Depois de Maputo: Tumultos atingem Manica



Escrito por ZOL
Sábado, 04 Setembro 2010 16:40
SEIS feridos, dois dos quais em estado grave, duas lojas danificadas, igual número de viaturas com vidros quebrados, bloqueio de rodovias com barricadas, instituições públicas, escolares, estabelecimentos comerciais, bancários e de serviços encerrados e 68 detenções
é o balanço preliminar dos tumultos que ontem sacudiram as cidades de Chimoio e Manica.Maputo, Sábado, 4 de Setembro de 2010:: Notícias
Entre os feridos constam duas crianças que foram atingidas por balas disparadas pelos elementos da lei e ordem quando tentavam dispersar manifestantes no bairro Francisco Manyanga. Os feridos graves estão internados no Hospital Provincial de Chimoio.
Entre os 68 detidos para averiguação pelo seu envolvimento directo na agitação popular figura Tânger Maria de Jesus, membro sénior do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), que foi recolhido alegadamente por ter sido visto, um dia antes, a mobilizar pessoas para aderir à manifestação.
As cenas de vandalismo ocorreram com maior incidência nos mercados informais localizados nas periferias das duas cidades. Em Chimoio, por exemplo, os mercados informais Francisco Manyanga, vulgo “38 Milímetros”, Feira, 16 de Julho e Central registaram tentativas de assalto a mercadorias.
No Mercado Francisco Manyanga, o mais afectado, os manifestantes incendiaram duas barracas e uma casa de construção precária, causando danos em mercadorias e outros bens.
No campo viário, o tráfego na Estrada Nacional Número Seis, na zona da Shoprite, ficou momentaneamente interrompido com a colocação pelos manifestantes de barricadas de pedras e paus. Na ocasião, um camião e uma viatura ligeira viram seus vidros quebrados por apedrejamento, na sua tentativa de furar as barreiras.
A mesma situação aconteceu nas estradas Chimoio-Quedas e Chimoio-Tambara - 2, cujo tráfego foi suspenso durante horas. Nas duas rodovias os manifestantes recorreram ao incêndio de pneus para barrar a estrada causando danos no asfalto na zona de Tambara-2, embora o mesmo não tenha acontecido para o caso de Chimoio-Quedas, no bairro 7 de Abril, por ser uma estrada terraplanada.
No coração da cidade, os manifestantes atingiram o Centro de Formação de Saúde e alguns focos foram observados na Avenida 25 de Setembro, junto do Prédio Manuel Nunes, onde houve tentativa de incêndio de pneus que foi imediatamente desbaratada pela Polícia.
Devido à confusão, os mercados formais e informais, os estabelecimentos comerciais, bancários, escolares e outras instituições públicas e privadas foram preventivamente encerradas, situação que durou toda a manhã e tarde de ontem.
Os trabalhadores e funcionários públicos foram dispensados, dado o ambiente de distúrbios e agitação que se viveu em Chimoio e visando controlar os seus haveres e manter-se em segurança nas suas casas.
Até ao fim da tarde de ontem a cidade de Chimoio estava às moscas. Nenhuma viatura circulou todo o período da manhã, incluindo os “chapas”, embora o ambiente tenha melhorado ao longo da tarde, altura em que a calma já estava restabelecida.
Na sequência dos tumultos, o Governo Provincial de Manica reuniu-se ontem de emergência em sessão extraordinária para analisar e tomar medidas preventivas e de combate ao fenómeno.
Para transmitir o seu sentimento e apresentar um balanço preliminar dos prejuízos, a governadora de Manica, Ana Comoane, convocou ontem uma conferência de Imprensa na qual apelou à calma, serenidade, vigilância e denúncia de eventuais tentativas de agitação e perturbação da ordem pública.
Na ocasião, Ana Comoane revelou que, para além de Chimoio, registaram-se focos de vandalismo na cidade de Manica e na vila de Gondola, localizados no chamado “Corredor” da Beira e importantes centros comerciais depois da capital provincial, que foram prontamente controlados pela Polícia, que permanece em alerta máximo para debelar eventuais casos. (Víctor Machirica)
Reflectindo: não estou entender o que é agitacão e se a lei prevê a detencão de cidadãos neste moldes que explicam aqui - alegadamente por ter sido visto, um dia antes, a mobilizar pessoas para aderir à manifestação.