade anunciadas esta semana são o primeiro passo, ainda que sejam psicológicas do que impactantes.

Como moçambicano que sente a crise e quer ajudar o Governo a salvar a pátria, pretendo contribuir com algumas medidas de austeridade que deveriam ser tomadas com vista a salvar o maravilhoso povo e a pátria amada:

1. Por julgar que congelar salários dos presidentes dos conselhos de administração e dos membros do Governo não tem um impacto que se faça sentir, proponho que os congelamentos sejam nos subsídios, quer dos PCA como nos dos membros do Governo. Ou seja, que estes passem a viver do salário, desfazendo-se dos subsídios;

2. Por ser insustentável para um país em falência técnica, sugiro que o Governo renuncie à organização dos jogos africanos. Assim, evitaríamos gastos acima de 250 milhões de dólares pelos investimentos em infra-estruturas para o efeito. É preciso entender que esse valor é susceptível de registar subida, devido à crise que vivemos. Por exemplo, quando os créditos foram negociados para a construção dessas infra-estruturas, o dólar ainda não era tão forte como é hoje; o material de construção ainda não tinha registado uma subida estonteante como hoje, em que um saco de cimento está acima de 350 meticais. Com a renúncia da organização dos jogos africanos, poupávamos recursos que investiríamos nos subsídios de pão, energia, água, entre outros bens. Estes jogos custar-nos-ão, no global, acima de 350 milhões dólares.

3. Acho que temos muitos ministérios, alguns dos quais eram antes direcções nacionais. Proponho que eliminemos o Ministério para Assuntos dos Antigos combatentes, anexando-o ao Ministério da Defesa, como Direcção Nacional para os Assuntos dos Antigos Combatentes. Este mesmo exercício podíamos fazer em relação ao Ministério da Cultura, passando-o para o da educação; o Ministério do Plano e Desenvolvimento, para o Ministério das Finanças, ficando, desta forma, como Ministério das Finanças, Plano e Desenvolvimento; o Ministério das Pescas, para o Ministério da Agricultura; o Ministério da Energia, para o Ministério dos Recursos Minerais... Assim, poupávamos milhões de dólares pelas almofadas financeiras dos ministros, vice-ministros, secretários permanentes, entre outros.

4. Temos também de desmontar as estruturas de secretários permanentes distritais e provinciais.

Em suma, ao invés do Governo determinar como uma das medidas de austeridade a não criação de novas instituições, o que se deveria fazer era eliminar algumas instituições desnecessárias que até perturbam o funcionamento do próprio aparelho administrativo do Estado

Fonte: O País online - 09.09.2010

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