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Até amanhã poeta

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“Até amanhã poeta”, é assim como Nuno Júdice assina o prefácio de “Antologia Poética – Nudos”, de Eduardo White, a ser lançada amanhã, em Portugal pela, Alcance Editores. Júdice ajuda-nos a compreender a construção artística de um dos mais interessantes poetas moçambicanos. Começa por nos situar: “Uma antologia é sempre uma viagem: uma viagem pelo território de um poeta, em que cada livro é um porto, cada época uma estação diferente, com as suas mudanças de cenário, de temperatura e de clima.” Escreve Júdice, antes de nos levar para a ideia de Fernando Pessoa em relação à viagem, como forma de nos elucidar sobre esse conceito em relação a White.

“Pessoa dizia, acerca de viajar, que era ‘perder países’. e poderíamos dizer, sobre essa viagem pela obra de um autor, que, ao fazê-la, muitas vezes se perdem não países, mas livros – mas ganha-se uma perspectiva e uma visão desse continente literário que nos dá outra latitude de aproximação daquilo que constitui a sua originalidade e a sua diferença.”

Assim como na “Antologia Poética – Nudos”, faz-se uma revisita à criação de White, recuando para 1984, quando inicia a sua aventura literária, com o inquietante desejo de “Amar Sobre o Índico”. Aqui – como escreve Júdice – surgem duas constantes que são “o amor e o espaço”.

O espaço pode não ser uma constante na criação de White, mas o amor é um tema recorrente não apenas no “Amar Sobre O Índico”, do mesmo jeito que “o feminino” surge com toda a relevância. E Nuno Júdice parece descrever melhor essa criação. “... esta ligação concretiza-se na ideia do amor como a grande viagem no oceano que é o corpo feminino, associado ao Índico, e apresentado como o ‘adubo’ de uma inspiração que ganha o seu impulso nesta dinâmica genesíaca.”

Mais do que olhar para a obra de White, Júdice faz uma interpretação dela, construindo uma ponte de um a outro. Diz, por exemplo, que ao dar início “ao seu percurso”, o poeta fá-lo interrogando a si, assim como ao leitor – “por que o amor em meus poemas sempre? –, e depois encontra uma longa resposta em “O País de Mim”, de 1989.

Júdice parece representar melhor o conceito de ”viagem” referida anteriormente, para o qual foi buscar uma explicação em Fernando Pessoa. É assim que vai buscar uma comparação entre a mulher e a terra, como também se pode encontrar no “Homoíne”, também de 1989. “Por isso, a mulher tem o corpo da terra, para que se possa regenerar e alimentar a vitalidade que liberta o homem da ‘condição de mortos’ e dessa morte que ‘respira, sinto-a, imperecível, dentro de nós”.

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