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Presidência aberta à Zambézia: Quando se pede TV e celular

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Presidência aberta à Zambézia: Quando se pede TV e celular

QUANDO uma sociedade rural pede que a sua região seja coberta pelo sinal de televisão e pela rede de telefonia móvel significa, à partida, que não estamos em presença de simples apetência entanto que tal, mas sim de uma necessidade derivada da dinâmica de desenvolvimento. É sinónimo de superação das principais necessidades básicas, é desejo de integração na sociedade no seu todo. Esta é uma das realidades que se pode aferir do contacto que o Presidente da República, Armando Guebuza, manteve com a população da província central da Zambézia, entre os dias 13 e 17 do mês corrente, no âmbito da presidência aberta e inclusiva que recentemente realizou àquela província.
Guebuza trabalhou sucessivamente nos postos administrativos Campo (distrito de Mopeia), Mugeba (Mocuba), Mulevala (Ile) e Macuse (Namacurra), onde de forma didáctica interagiu com as populações locais, através dos comícios populares que orientou e das reuniões que manteve com os órgãos de administração (sessões extraordinárias alargadas do Governo) e com os membros dos conselhos consultivos.

Desses encontros sobressaltou em nós um aspecto que revela uma nova realidade social, um novo estágio do desenvolvimento socioeconómico do país.

O povo já não pensa somente no que comer. Esta necessidade básica deixou de ser a preocupação principal, há indicações claras de que de certa forma foi superada, pelo menos nos pontos visitados por Armando Guebuza, apesar de num e noutro ponto se falasse da escassez de chuva, como foi no caso dos postos administrativos Campo (Mopeia) e Macuse (Namacurra).

O povo já pensa em estar mais próximo do mundo, quer televisão, quer telefonia móvel. Trata-se de um pedido que foi comum em todos os distritos cobertos pela recente presidência aberta e inclusiva à província da Zambézia, uma das mais empobrecidas pelos efeitos da guerra fratricida dos 16 anos.

Nos comícios populares, a população manifestou ao Presidente da República, para além do acesso ao sinal de televisão, à rede de telefonia móvel, incluindo a fixa, o desejo de ter acesso à rede nacional de energia eléctrica, a energia produzida na Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB).

O pedido, “de per si”, revela a dinâmica de desenvolvimento que o país está a conhecer, pois, se ontem a população pedia comida, escolas e unidades sanitárias, hoje o nível de preocupações ultrapassa de longe estas necessidades sociais básicas.

No entanto, isto não significa que a pobreza foi eliminada naqueles pontos, significa apenas que sinais positivos de melhoria da vida e a população já sonha com coisas melhores.

Como se pode constatar nos quatro distritos visitados por Armando Guebuza, a odisseia rumo à eliminação da pobreza ainda está longe do seu término. Ainda há muito por fazer para a satisfação das necessidades básicas da população. A produção alimentar ainda não é totalmente suficiente para garantir uma segurança alimentar equilibrada ao longo de todo o ano, faltam ainda escolas, principalmente do nível secundário, unidades sanitárias de referência, maternidades, ambulâncias, estabelecimentos comerciais, vias de acesso, postos de emprego, entre outras necessidades que fazem parte do dia-a-dia.

São constrangimentos do dia-a-dia, cuja saída, segundo o Presidente da República, é a cultura de trabalho. 

Nos comícios populares que orientou nos quatro postos administrativos, Armando Guebuza falou insistentemente da necessidade de maior envolvimento no trabalho. “É preciso trabalhar, trabalhar, trabalhar para vencer o actual inimigo comum dos moçambicanos: a pobreza”.

Para vencer a pobreza, Guebuza falou igualmente da necessidade de preservação da paz, da necessidade da união dos moçambicanos, tomando como fontes de inspiração as conquistas do passado, nomeadamente a forma como foi conseguida a independência nacional e a própria paz em 1992.

No balanço, Guebuza disse que constatou durante a visita que a população está animada e tem clareza de que há muito ainda por fazer na agenda nacional de luta contra a pobreza.

“Vimos isso nos comícios como nos encontros que mantivemos com os órgãos locais. Nos encontros com os membros dos órgãos locais, estes mostraram que conhecem as suas responsabilidades em responder às preocupações da população, recorrendo ao fundo dos sete milhões e aos três milhões alocados para a área de infra-estruturas”, afirmou Guebuza.

Com efeito, o Presidente disse sentir-se satisfeito com o que está a acontecer, mas frisou que está consciente de que ainda há muito por fazer rumo à erradicação da pobreza.

“Sinto-me satisfeito e também consciente de que há ainda um longo caminho por percorrer. Por exemplo, no fundo dos sete milhões ainda continuamos com o problema do baixo nível de reembolsos”, indicou.

TERRA SUBAPROVEITADA

Com um grande potencial agroclimático, dos cerca de oito milhões de hectares de terra arável, a província da Zambézia apenas explora 1,3 milhão de hectares, o correspondente a 16,4 porcento das suas potencialidades.

A província possui ainda um potencial de cerca de 416 mil hectares de terras irrigáveis, mas apenas 12.581 hectares é que possuem infra-estruturas de rega.

O informe do Governo provincial apresentado ao Presidente da República na sessão extraordinária do governo local, alargada aos administradores distritais, presidentes dos conselhos municipais, presidente da assembleia provincial e outros, realizada no distrito de Mopeia, ponto de entrada de Armando Guebuza, indica que a campanha agrícola 2009/2010 registou um decréscimo na produção de cereais na ordem de 21,4 porcento, devido à fraca chuva que resultou na perca de 119.283 hectares e 332.900 toneladas de cereais, particularmente o milho e o arroz, nos distritos de Maganja da Costa, Chinde, Morrumbala e Mopeia.

No entanto, a produtividade média anual aumentou de 2,65 toneladas por hectare, na campanha 2008/09, para 2,74 toneladas por hectare, na de 2009/10.

O informe aponta igualmente a queda de produção de algodão, devido à retirada ou desistência de alguns camponeses na prática desta cultura de rendimento, passando a praticar o cultivo de gergelim e feijão bóer, dado o preço aliciante praticado no mercado que supera o do algodão.

À ESPERA DA CHUVA

Com recursos hídricos, a produção agrícola na província da Zambézia ainda está refém da queda pluviométrica, tal como os próprios produtores confirmaram ao Presidente da República, Armando Guebuza, nos comícios populares que orientou nos postos administrativo Campos, Mugeba e Macuse.

Em Macuse, terra do palmar e do arroz, a população disse ao Presidente da República que ali não chove com normalidade há sensivelmente cinco épocas.

Entretanto, apesar da escassez da chuva, a situação não se apresenta má, pois são regiões atravessadas por rios, alguns dos quais com caudal pouco abundante ao longo de todo o ano.

Em Mugeba, depois de visitar a Associação de Camponeses Ana wiwanana, financiada pelo Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD), vulgo “7 milhões”, cujas machambas estão próximas de um rio, mas quase que não tiram nenhum benefício por falta de sistema de rega, o Presidente Armando Guebuza instou os associados no sentido de envidarem esforços para o aproveitamento daquele recurso hídrico.

A-propósito e tomando também como base situações similares verificadas em outros pontos, Guebuza disse ser premente o aproveitamento das potencialidades agro-ecológicas, com vista a garantir que o mais rápido possível o país deixe de importar cereais, em particular o arroz.

Disse que era preciso aproveitar os recursos hídricos existentes para, pelo menos, garantir, no mínimo, duas colheitas por ano.

Na conferência de imprensa que concedeu a jornalistas na sede do distrito de Namacurra no final da sua presidência aberta e inclusiva à província da Zambézia, Armando Guebuza voltou a tocar no assunto, afirmando que “a nossa política é aproveitar totalmente as potencialidades que o país tem para a produção do arroz. É um processo que vai levar o seu tempo, mas esperamos que o mais cedo possível deixemos de importar o arroz”.

Para o efeito, o Japão e o Vietname estão prontos a ajudar o país a introduzir novas técnicas de produção, mas que, para tal, Moçambique precisa de estar bem estruturado.

O Presidente sublinhou que técnicos moçambicanos já estão também engajados na materialização deste plano governamental.

INDÚSTRIA TÊXTIL OU DE VIATURAS

O projecto da fábrica têxtil de Mocuba, distrito do mesmo nome, voltou a estar na “berlinda”, com os populares, no comício que o Chefe do Estado orientou no posto administrativo de Mugeba, a questionarem o futuro das infra-estruturas daquela unidade fabril, uma preocupação associada à falta de emprego no distrito.

A preocupação não mereceu nenhuma resposta directa do Presidente da República, mas foi o ministro da Indústria e Comércio, Armando Inroga, que revelou a jornalistas o plano que existe em relação àquele empreendimento.

Inroga disse que as instalações da antiga fábrica têxtil de Mocuba poderão ser transformadas numa fábrica de montagem de viaturas.

Disse que aquando da última visita do Presidente Guebuza à Índia, o grupo TATA ter-se-ia manifestado interessado em montar uma fábrica de viaturas em Moçambique, sendo as instalações da antiga fábrica têxtil de Mocuba um dos dois possíveis locais já identificados pelo Governo para acolher o projecto.

A concretizar-se seria a solução para a falta de emprego que afecta a população de Mocuba.

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