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Crise do Zimbabwe vai continuar mesmo depois das eleições

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Organização de advocacia política defendeu que a crise do Zimbabwe vai mais para além das eleições bastante disputadas

O Instituto do Zimbabwe, organização de advocacia política, defendeu, esta segunda-feira, que a crise do Zimbabwe vai mais para além das eleições bastante disputadas e tem como uma das principais causas a divisão de opiniões entre os zimbabweanos. “As eleições no Zimbabwe não vão resolver a crise. O problema no Zimbabwe vai mais para além das eleições. A estratégia da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que tem um enfoque em eleições credíveis, é muito limitada. Este é mais um problema político e de governação”, afirmou James Muzondidya, pesquisador-chefe do Instituto do Zimbabwe, uma organização de advocacia política. Muzondidya criticou ainda o sistema eleitoral zimbabweano que se baseia na ideia “o vencedor leva tudo”, afirmando que o mesmo levou um partido político na liderança a manter-se no poder por toda a vida. O pesquisador falava em Pretória, na África do Sul, durante um debate intitulado “SADC mediation and future of democratic transition in Zimbabwe”, durante a qual acrescentou que, tendo o governo de inclusão iniciado a reconfiguração do xadrez político do país, se deve ainda esperar outros desafios que se aproximam.

Face à incerteza da realização das eleições e à movimentação social criada, os líderes religiosos do Zimbabwe apelaram também, na segunda-feira, ao fim da violência política que nos últimos meses tem revelado sinais de escalada. Segundo o News24, os líderes apelaram ainda aos zimbabweanos e aos actores políticos para que deixem de usar “linguagem de ódio”, que tem a potencialidade de mergulhar o país numa nova crise política.

Na sua carta pastoral, o Conselho das Igrejas do Zimbabwe convidou os líderes políticos a “reflectirem profundamente” e a trabalharem para resolver as questões pendentes antes da realização de eleições. Os líderes religiosos denunciaram também a alegada imparcialidade por parte da polícia e das forças de segurança, que se reflecte nas ameaças e actos de intimidação. Paralelamente às denúncias, os religiosos comprometeram-se a ajudar na promoção do diálogo no seio do governo de coligação, tendo ainda instado os líderes da SADC a intervirem mais na resolução as questões pendentes em torno da partilha do poder.

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