ARTES - Matias Ntundo



Escrito por clara
Quarta, 22 Setembro 2010 10:17

Matias Ntundo, o pai da xilogravura moçambicana, regressa à sua terra natal. Não somente para buscar inspiração, mas sobretudo para mostrar os resultados de um trabalho que vem desenvolvendo vão mais de cinco três décadas. Portanto, desde os anos 80 até aos dias que correm. Intitulada “Matias Ntundo: Gravuras 1982-2010”, a mostra abre hoje na cidade de Pemba, nas instalações da Educação e Cultura sitas na rua XII.
A exposição estará patente até 22 de Outubro próximo, sendo acompanhada por um livro que, de forma mais extensa, documenta e contextualiza o percurso artístico de Matias Ntundo.
O artista quis regressar à sua terra natal para ver e exaltar os ancestrais, fazendo-o com uma exposição individual de xilogravura, cujas obras retratam parte do seu grandioso percurso.
Mas estamos certos de que se a exposição espelha parte do trabalho que ele vem desenvolvendo, por outro é importante frisar o facto de ele estar acima de meras questões de datações, pois a sua produção é intemporal.
Esta mostra já esteve patente na Fortaleza de Maputo, em Junho último, naquilo que também constituiu a sua primeira individual na capital do país, embora o seu trabalho tenha cerca de 50 anos.
O curador da exposição e autor do livro é Gianfranco Gandolfo quem tem colaborado a partir dos anos 80 com o Departamento de Museus. Especialista em Arte, Gandolfo foi consultor do Projecto Arte Makonde nos finais dos anos 90.
Matias Ntundo utiliza principalmente como meio de expressão a gravura, apreendida com a artista suíça Maya Zürcher no início dos anos 80. Esta nova técnica lhe parece mais apta a representar a riqueza e complexidade dos acontecimentos que ele viveu ao longo do tempo e a transmitir às gerações vindouras a história e a cultura do país.
Matias já representou Moçambique no estrangeiro, integrado em exposições colectivas de artistas moçambicanos o que lhe mereceu uma distinta visibilidade.
Entretanto, esta exposição mostra, pela primeira vez, uma parte importante do seu percurso artístico e permite ter dele uma visão retrospectiva.
EXÍMIO CONTADOR DE HISTÓRIAS
Artista com uma longa e invejável carreira, Matias Ntundo inicia a sua arte nos anos longínquos de 1962 quando começou a esculpir na sua aldeia natal de Nandimba, próxima de Mueda, em Cabo Delgado.
Nas suas obras ele mostra que é um exímio contador de histórias da vida e da morte. Um desenhador de futuros. Através da sua xilogravura, o artista assume-se retratista de acções acontecidas.
A filosofia artística de Matias Ntundo faz com que ele, nas suas obras, vá a busca do essencial. Do que constitui o epicentro da sua manifestação histórica e cultural. As suas inquietações estão patentes, tal como os seus questionamentos.
Nas suas obras xilogravuras notamos a forte capacidade que ele tem de escrever os contos tradicionais da sua aldeia, da sua província e do seu país. Mas também da sua África.
A lavoura dos campos. As histórias dos aldeões contando histórias à volta da fogueira. Os contos tradicionais com personagens como o leão, a quizumba ou a intervenção do coelho astuto, os porcos do mato que atacam as colheitas, os macacos, os pássaros, os crocodilos que são os pesadelos dos pescadores nos rios... estão lá patentes. Como está patente o mundo por si criado e recriado.
E esta exposição, citando o seu curador, Gianfranco Gondolfo, é uma espécie de reconstrução da história da produção artística deste artista.
Matias Ntundo nasceu em 1948, tendo iniciado a sua carreira artística no longínquo ano de 1962, quando começou a esculpir na sua aldeia Nandimba.
Mas foi na xilogravura que ele se lançou, embora nunca tenha deixado de esculpir. E é na xilogravura onde sentimos a presença de uma produção mais voraz, embora na escultura Ntundo tenha produzido também com intensidade. Sobretudo, a nível de máscaras.
Por outro lado, a produção escultórica de Matias Ntundo está muito pouco documentada, segundo refere Gianfranco Gandolfo, afirmando, a dado passo, que ela inclui trabalhos para locais públicos e outros objectos caracterizados por um alto grau de realismo e uma grande perfeição na execução técnica.
Começou por ser escultor maconde, uma das artes tradicionais mais conhecidas na região norte de Moçambique.
A viver retirado no planalto de Mueda, as suas xilogravuras representam o mundo ancestral moçambicano até à sua união a Portugal e ao mundo. Entre os seus trabalhos, podemos encontrar ilustrações da Bíblia em língua maconde.
Gianfranco Gandolfo dá-nos também a conhecer que, de 1996 a 2002, se abre uma nova página na vida de Matias Ntundo que são os trabalhos que são os trabalhos que faz no campo das gravuras, que foi mais para ilustrar uma obra dos contos tradicionais de Cabo Delgado e da Bíblia, que foram produzidos em língua makonde pela Sociedade Internacional de Linguística.
fase remonta o início da utilização do linóleo para as matrizes, mas continuando a utilizar a madeira”, diz o curador no catálogo, sublinhando o facto de mais recentemente a sensibilidade do artista ter introduzido mudanças na linguagem, onde as figuras anteriormente tratadas com perfis lineares, agora destacarem-se do fundo através dum jogo de contraste de superfícies escuras e claras.
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