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Embaixador em Portugal: Moçambicanos precisam de uma formação cívica adequada

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O embaixador moçambicano em Lisboa sublinhou a necessidade de continuar a melhorar a qualidade do ensino em Moçambique para garantir às populações uma formação cívica adequada, e dessa maneira também poder reduzir, em parte, o risco de manifestações
violentas.
Miguel Mkaima, que falava no 3.º encontro de escritores moçambicanos na diáspora, que decorre até sábado em Lisboa, destacou os "progressos" alcançados no sistema de ensino moçambicano – no âmbito da "expansão escolar que está por concluir" –, mas reconheceu que "ainda há muito por fazer", sobretudo "no que diz respeito ao melhoramento da qualidade do ensino e da formação cívica e ética" das pessoas.
No entender do antigo ministro da Cultura de Moçambique, garantir às crianças "uma cada vez melhor aprendizagem é fundamental", também para "reduzir, em parte, o risco de se voltarem a repetir reacções violentas" como aquelas que aconteceram no início de setembro.
"Independentemente das razões e dos problemas que afligem as pessoas, uma atitude agressiva sempre afasta da razão. Não é proibido zangar-se, todos podemos fazê-lo, mas quando esta zanga é acompanhada de uma falta de ética, aí todos perdemos", afirmou.
Apesar de "conseguir perceber a frustração das pessoas", o embaixador de Moçambique em Lisboa criticou as manifestações violentas contra o agravamento do custo de vida que no início deste mês resultaram na morte de pelo menos 18 pessoas, segundo fontes clínicas (o Governo só reconhece 14 mortes), detenção de mais de 280 e ferimentos em mais de 500.
É "preciso medir a nossa maneira de agir na sociedade, e é ali que a educação e formação que recebemos desempenha um papel fundamental", pelo que "isto deve ser discutido nos currículos educacionais", sustentou.
Para Mkaima, o facto de Maputo ter congelado os aumentos de bens essenciais e ter anunciado subsídios para manter inalterável o preço do pão "demonstra uma clarividência por parte do Governo em compreender a situação de vida das populações, sobretudo dos mais frágeis".
"Não considero que essas manifestações tenham sido uma clara indicação da violência da sociedade moçambicana, se fosse, não teríamos tido essa calma nos dias seguintes", referiu Mkaima, lembrando que é preciso olhar para este tipo de situações com um "olhar global", já que também acontecem em outros países, mesmo na Europa.
Dirigindo-se aos escritores moçambicanos presentes no encontro, o responsável salientou a importância que estes desempenham na promoção da escrita, bem como na transmissão de valores cívicos, éticos e da disciplina, "elementos fundamentais" para a educação das crianças e jovens.
"Em Moçambique, precisamos de ter comportamentos éticos, uma maneira de ver, pensar e de agir na sociedade. É aqui os escritores desempenham um papel fundamental", afirmou.

Fonte: Notícias Sapo - 17.09.2010

Reflectindo: quero crer que o embaixador tenha feito um diagnóstico mas que tenha dito o politicamente correcto. Ora, imaginemos que o embaixador tivesse começado a apontar o caso recente do cerco (prisão domiciliaria) da casa de Hermínio dos Santos, passando à detenção e julgamento do mesmo, ameaças do porta-voz da PRM à manifestação, para terminar na manifestação violenta. A quem se daria prioridade para uma educação cívica para evitar o que aconteceu nas manifestações últimas?
Concordo claro com o muito que o embaixador disse, mas não é tudo, pois que ele disse apenas o que é permitido que ele diga.

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