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Amnistia Internacional desaconselha uso de balas verdadeiras

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A Amnistia Internacional apelou às autoridades policiais moçambicanas para não recorrerem ao uso de balas verdadeiras na tentativa de dispersar os manifestantes que protestaram na quarta e quinta-feiras contra o elevado custo de vida nas cidades de Maputo e
Matola.
O apelo da Amnistia Internacional surgiu depois de informações de que sete pessoas (dado oficial), entre elas duas crianças, tinham sido mortas pela Polícia durante as manifestações.
“Embora se reconheça que a Polícia esteja a tentar conter protestos violentos, balas vivas — que se resumem em força mortífera — não devem ser usadas excepto quando for estritamente para proteger vidas”, disse Muluka-Anne Miti, responsável da Amnistia Internacional para Moçambique.
O apelo daquela organização de defesa dos Direitos Humanos era no sentido da polícia moçambicana ter à sua disposição meios não-letais de controlo da situação e de dispersão dos manifestantes.
Um relatório recente da organização dava conta de que 46 pessoas teriam sido ilegalmente mortas pela Polícia em Moçambique entre Janeiro de 2006 e finais de 2009.
A Amnistia Internacional apela ainda ao Governo para que conduza uma investigação independente sobre as circunstâncias em que se registaram as sete mortes desta semana, havendo necessidade de processar judicialmente os responsáveis pelas mortes.
A organização queixa-se de que apesar de repetidos pedidos nesse sentido, as autoridades moçambicanas nunca se predispuseram a dar informações detalhadas sobre mortes causadas pela Polícia.
Faz ainda notar que padrões internacionais requerem que investigações detalhadas sejam realizadas em todos os casos de morte ou lesão resultante do uso de arma pela Polícia.

Fonte: SAVANA, edicão de 03.09.2010, in Diário de um sociólogo

Reflectindo: O que é que Amnistia Internacional fazer agora é desaconselhar o uso de balas verdadeiras ou exigir uma investigacão independente para apurar em que circunstâncias as balas verdadeiras foram usadas? Afinal a Amnistia Internacional não tinha dito o mesmo depois do massacre de Montepuez? Lembremo-nos que José Pacheco afirmou o seguinte: a polícia tem apelado à ordem, mas, quando se justifica, acciona o gás lacrimogéneo e balas de borracha. Essas balas podem matar em situações em que os alvos se encontram próximas do atirador.. Não podem a Amnistia Internacional, a Sociedade Civil em Mocambique, os partidos políticos, a comunidade internacional sobretudo os doadores exigirem uma investigacão independente para sabermos se o ministro disse verdades ou mentira?

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