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Estiagem em Guro

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Pelo menos 11.461 hectares de culturas diversas, predominantemente de milho, são dados como perdidos no distrito de Guro, norte da província de Manica. Esta perda, que corresponde a mais de quarenta porcento da produção agrícola do distrito, deixou milhares de pessoas sob ameaça de fome.Dados em poder do “Notícias” indicam que o distrito de Guro previa produzir 53.252 toneladas de culturas diversas, numa área estimada em 30.634 hectares, envolvendo 12.188 famílias.
Daquelas quantidades, segundo a administradora distrital, Deolinda Bengula, perto de metade está perdida, afectando sobretudo as populações dos postos administrativos de Mungari e Mandie.

Como consequência directa desta situação, as populações afectadas estão neste momento a alimentar-se com base em frutos silvestres e raízes. A comercialização de animais e troca destes com cereais é outra alternativa encontrada pelas populações para a sua sobrevivência.

Com uma superfície estimada em 6920 quilómetros quadrados, Guro é habitado por 68.526 pessoas, segundo dados do último censo da população e habitação, sendo que a maior parte destas pessoas dedica-se à agricultura e pecuária.

A classe trabalhadora, com emprego formal, é constituída apenas por 721 pessoas, (funcionários públicos), sem contar com os trabalhadores do sector informal, números que estão a aumentar em conexão com as oportunidades abertas pelos projectos de geração de rendimentos, mais conhecidos pelo nome de “sete biliões”.

As culturas de milho, mapira, mexoeira, amendoim e hortícolas são as eleitas pela população daquele distrito, porque, segundo Deolinda Bengula, compadecem-se com os solos de Guro, cujos habitantes também se dedicam à criação de gado bovino, caprino, ovino, suíno e espécies galináceas.

O distrito conta com 37.394 cabeças de gado caprino, seguida de bovinos que ascendem a 18 mil cabeças. Os suínos, ovinos e aves atingem 5654, 1183 e 35 mil, respectivamente.


GOVERNO PREOCUPADO

A questão da segurança alimentar foi igualmente objecto de apreciação pelo Governo provincial de Manica. Na sua segunda sessão ordinária, o Executivo daquela província apreciou a situação da campanha agrícola 2009/2010 e constatou que, por ter chovido tardiamente, as metas previstas para a produção de alimentos durante a presente safra não foram alcançadas e nalguns distritos as populações já enfrentam fome.

A queda irregular da chuva e a consequente seca foram as principais causas da situação que pôs em risco a campanha agrícola na província de Manica.

Da apreciação do informe da missão multissectorial encarregue de proceder à avaliação e monitoria da situação, composta por técnicos dos pelouros da Agricultura, Comércio, INGC e o PMA, e do Governo local constatou-se que dos 724.298 hectares planificados na província, para culturas diversas, nomeadamente cereais, leguminosas, hortícolas, fruteiras e culturas de rendimento, com a produção estimada de 1.847.917 toneladas, 161.793,51 hectares estão perdidos, o correspondente a 22,34 porcento, contra 339.182,78 hectares que estavam em risco, até meados de Janeiro de 2010.

Dados em nosso poder indicam que cerca de 42.946 pessoas de todos os distritos da província estão em situação de vulnerabilidade, sendo os distritos de Tambara, Macossa e Machaze os mais afectados. Para além da estiagem, afectaram também a presente campanha agrícola as pragas de lagarta invasora, no distrito de Tambara, e de gafanhoto elegante, nos distritos de Sussundenga, Mossurize, Machaze, Tambara e Guro.

Face a esta situação, o Governo Provincial de Manica, em coordenação com os seus parceiros de cooperação, envidou esforços para a mitigação dos efeitos da estiagem, destacando-se a promoção de culturas resistentes à seca (mandioca, batata doce, ananás, cajueiro), mobilização dos camponeses para recorrer às zonas baixas para a produção agrícola e sensibilização para o uso dos canais de irrigação existentes.

Para além disso, o Executivo de Manica encetou esforços com vista à promoção da construção, gestão e manutenção de pequenos sistemas de rega, abastecimento de água e de abeberamento do gado, sensibilização para a venda controlada de excedentes agrícolas e monitoria da situação das 42.946 pessoas vulneráveis para o apoio alimentar, com  recurso à modalidade “comida pelo trabalho”.
Animais selvagens são a outra dor de cabeças para os camponeses (Arquivo)


GATOS PARA MATAR COBRAS QUE ENLUTAM

Em Guro, para além da fome causada pela estiagem, as serpentes, crocodilos, elefantes e hipopótamos constituem outra preocupação da população do distrito. Só nos últimos 15 meses, a região registou a morte de pelo menos 17 pessoas e 32 feridos, na sequência de ataques daqueles animais.

A administradora distrital, Deolinda Bengula, afirma que o número de vítimas mortais tende a subir de ano para ano, com o crescimento, de forma galopante, da população de serpentes, crocodilos e elefantes na região.

Para além das vítimas mortais e ferimentos, a fonte revelou que os elefantes devoraram quantidades não especificadas de milho e destruíram oito hectares de culturas diversas pertencentes aos camponeses das povoações dos postos administrativos de Mandie, Nhamassonje e Guro-Sede, naquele distrito.

A maior parte das vítimas mortais é atribuída a serpentes, que no período em referência mataram pelo menos nove pessoas, enquanto os crocodilos foram responsáveis pela morte de outras sete.

A rápida multiplicação dos animais e a consequente redução do espaço de pasto e habitat na coutada 9, no distrito de Macossa, é apontada como sendo a causa principal da presença massiva da população de animais selvagens nas zonas residenciais, provocando o chamado conflito Homem-fauna bravia.

Para minimizar a presença de serpentes, na sua maioria mambas, a Direcção Provincial da Agricultura de Manica está a levar a cabo um projecto de fomento de gatos para afugentar cobras.

Com efeito, pelo menos 20 gatos foram recentemente introduzidos nas matas de Nhamassonje e há informações indicando que, na sequência disso, reduziu nos últimos meses as mordeduras por cobras venenosas naquele posto administrativo.

O uso de gatos para afugentar cobras constitui a primeira experiência do género no país. Este facto foi anunciado pelo Director Provincial da Agricultura de Manica, Dinis Lissave, o qual explicou que os gatos constituem um dos maiores predadores das serpentes, sendo por isso que a sua introdução em Nhamassonje vai contribuir para a redução do número de serpentes na região.

Nas matas de Nhamassonje, situado na região norte de Guro, habitam numerosas serpentes venenosas que atacam as pessoas até nas suas próprias residências. Dinis Lissave explica que as cobras não resistem aos ataques de gatos, daí que o fomento destes visa colocar Nhamassonje livre de cobras.

Em Nhamassonje, para além das dezenas de pessoas que morrem anualmente vítimas da mordedura de cobras venenosas, reporta-se a insuficiência de unidades sanitárias para prestar cuidados a pessoas mordidas por cobras.

Dinis Lissave considera que esta é uma estratégia eficaz para responder às preocupações da população de Guro que em 2009 apresentaram o problema ao Chefe do Estado, Armando Guebuza, num comício na sede daquele distrito.

Recentemente, a preocupação voltou a ser apresentada à governadora de Manica, Ana Comoane, na sua primeira visita ao distrito. Populares furiosos pediram à governante a tomada de medidas visando a eliminação dos animais considerados problemáticos.

Enquanto isso, o sector da Agricultura em Manica defende que o conflito prevalecente resulta da fixação das pessoas nas zonas destinadas a animais, mas estas sustentam ser ali onde encontram terras férteis para a agricultura, base da sua sobrevivência.

Como forma de garantir a disponibilidade de gatos e aumentar o número destes em Nhamassonje, a Direcção Provincial da Agricultura de Manica aventa a hipótese de vir a comprar aqueles animais na província, abrindo assim a possibilidade de um negócio para os criadores.

A governadora de Manica, Ana Comoane, falando há dias em Mungari, na residência do ancião Sandramo Buramo, de 112 anos, aquando da sua última visita a Guro, disse, em resposta a populares enfurecidos, ser necessária a tomada de medidas urgentes com vista a salvar vidas humanas, mas também proteger os animais.

Para os animais problemáticos, Comoane disse ser necessário abate-los, pelo que orientou para a necessidade de as autoridades locais identificarem caçadores para eliminar os animais conflituosos, para além do uso das técnicas tradicionais de afugentamento, trazendo assim paz e segurança entre as populações.

Entretanto, Comoane especificou que o abate de elefantes não deve ser feito indiscriminadamente, uma vez se tratar de animais protegidos e que constituem uma importante fonte de geração de receitas.

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