ZAMBÉZIA - Dezasseis mil habitantes sem água potável no Gilé



Escrito por Jornal Noticias
Sexta, 19 Novembro 2010 10:21

Dezasseis mil residentes da vila-sede do distrito do Gilé, na província da Zambézia, enfrenta uma crise de água sem precedentes, uma situação que se agravou desde o ano passado como resultado do agravamento do estado de obsolescência do sistema de abastecimento e distribuição do precioso líquido que há muito não beneficia de qualquer tipo de intervenção.
Concebido para atender apenas a quatro mil pessoas, nas actuais condições o sistema apenas consegue abastecer de água aos moradores da vila-sede distrital durante cerca de quatro horas diárias, sendo que duas no período da manhã e outras no da tarde. A administradora do distrito, Teresa Mauae reconhece a gravidade do problema indicado que este se acentua mais no Verão, altura em que crescem cada vez mais as necessidades do precioso líquido no seio dos residentes locais.
Teresa Mauae disse que todo o distrito debate-se com o problema da falta de água potável com o agravante de haver zonas, sobretudo nas localidades, em que não é possível fazer furos para a obtenção do precioso líquido devido ao facto de serem regiões rochosas.
O sistema de abastecimento de água à vila do Gilé foi concebido para quatro mil pessoas mas o número da população triplicou para 16 mil. A solução do problema passa necessariamente pela reabilitação estrutural do sistema, ou seja, a reparação e ampliação da capacidade da rede e sua expansão para atender à demanda das necessidades.
Devido à obsolescência da rede, esta permite fugas de água o que torna cada vez mais difícil a obtenção do precioso líquido. Por exemplo, na semana passada, a nossa Reportagem esteve na vila-sede distrital do Gilé onde pode constatar quão o drama porque passam os residentes locais para obterem água para a satisfação das suas necessidades básicas.
Dezenas de mulheres e crianças circulavam de uma ponta para a outra da vila com bidons e outro tipo de recipientes na cabeça à procura de água. Porque nas fontes convencionais esta não saía, estas recorriam a pequenos poços abertos aqui e ali mas sem qualquer tipo de tratamento.
Emília Estêvão é uma das tantas mulheres que vimos na vila do Gilé. Acompanhada das suas duas filhas com idades que variam entre seis e oito anos, transportavam recipientes à cabeça de regresso à casa depois de durante cerca de quatro horas terem suportado longas filas num poço tradicional. Abordada pela nossa Reportagem lamentou o facto de ter perdido todo aquele tempo que bem o podia ter aproveitado noutros afazeres como preparar os filhos para a escola apenas porque pretendia obter água que nem chega para satisfazer as necessidades básicas da sua casa. A nossa entrevistada disse também que o crónico problema da falta de água se agudiza no tempo seco porque o caudal do furo baixa, sendo necessário esperar mais horas.
Tal como afirmou Teresa Mauae, administradora do distrito, durante o período de interrupção do processo de abastecimento de água através do sistema da rede, as pessoas recorrerem a furos alternativos abertos, para o que percorrem entre meio e um quilómetro.
No entanto a administradora do Gilé diz haver uma luz no fundo do túnel para reabilitação da rede de distribuição do precioso líquido mas não adiantou pormenores, sobre quando arrancam as obras, quanto tempo irá durar e muito menos os investimentos previstos.
“Todo o distrito tem problema da falta de água e há zonas onde é impossível fazer furos devido ao facto de serem regiões rochosas”, disse a fonte indicando, entretanto que apesar das carências não há, no distrito, doenças relacionadas com o consumo de água imprópria uma vez que as autoridades sanitárias têm recolhido amostras para as análises laboratoriais e as pessoas que recorrem aos rios são aconselhadas para ferver a água antes de consumi-la.
Na zona rural a cobertura de água está na ordem dos 35,4 porcento para 190 mil habitantes de todo o distrito. Gilé recebeu 1.4 milhão de meticais para abrir 35 furos.