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O “Lobolo” em Ouagadougou

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Dois filmes de realizadores moçambicanos serão exibidos na 22ª edição do Festival Panafricano de Filme e TV, a ter lugar no próximo mês, em Burquina Faso. Trata-se de “Dina”, escrito e realizado por Mickey Fonseca e “Lobolo”, escrito por Emídio Josine e realizado por Michele Mathison. O festival terá lugar de 26 de Fevereiro a 5 de Março sob lema “Cinema Africano e o mercado”.

Michael Ouedraogo, delegado do Festical Panafricano de Filme e Tv de Ouagadougou (FESPACO), diz que estes dois filmes fazem parte da lista dos concorrentes oficiais da competição, nas categorias de Tv e Vídeo de ficção.

Os filmes foram produzidos pela Mahla Filmes Lda e fazem parte de um projecto da N’weti.

“Dina” conta a história de uma menina que engravida aos 14 anos. Nesta confusão, Fauzia compreende que a violência de Remane, seu esposo, atingiu novos limites.

Com a mãe hospitalizada depois de uma terrível cena de violência física, Dina convence-a a denunciar Remane à Polícia. No tribunal, Fauzia enfrenta Remane pela última vez. O filme conta com um elenco de cerca de oito actores, onde Dina é interpretado por Nelsia Laquine, Fauzia por Esperança Naiene e Remane por Tomás Bié.

Historicamente, Burquina Faso, segundo um interessante artigo do costa-marfinense Mahomed Bamba, publicado no www.buala.org com o título “Papel dos festivais na recepção e divulgação dos cinemas africanos”, é um caso atípico nas cinematografias dos países africanos sub-saharianos.

É o único país que mantém um esforço constante para sustentar e viabilizar a actividade cinematográfica. No antigo Alto-Volta, hoje chamado Burquina Faso, o governo cria, a partir de 1961, um ano após a independência, um sector dedicado exclusivamente ao cinema dentro do Ministério da Comunicação.

Em Agosto de 1960, realizou-se o primeiro cinejornal do país, “À minuit l´indépendance” (À meia-noite a independência). Como o nome indica, esse filme registava de forma documental as cerimónias que precederam a proclamação da independência do país.

Mais tarde, este primeiro sector cinematográfico estatal em Burquina Faso seria responsável por toda a gestão do cinema no país, notadamente, com a produção de filmes essencialmente educativos e de divulgação agrícola e sanitária junto à população rural. Mesmo com estrutura de produção precária e com poucos técnicos, o Burquina Faso já havia realizado 26 filmes em dez anos de independência. A maioria desses filmes comprendia curta-metragens (30 a 40 minutos): sete documentários de “interesse nacional” e 19 filmes pedagógicos.

Nos anos 80, com a chegada de um militar no poder e a instauração de uma revolução cultural, os esforços do governo de Burquina Faso com o seu cinema tomam, muitas vezes, dimensões ideológicas mais profundas. Com o governo revolucionário instaurado pelo presidente-militar Thomas Sankara, o cinema nacional, e juntamente com ele, o FESPACO, passou a ter maior ressonância, pois correspondia aos anseios políticos e ideológicos do momento, isto é, uma forma de resistência àquilo que se considerava ainda como resquícios do colonialismo e do imperialismo ocidental francês na África, mas também um modelo de integração cultural dos povos africanos.

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