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Governo levou o povo ao desespero e o povo respondeu com violência!

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<a href="http://3.bp.blogspot.com/_r8JQKntVPhA/TAP0d0D20aI/AAAAAAAAA7Q/Zml0iBZ8YwU/s1600/Lazaro-Mabunda.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float:
left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;">image Por Lázaro Mabunda

Os Bons governantes nunca aparecem para pedir calma a um povo faminto e desgastado pelas péssimas condições de vida. Governantes sensíveis aparecem, nestes momentos, para revelar decisões de fundo para minimizar o sofrimento do seu povo. Dizia numa das opiniões que o Governo devia ter em consciência que uma das maiores “subtilezas da arte de governar é nunca levar o povo ao desespero. Um povo desesperado é igual a um militar levado ao desespero por um inimigo”. Aconteceu. O Governo levou o seu povo ao desespero e o povo respondeu com violência. Aconteceu o que há muito se esperava, apesar de ter sido um pouco tarde.
Ontem, quando se esperava que o Conselho de Ministros aparecesse publicamente a apresentar as soluções para as reivindições do povo, o mesmo Conselho de Ministros, à semelhança do que o ministro do Interior, José Pacheco, tinha feito, apareceu para insultar o mesmo povo que o elegeu para estar no poder. Chamar o povo de vândalo e marginal é atitude de um governo desorientado, insensível e felino.
O discurso de Pacheco acabou rebocando o Chefe do Estado, Armando Guebuza, e o Conselho de Ministros, para a mesma linha de orientação, chamando vândalos aos manifestantes, os mesmos que durante as últimas eleições faziam campanha que conduziu à reeleição da Frelimo e do próprio Presidente da República, a troco de 200 MT e um pedaço de frango, diários. Os Bons governantes nunca aparecem para pedir calma a um povo faminto e desgastado pelas péssimas condições de vida. Governantes sensíveis aparecem, nestes momentos, para revelar decisões de fundo para minimizar o sofrimento do seu povo.
Curiosamente, todos os dirigentes que ontem se pronunciaram foram unânimes em que crianças foram instrumentalizados para encabeçarem as manifestações.
Ora, esqueceram que os primeiros afectados pelo agravamento de preços, custo de vida, são as próprias crianças que ficam sem pão, sem dinheiro de transportes, são obrigados a abandonarem a escola, as suas refeições são reduzidas, entre outras.
Um dos graves erros deste Governo é nunca ter sido comunicativo durante esses meses em que os produtos sofreram agravamento. Investiram muito, como sempre, na reprodução do discurso de que o custo de vida era ditado por “factores exógenos” e “conjuntura internacional” ao invés de um apelativo e de união enquanto se procuram soluções para esse problema. O povo não entende, não sabe e nem quer saber o que são “factores exógenos” ou “conjuntura internacional”.
Quer dizer, foi um governo de atirar a culpa para factores externos e não de procura de soluções para o dilema. Um Governo de reacção do que propriamemte de acção e pro-acção; que nunca se preocupou em traçar cenários do que poderá vir a acontecer no futuro, caso esta situação se mantivesse.
Nós não escolhemos um Governo para nos apresentar justificações em períodos de tensão, escolhemos um Governo para nos dar soluções em situações de crises. Ou seja, mais do que justificações, o Governo deve apresentar soluções que o povo espera.
Nisto, fico com a sensação de que os nossos governantes falam mais de boa governação, mas não sabem o que isso significa.
A recente visita de Hilary Clinton a África permitiu que utilizadores da Internet em todo o mundo acompanhassem a sua viagem, através da página do America.gov, no Facebook, participando numa conversa mundial sobre os desafios mais importantes que a África enfrenta hoje. Durante um mês, fãs do jornal electrónico dos EUA colocaram mais de 700 comentários, respondendo a perguntas sobre o papel de cidadãos americanos e africanos no desenvolvimento do continente.
Dos que participaram na conversa, no site, 57%, disseram que o desafio mais importante enfrentado pelos africanos é ter “boa governação”. À pergunta sobre “O que é boa governação?” As respostas dos participantes, resumiram-se no seguinte:

• Boa governação depende de transparência, responsabilidade e igualdade de modo a responder às necessidades do povo.

• Boa governação é o acto de viver em paz com o povo, ser amado pelo povo que se governa, pensar no que fazer para que aqueles que se governa possam beneficiar.

• Boa governação significa o maior bem para o maior número.

O grande dilema do nosso país é que os nossos governantes nunca tomam decisões que beneficiem a todos. São dirigente do tipo “eu primeiro”, “depois o povo”.

Fonte: O País online - 03.09.2010

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