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Centros culturais longe dos seus desígnios

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A cultura  para afirmação e formação da identidade de uma nação, daí que a criação de políticas claras e eficientes com vista à sua regulamentação é indispensável. E para o caso do nosso país, o governo define a cultura como instrumento de formação patriótica e de exaltação da identidade moçambicana.

Dada a sua importância, há necessidade de se apostar também no melhoramento e na construção de novas infra-estruturas, visando a promoção e consolidação da prática de diversas disciplinas culturais ao nível da cidade da Matola. Esta ideia é compartilhada por diferentes fazedores da cultura, na cidade da Matola, numa altura em que várias casas viradas para o desenvolvimento de diversas disciplinas culturais, encontram-se neste momento em estado avançado de degradação. O Cine-Machava está em constante degradação e ao Deus dará.

Jorge Objana, encenador do grupo teatral “Ntshole”, disse que a falta de casas viradas à promoção do teatro no Município da Matola concorre de certa forma para o seu esquecimento.

“Antes tínhamos à nossa disponibilidade o Cine Machava, onde para além de divertirmo-nos com o melhor do cinema, ‘curtíamos’ o melhor do teatro. Nessa altura, contávamos com a exibição do grupo teatral “Mbilu”. Hoje, infelizmente, o Cine-Machava está fechado. Primeiro foi alugada à Igreja Universal do Reino de Deus, depois ficou abandonado, hoje está assim como está, portas fechadas, sem iluminação e em estado avançado de degradação”, lamentou Objana.

Para além da degradação do Cine-Machava, Objana fez menção à degradação da Casa da Cultura do bairro do Infulene.

A Casa da Cultura do bairro do Infulene, tal como fez saber Objana, desempenhou um papel preponderante na massificação das artes e cultura naquele bairro.

“Temos exemplo de vários artistas que saíram da casa da cultura do bairro do infulene e que hoje expõem as suas obras em diversas galerias do país, até ao nível internacional. Mas, infelizmentem, hoje está tudo parado, já não se faz arte no Infulene, o centro foi ocupado por uma associação de transportadores e um partido político”, disse Objana.

Neste momento, segundo Objana, resta apenas o recém reabilitado Auditório Municipal da Matola, que “tem vindo a colher muito mais espectáculos musicais do que exibições culturais. É certo que tem havido exibições, mas isso não basta, é preciso que as estruturas financiem estes grupos emergentes. Tem que haver um financiamento acompanhado por um trabalho de marketing de base”.

Para Aleixo Mahocha, promotor de espectáculos, é preciso que as instituições competentes, concretamente o Governo através do recém instituído Ministério da Cultura, criem condições por forma a revitalizar a prática não só do teatro, mas também doutras disciplinas culturais.

“É preciso que se crie condições e políticas claras tendentes à revitalização da prática e desenvolvimento destas disciplinas culturais, nomeadamente a dança, artesanato, pintura, escultura e teatro, dada a sua importância na afirmação da nossa identidade. É claro que existem barreiras financeiras, mas creio que no dia em que o Governo decidir mudar o actual cenário, isso vai acontecer”, frisou o nosso entrevistado.

Autoridades reagem

Entretanto, o director provincial adjunto da Educação e Cultura na província de Maputo, Faustino Nativo, legitimou as reclamações apontadas pelos fazedores da cultura naquela província, para de seguida avançar que, “na verdade não temos casas viradas à promoção das artes na Matola, exceptuando o Auditório Municipal da Matola que infelizmente é muito mal usado e está numa gestão privada”.

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