ZAMBÉZIA – Cidadãos pedem reposição da linha Quelimane/Mocuba



Escrito por jornal noticias
Sexta, 13 Maio 2011 08:14

ZAMBÉZIA – Cidadãos pedem reposição da linha Quelimane/Mocuba
A REPOSIÇÃO da linha férrea Quelimane-Mocuba, na Zambézia, numa extensão de 150 quilómetros, constitui uma das principais preocupações que os residentes do distrito de Nicoadala colocam ao Governo.
A linha férrea tinha no passado e antes da sua retirada no contexto do comércio de sucata um peso extremamente importante para a economia da província da Zambézia e contribuía para a longevidade da Estrada Nacional Número Um, uma vez que as viaturas que transportam carga pesada como toros de madeira e outros são apontadas como estando a destruir esta importante via.
Numa reunião bastante concorrida num dos bairros da vila-sede distrital de Nicoadala, os residentes pediram esclarecimentos sobre quando é que vai acontecer a reposição daquela infra-estrutura de comunicação ferroviária. No entender dos cidadãos de Nicoadala, quando o comboio circulava no sentido Quelimane-Mocuba e vice-versa facilitava a vida em termos de transporte de pessoas e mercadorias e poupava a vida das estradas que estão a ser “maltratadas” pela carga pesada.
Brasil Aguiar Linda, um dos cidadãos que interveio na reunião pública orientada pelo governador da Zambézia naquele distrito, disse que não se pode pensar no relançamento da economia da província sem aquela infra-estrutura de comunicação. O cidadão defendeu a necessidade da população ser explicada sobre quais são os passos dados para a reposição da linha férrea depois que a anterior foi desactivada sob a alegação de estar obsoleta.
“Nós cidadãos queremos saber quando vão repor a linha férrea Quelimane-Mocuba?”, questionou o nosso entrevistado quando abordado pela nossa Reportagem.
No distrito de Nicoadala abordamos outros cidadãos que se manifestaram preocupados com a falta de informação sobre a reposição da linha férrea. Bernardino Lima afirma que se tratando de uma infra-estrutura pública e por uma questão de transparência governativa antes da desactivação e consequente retirada do material que havia na linha férrea os cidadãos não só de Nicoadala como de todo eixo Quelimane/Nicoadala/Namacurra/Mocuba deveriam ser informados se o Governo tinha ou não um projecto para a reposição daquela infra-estrutura de comunicação.
José Pente recorda que a linha férrea tinha um papel socioeconómico muito importante para os residentes de Nicoadala. Explicou que as pessoas tinham várias alternativas em termos de transporte, porquanto quando os rodoviários atrasassem poderia se ir de comboio a Quelimane ou Namacurra ou ainda a Mocuba. “A carga pesada como toros de madeira, contentores volumosos e outras eram transportadas pela composição do comboio e assim as nossas estradas duravam mais tempo. Agora são reabilitadas e em pouco tempo já têm buracos por causa da pressão”, observou o nosso entrevistado.
O governador da Zambézia evitou comentar essa preocupação afirmando apenas que quando a linha férrea foi retirada ele não era o timoneiro da província, por isso não tinha muitas explicações a dar.
“Quando isso aconteceu eu não tinha ainda chegado, mas o Governo vai estudar o assunto”, garantiu Francisco Itae Meque.
A linha férrea facilitava o escoamento de produtos ao longo de todo o trajecto até ao Porto de Quelimane. Nos tempos áureos, o comboio era um dos meios de transporte mais usados e com a guerra e outros factores conjunturais a linha começou a perder a sua importância estratégica na economia da Zambézia.
Entretanto, o director provincial dos Transportes e Comunicações da Zambézia, Alberto Manharage, disse quando abordado pela nossa Reportagem a-propósito desta matéria que o Executivo da Zambézia está igualmente preocupado com a reposição da linha férrea Quelimane-Mocuba, estando neste momento a desdobrar-se para convencer investidores que possam reabilitar a infra-estrutura. Alberto Manharage disse que os carris e as travessas foram retiradas porque não se adequam ao actual padrão de construção das linhas férreas. Indicou que os carris retirados eram de 30 quilogramas por metro quando os actuais são de 40 e as travessas eram de madeira, mas actualmente utilizam-se de betão.
Para a retirada da linha férrea o Governo depois de receber o património da empresa CFM por incapacidade de reposição, lançou um concurso público para a remoção. Segundo Alberto Manharage, uma empresa mista Moçambique/Coreia, a Konet e Service venceu o concurso e assim a linha férrea foi retirada.
“A construção de linhas férreas hoje observa outros critérios, mesmo que apareçam agora investidores terão de começar tudo de novo dentro dos novos padrões. É um mega-projecto que exige muito dinheiro para a sua construção”, disse o nosso entrevistado, para quem o Governo tanto a nível provincial como central, quer ver reposta a linha férrea Quelimane/Mocuba e outras ligações ferroviárias para impulsionar o desenvolvimento socioeconómico da Zambézia.
Ao se reabilitar o Porto de Quelimane, segundo ainda Manharage, a visão do Governo é no futuro reconstruir a linha férrea em causa que poderá ser uma motivação para a materialização de outros empreendimentos, nomeadamente a asfaltagem da estrada Mocuba/Milange e a construção de porto seco em Mocuba.