Escrito por Jornal o Pais Quinta, 13 Janeiro 2011 08:44

As obras de construção do sepulcro terminam hoje com a colocação de mármore.
O corpo de Malangatana Valente Ngwenya, perecido na madrugada de 5 de Janeiro deste ano, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, arredores da cidade do Porto (Portugal), já não será sepultado no cemitério familiar e ao lado do seu pai, mãe e madrasta, conforme se veiculou logo a seguir à morte. A sua campa está a ser construída à frente da zona onde será erguida a futura Fundação Malangatana Valente Ngwenya, cujo lançamento da primeira pedra foi realizado pelo Chefe do Estado moçambicano, Armando Guebuza, em 2006.
O “O País” soube ontem de fontes familiares que o mestre Malangatana escolheu, em vida, ser sepultado ao lado da sua fundação. Contudo, esta informação ficou escondida à sua própria família, daí que se aventava a possibilidade de o finado ser enterrado no cemitério familiar.
Um membro da família, que preferiu falar em anonimato, avançou ainda que a notícia de que Malangatana devia ser enterrado na sua fundação foi revelada por Maxine Mário Malangatana Ngwenya, filho primogénito do pintor.
Preparativos da cerimónia
As obras de construção do sepulcro onde deverá repousar o pintor-mor estão a decorrer a um bom ritmo. Ontem, até ao fim do dia, estava concluída a construção da estrutura de base e de degraus, uma vez que a urna será depositada mais ou menos a quatro degraus em cima da base do sepulcro.
De modo a garantir a conclusão atempada da obra, os trabalhos decorreram até à noite de ontem. E, por isso, a Electricidade de Moçambique foi chamada a montar um sistema de iluminação, para permitir que a construtora encarregue das obras trabalhasse sem obstáculos.
Entretanto, o dia de ontem foi ligeiramente marcado por chuvas em Matalana. Este facto, a prolongar-se até hoje, poderá comprometer os trabalhos e a secura do betume.
PRM preparada!
Uma equipa composta por cerca de 30 agentes da lei e ordem escalou o local durante o período da manhã e parte da tarde de ontem, para instalar o sistema de segurança pública. A ideia é permitir a ordem e tranquilidade públicas durante a cerimónia do velório familiar, hoje, a partir das 09h00, e da cerimónia do Estado, que tem lugar amanhã. O aspecto de segurança ganha maior corpo dada a presença, sexta-feira, em Matalana, do Chefe do Estado, sua esposa e membros do Governo.
Segundo Samuel Faduco, director da Ordem na província de Maputo, que ontem escalou o local, “tudo está a postos para garantir a segurança e tranquilidade públicas”. Entretanto, Faduco escusou-se a avançar o número dos agentes da PRM, que estarão em serviço em Matalana.
Taxas reduzidas para passageiros de Marracuene
Num encontro mantido terça-feira última entre o Governo distrital de Marracuene e os transportadores semi-colectivos do distrito, os últimos assumiram o compromisso de praticarem uma tarifa reduzida como forma de permitir que muitas pessoas possam ir a Matalana, para o último adeus ao mestre. Aliás, conforme referiu a administradora distrital, Maria Vicente, alguns transportadores aceitam, inclusive, mudar de rotas normais para transportar passageiros, para a terra natal de Malangatana, hoje e amanhã. A medida visa colmatar a escassez de meios de transporte.
Estrada melhorada
A estrada que dá acesso a Matalana, a partir da EN1, é arenosa e de difícil transitabilidade para viaturas sem tracção às quatro rodas. Desta feita, a estrada foi melhorada para garantir que mesmo viaturas sem tracção possam chegar sem grandes dificuldades. Neste momento, a estrada encontra-se terraplenada. A cerimónia de Estado vai decorrer no Centro Cultural de Matalana e dirigida pelo Chefe do Estado, Armando Guebuza. O pódio e os convidados estarão num estádio construído por Malangatana, ainda em vida. O mesmo estádio tem bancadas para acolher mais de 1000 pessoas. Assim, está tudo a postos para que amanhã, o pintor, músico, dançarino, poeta e político descanse em paz na terra que o viu nascer, Matalana!
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