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Perfume artístico à “modascavalo”

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A capital Maputo testemunhou, na noite de sexta-feira, a abertura da IV edição do festival de música ligeira moçambicana – Marrabenta Moçambique. Trata-se de uma tertúlia anual que cobre as cidades de Maputo, Matola e Xai-Xai. Portanto, na presente edição, a produção envolveu jovens de diferentes estilos musicais no sentido de incentivar passagem de testemunho entre as gerações da velha e nova guarda. Ficam assim encerrados os discursos de conflito de gerações a nível da arte musical , pois vimos Victor Bernardo a partilhar o palco com Azagaia e Iveth ao lado do velho Xidiminguana. Diga-se de passagem que é possível estes ritmos fluírem entre si, na medida em que a moldura humana, que acorreu em massa ao Centro Cultural Franco Moçambicano presenciou a fusão e vibrou de emoção.

O show arrancou por volta das 20h30 sem sobressaltos e ao sabor da dócil voz de Rosa Langa – mestre de cerimónia – que convidou para abertura oficial do festival a banda militar que, por sua vez, interpretou alguns temas de domínio público.

Na mesma esteira, saltou para o palco o “velho-jovem” Dilon Ndjindji, com a sua “Leopoldina”, arrancando do público presente aplausos e assobios. Sempre igual a si mesmo, Dilon emprestou o seu talento artístico na companhia da sua banda.

Não tardou para Xidiminguana agarrar a sua guitarra e tocar “ni tendere mamana”, o que fez com que o antigo Chefe de Estado moçambicano, Joaquim Chissano não poupasse os seus passos para marrabentar. Chissano dançou ao lado de Xidiminguana, provocando agitação por parte dos presentes. Aliás, Chissano e Malangatana são duas figuras que quando não aguentam com um ritmo põem-se a dançar. Muitos registos de imagem testemunham Chissano e Malangatana a vibrarem com Zaida Hlongo.

Despois de exibir os seus dotes nos passos de dança, Chissano não poupou o verbo para exibir o seu acervo de música. “Tenho na minha prateleira discos de Xidiminguana, do rei Fanny Mpfumo, do Dilon Ndjindji, só para citar alguns”, disse Chissano para depois acrescentar que “sou admirador incondicional da Marrabenta”. Iveth vestiu-se de capulana para “rapper” com Xidiminguana. Foi um momento ímpar na carreira da jovem artista e histórico para o cantor de “Delefina ni kombela rivhalelo”. Xidiminguana retirou-se do palco, depois de tocar dois números com a jovem, sendo que Iveth, posteriormente convidou Juthy para fazer coros.

Hortêncio Langa passeou a classe ao seu estilo característico. Vibrou-se ao ritmo clássico da música moçambicana. O público exigiu do artista “A lirandzo”, na hora em que este ia se despedir.

Muitos outros músicos como Costa Neto, Wazimbo, Victor Bernardo, Cheny, Azagaia, Neyma espalharam perfume artístico da sua arte. Quando eram 23h45, Wazimbo encerrou o festival com números novos, na companhia da banda RM.

Já no sábado, a caravana da Marrabenta seguiu para o Jardim Municipal da Matola para um espectáculo musical acústico, com entradas livres. O evento arrancou às 15h00 e contou com a prestação do professor Orlando, Ximanganine e amigos, acompanhados pela Banda Nanando. A perspectiva era partir do jazz até roçar os clássicos da Marrabenta. Ainda na senda do festival, o Centro Cultural Municipal Ntsindza acolheu ontem, às 15h30 um debate subordinado ao tema “Passado, Presente e Futuro da Marrabenta”. Os intervenientes foram produtores, músicos e bailarinos e ao sabor da Orquestra Djambo, o jovem Simba marrabentou-se.

No próximo dia 2 de Fevereiro haverá um comboio que partirá da Estação Central dos Caminhos de Ferro de Moçambique, às 13h00, rumo ao distrito de Marracuene, província de Maputo para um espectáculo naquela vila, em celebração ao Gwaza Muthine. Para o show foram convidados os artistas Joana Coana, Victor Bernardo, Narciso Macuácua, Alberto Mutheca, Dilon Ndjindji, Xidiminguana, António Marcos, Cecília Nguenha, Ilda Fumo, Albino Nguenha, DJ Ardiles, Tinito e ainda as bandas Mumemo e a Orquestra Djambo. Já no dia 3 de Fevereiro, dia dos Heróis Nacionais, o Centro Cultural de Matalana vai acolher um show, no qual irão estar presentes os músicos Chico António, Xidiminguana, Orlando da Conceição, António Marcos, Elvira Viegas, Alberto Mutheca, Dilon Ndjindji, Cecília Nguenha, entre outros. O tema escolhido para o espectáculo do Centro Cultural de Matalana é “Acústico-Marrabenta “Cantar Nguenha”.

Os distritos de Chibuto e Chókwè, na província de Gaza, vão acolher espectáculos e workshops que terão lugar na Praça Ngungunhana e na Estação dos Caminhos de Ferro, designados “Entretenimento Saudável”, no qual participarão bandas musicais, profissionais de música e os pioneiros desta vertente musical. Na presente edição do festival marrabenta foi criado um espaço para que artistas consagrados e pioneiros da Marrabenta dialoguem, tanto musicalmente como através de debates, com os mais jovens.

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