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ZAMBÉZIA - Empresários e garimpeiros em rota de colisão no Gilé

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ZAMBÉZIA - Empresários e garimpeiros em rota de colisão no Gilé

EMPRESÁRIOS mineiros no distrito de Gilé, na Zambézia, acusam os garimpeiros e cidadãos estrangeiros ilegais de estarem a vandalizar as suas concessões e infra-estruturas para a exploração de vários minerais, mas estes refutam todas as acusações afirmando que estão apenas à procura de formas de sobrevivência sem prejudicar os interesses daqueles.
Os gestores das empresas mineiras no Gilé disseram há dias à nossa Reportagem que a região de Muiane, por exemplo, tem sido frequentado por cidadãos estrangeiros de várias nacionalidades que usam a população local para invadir as concessões mineiras para extraírem turmalinas, pedra lapidada, berílio, quartzo e outros minerais com alto valor comercial, principalmente na Ásia e Europa.

O representante da empresa mineira DRUSA, com capitais mistos moçambicanos e búlgaros, Vladimir Atanasov, disse à nossa Reportagem que as concessões da empresa têm sido frequentemente violadas por cidadãos nacionais e estrangeiros para extrair produtos mineiros, utilizando técnicas rudimentares que põem em causa as infra-estruturas e o meio ambiente, o que no futuro poderá trazer consequências nefastas às futuras gerações.

"Quando encontramos essas pessoas entregamos às autoridades policiais, mas volvidos dois dias as mesmas pessoas voltam a violar novamente a zona”, disse Vladimir Atanasov, para quem o problema é bicudo, que precisa de medidas mais enérgicas não só para salvaguardar os interesses das empresas, mas sobretudo pelo meio ambiente.

Viera Lipale é um pequeno empresário com licença de comercialização em Muiane. O nosso entrevistado confirmou que os cidadãos estrangeiros têm usado os nacionais para invadirem as concessões das empresas mineiras porque é ai onde há produtos de qualidade.

“As empresas fazem estudos depois concluem que há recursos de qualidade procurados no mercado externo. Como os estrangeiros sabem que há exigência onde vendem instigam os nossos irmãos a invadirem as concessões”, disse Viera Lipale quando abordado pela nossa Reportagem, a-propósito do conflito de interesses entre o sector privado e os garimpeiros ilegais.

Entretanto, decorreu recentemente uma feira agro-mineira na sede do posto administrativo de Muiane. No decurso da feira havia cidadãos locais que estavam a comercializar vários produtos mineiros, que se pensa que sejam de garimpeiros ilegais. Estes contactavam às escondidas as pessoas, perguntando se estavam ou não interessadas em comprar ouro e outros produtos a vários preços.

Um homem identificado por Jaime Domingos, que afirma ser garimpeiro, desmente categoricamente as acusações de invasão de concessões das empresas mineiras, justificando que “as empresas querem que a gente venda apenas para eles e muitas vezes a oferta não é das melhores”.

Por outro lado, há outros problemas que se levantam em torno da exploração mineira. Muitas empresas que estão a fazer estudos de prospecção e pesquisa ou a explorar são autorizadas pelo Governo central e as autoridades locais pouco ou quase nada sabem. A este respeito, questionamos a Ministra dos Recursos Minerais, Esperança Bias, a qual afirmou que o facto dessas empresas terem sido autorizadas em Maputo, não implica que não devam prestar informações às autoridades locais.

A ministra disse em entrevista ao nosso Jornal que a solução desse imbróglio passa pela descentralização administrativa, sendo que os distritos deverão passar a contratar para o quadro de pessoal geólogos, ambientalistas, engenheiros de mina e juristas para fazerem o controlo da exploração, respeitando todos os requisitos necessários ou para dirimir possíveis conflitos com a lei.

No caso vertente da comercialização de produtos minerais, a fonte disse que esta passa a ser feita apenas pelos cidadãos nacionais, bastando para o efeito legalizarem a actividade.

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