Escrito por jornal noticias Segunda, 23 Maio 2011 08:33
Presidência aberta à Zambézia: Quando se pede TV e celularTERRA SUBAPROVEITADA
Com um grande potencial agroclimático, dos cerca de oito milhões de hectares de terra arável, a província da Zambézia apenas explora 1,3 milhão de hectares, o correspondente a 16,4 porcento das suas potencialidades.
A província possui ainda um potencial de cerca de 416 mil hectares de terras irrigáveis, mas apenas 12.581 hectares é que possuem infra-estruturas de rega.
O informe do Governo provincial apresentado ao Presidente da República na sessão extraordinária do governo local, alargada aos administradores distritais, presidentes dos conselhos municipais, presidente da assembleia provincial e outros, realizada no distrito de Mopeia, ponto de entrada de Armando Guebuza, indica que a campanha agrícola 2009/2010 registou um decréscimo na produção de cereais na ordem de 21,4 porcento, devido à fraca chuva que resultou na perca de 119.283 hectares e 332.900 toneladas de cereais, particularmente o milho e o arroz, nos distritos de Maganja da Costa, Chinde, Morrumbala e Mopeia.
No entanto, a produtividade média anual aumentou de 2,65 toneladas por hectare, na campanha 2008/09, para 2,74 toneladas por hectare, na de 2009/10.
O informe aponta igualmente a queda de produção de algodão, devido à retirada ou desistência de alguns camponeses na prática desta cultura de rendimento, passando a praticar o cultivo de gergelim e feijão bóer, dado o preço aliciante praticado no mercado que supera o do algodão.
À ESPERA DA CHUVA
Com recursos hídricos, a produção agrícola na província da Zambézia ainda está refém da queda pluviométrica, tal como os próprios produtores confirmaram ao Presidente da República, Armando Guebuza, nos comícios populares que orientou nos postos administrativo Campos, Mugeba e Macuse.
Em Macuse, terra do palmar e do arroz, a população disse ao Presidente da República que ali não chove com normalidade há sensivelmente cinco épocas.
Entretanto, apesar da escassez da chuva, a situação não se apresenta má, pois são regiões atravessadas por rios, alguns dos quais com caudal pouco abundante ao longo de todo o ano.
Em Mugeba, depois de visitar a Associação de Camponeses Ana wiwanana, financiada pelo Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD), vulgo “7 milhões”, cujas machambas estão próximas de um rio, mas quase que não tiram nenhum benefício por falta de sistema de rega, o Presidente Armando Guebuza instou os associados no sentido de envidarem esforços para o aproveitamento daquele recurso hídrico.
A-propósito e tomando também como base situações similares verificadas em outros pontos, Guebuza disse ser premente o aproveitamento das potencialidades agro-ecológicas, com vista a garantir que o mais rápido possível o país deixe de importar cereais, em particular o arroz.
Disse que era preciso aproveitar os recursos hídricos existentes para, pelo menos, garantir, no mínimo, duas colheitas por ano.
Na conferência de imprensa que concedeu a jornalistas na sede do distrito de Namacurra no final da sua presidência aberta e inclusiva à província da Zambézia, Armando Guebuza voltou a tocar no assunto, afirmando que “a nossa política é aproveitar totalmente as potencialidades que o país tem para a produção do arroz. É um processo que vai levar o seu tempo, mas esperamos que o mais cedo possível deixemos de importar o arroz”.
Para o efeito, o Japão e o Vietname estão prontos a ajudar o país a introduzir novas técnicas de produção, mas que, para tal, Moçambique precisa de estar bem estruturado.
O Presidente sublinhou que técnicos moçambicanos já estão também engajados na materialização deste plano governamental.
INDÚSTRIA TÊXTIL OU DE VIATURAS
O projecto da fábrica têxtil de Mocuba, distrito do mesmo nome, voltou a estar na “berlinda”, com os populares, no comício que o Chefe do Estado orientou no posto administrativo de Mugeba, a questionarem o futuro das infra-estruturas daquela unidade fabril, uma preocupação associada à falta de emprego no distrito.
A preocupação não mereceu nenhuma resposta directa do Presidente da República, mas foi o ministro da Indústria e Comércio, Armando Inroga, que revelou a jornalistas o plano que existe em relação àquele empreendimento.
Inroga disse que as instalações da antiga fábrica têxtil de Mocuba poderão ser transformadas numa fábrica de montagem de viaturas.
Disse que aquando da última visita do Presidente Guebuza à Índia, o grupo TATA ter-se-ia manifestado interessado em montar uma fábrica de viaturas em Moçambique, sendo as instalações da antiga fábrica têxtil de Mocuba um dos dois possíveis locais já identificados pelo Governo para acolher o projecto.
A concretizar-se seria a solução para a falta de emprego que afecta a população de Mocuba.