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Moçambique sem solução para intrusão salina MOÇAMBIQUE ainda não dispõe de nenhum plano de adaptação ou mitigação dos efeitos resultantes da salinidade dos solos que, em diversas partes do país, está a provocar a sua esterilidade, com sérias consequência

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MOÇAMBIQUE ainda não dispõe de nenhum plano de adaptação ou mitigação dos efeitos resultantes da salinidade dos solos que, em diversas partes do país, está a provocar a sua esterilidade, com sérias consequências à agricultura.
A Ministra para a Coordenação da Acção Ambiental, Alcinda Abreu, que reconhece a gravidade do assunto, disse a AIM que a intrusão salina é um problema que afecta muitas zonas do país e surge em consequência da subida do nível médio das águas do mar.

“Ainda não há um programa específico dirigido a este problema”, admitiu a governante.

Na agricultura, a intrusão salina significa perda da fertilidade dos solos e a consequente falta de produção, o que complica ainda mais as contas de quem tem essa actividade como principal fonte de geração de alimentos e renda.

Em Outubro de 2010, a AIM publicou um artigo retratando a história de um grupo de agricultores que deixou de praticar a sua principal actividade de subsistência no bairro da Costa do Sol, arredores da cidade do Maputo, devido a salinidade dos solos nas suas machambas.

Inconformados com a situação, parte desses “deslocados ambientais” decidiram procurar terra arável noutros pontos do país, tendo conseguido uma área de cem hectares em Dzonguene, distrito de Xai-Xai, província meridional de Gaza, que dista a mais de 200 quilómetros de Maputo.

Trata-se de agricultores filiados a Associação dos Produtores Agrícolas de Maguiguane (APAM), agremiação que junta cerca de 480 membros, que neste momento ainda carecem de financiamento para começar a cultivar em Dzonguene, onde por sinal já desenvolvem também a pecuária.

Entretanto, Alcinda Abreu disse que a intrusão salina não só abrange o bairro da Costa do Sol, estando também a registar-se no distrito de Marracuene, província do Maputo, e o distrito de Xai-Xai, onde o problema afecta sobremaneira a actividade agrícola.

Segundo a fonte, em Marracuene, agricultoras filiadas a organização União Geral das Cooperativas chegaram a desenhar e montar um dístico em que se afirmam como sendo “mulheres vítimas de mudanças climáticas”.

Em Xai-Xai, chegou a haver iniciativas destinadas a tentar travar a penetração da água salgada para o continente.

Apesar da ausência de um plano de adaptação ou mitigação dos efeitos da intrusão salina, a ministra saudou a iniciativa dos agricultores da Costa do Sol em procurar alternativas de sobrevivência noutros pontos do país.

“Quando eles se dirigem a outros pontos do país, podem requerer a terra para continuar a praticar a agricultura. Mas também eles podem aproximar-se do nosso Fundo do Ambiente e lá podem ter assistência e ver-se o que se pode fazer”, disse.
ALTERNATIVAS EM CURSO




Apesar da falta de um plano ligado a intrusão salina, a ministra para a Coordenação da Acção Ambiental disse haver vários projectos em curso no país ligados a acções de adaptação e mitigação dos efeitos de mudanças climáticas.

Aliás, a intrusão salina não é o único problema ambiental de Moçambique, uma vez que o país é também assolado pela desertificação, degradação dos solos, poluição das águas, secas prolongadas, cheias, entre outros desastres naturais.

Segundo a governante, a maioria dos projectos de adaptação as mudanças climáticas está a ser implementada em Gaza, província mais afectada por desertificação e secas prolongadas.

Estes projectos, na sua maioria ainda na fase piloto, estão ligados a desertificação, seca, e degradação costeira, abrangendo diversos pontos da província incluindo os distritos de Chicualacuala e Guijá.

“Estamos agora a desenhar um programa de resiliência com o apoio do Banco Mundial e do DFID (Departamento Britânico para o Desenvolvimento Internacional) que cobre várias áreas”, disse.

A ministra disse que a implementação destes programas envolve o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), devido a relação entre as questões de adaptação e a gestão de risco e reassentamento das populações residentes em zonas propensas a secas e inundações.

Particularmente na área da agricultura, há projectos já em curso em Chicualacuala, norte da província de Gaza, destinados a fazer face a seca.

Financiados pelo DFID, estes projectos incluem a criação de represas, promoção de culturas alternativas a seca (como horticulturas), criação de jardins, entre outros.

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