Malangatana segue pirataria das suas obras



Escrito por Jornal Noticias
Quarta, 20 Outubro 2010 09:51

O Pintor Malangatana chega hoje a Portugal para inteirar-se do caso de falsificação de algumas das suas obras naquele país bem como iniciar demarches com vista ao total esclarecimento do caso, o que inclui uma eventual identificação e responsabilização criminal dos autores e intervenientes desta violação da propriedade intelectual.
Recentemente, a polícia portuguesa apreendeu na cidade do Porto vinte obras de arte falsificadas, nove das quais confirmadas serem do pintor moçambicano. Na operação foi detida uma mulher de 54 anos de idade, que havia sido detida em 2008 pelos mesmos actos e que desde então se sujeita a apresentações periódicas a uma esquadra de polícia.
O Ministério da Cultura moçambicano tem vindo a monitorar este caso, numa acção que envolve a embaixada do nosso país em Portugal. É neste âmbito que intercedeu de modo a que o artista já trabalhe com a Polícia Judiciária portuguesa para a legalização da acusação contra a mulher detida e procedimentos subsequentes.
Malangatana tem inclusive um advogado em Portugal, através de quem partilhará com o governo moçambicano toda a informação pertinente sobre o assunto. O Ministério da Cultura promete intervir nos aspectos que careçam da sua intervenção.
Esta foi a segunda operação em Portugal que culminou com a descoberta de obras falsas do artista plástico-mor de Moçambique. A primeira tinha acontecido em Setembro.
A apreensão resultou de uma investigação que durou mais de dois anos e terminou com o detentor das obras de arte, um marchante do Porto, a ser constituído arguido.
Segundo a Polícia Judiciária portuguesa, nos últimos dois anos e meio - e no âmbito da mesma investigação -, já tinham sido apreendidas outras 100 peças, também de autores contemporâneos portugueses como Vieira da Silva, Júlio Resende, Cargaleiro, Júlio Pomar, Bual, Nadir Afonso, Roque Gameiro, Mário Botas e Bernardo Marques.
A mulher que falsificou os quadros agora apreendidos, detida pela polícia portuguesa em 2008, foge ao estereótipo do falsificador português.
Normalmente, os falsários são homens com mais de 40 anos, formação superior, estatuto social acima da média e são conhecedores do mercado de arte.
Entretanto, na sequência deste caso de pirataria de obras de um artista moçambicano no estrangeiro, o Ministério da Cultura exorta a comunidade criadora nacional a registar as suas obras na Sociedade Moçambicana de Autores (SOMAS).
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