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Nação curva-se perante o “valente” Malangatana

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Assinatura do livro de condolências, cantares, poemas e outras formas de expressão artística marcaram as primeiras homenagens a Malangatana durante o dia de ontem, na capital do país. Hoje, o corpo do mestre segue para Matalana, onde vai aguardar o funeral de Estado marcado para amanhã.

Desembarcou na manhã de ontem, a urna contendo os restos mortais do mestre Malangatana Valente Ngwenha, ícone das artes plásticas e humanista, que espalhou as suas qualidades por onde passou.

Após a chegada da urna no Aeroporto Internacional de Mavalane, vindo de Portugal, amigos, familiares, artistas e membros do governo prestaram as primeiras homenagens a Malangatana, quer com danças e cantares, quer com poemas e outras formas de expressão artística.

A casa museu do ícone das artes plásticas foi o local escolhido pela família para uma cerimónia restrita, que contou com a presença de vizinhos e amigos.

Ainda ontem, o corpo seguiu para o Paços do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, onde o artista foi homenageado publicamente.

No Conselho Municipal de Maputo, onde amigos, admiradores e nomes sonantes da vida política, desportiva e empresarial, marcaram presença em peso, prestando o seu último adeus ao pintor, os presentes assinaram o livro de condolências, depositaram flores e prestaram homenagem e cumprimentaram a família directa.

Graça Machel (viúva de Samora Machel), David Simango (edil de Maputo), Mário Machungo (PCA do Millennium bim), Luís Cabaço (reitor da UDM), Joaquim Madeira (juiz conselheiro do Tribuinal Supremo), Fernando Sumbana (ministro do Turismo), Luís Mondlane (presidente do Conselho Constitucional), Marcelino dos Santos (membro sénior do partido Frelimo), Feizal Sidat (presidente da Federação Moçambicana de Futebol), Lina Magaia (antiga combatente e companheira de prisão de Malangatana), Victor Sousa (artista plástico), José Mucavele (músico), Naguib (pintor), Fernando Mazanga (porta-voz da Renamo), Manuel Tomé (membro sénior do partido Frelimo), António Muchanga (membro do Conselho do Estado), entre outras personalidades marcaram personalidade.

De forma unânime, estas figuras enalteceram a figura de Malangatana, cujas obras apresentam uma visão ousada da vida, com uma ligação entre plantas, homens e animais. “Malangatana foi muito mais do que um artista, foi alguém que demonstrou que existe uma linguagem universal, a linguagem da arte, que permite transmitir uma mensagem de paz”, sintetizaram.

Na manhã de hoje, o cortejo fúnebre segue para Matalana, distrito de Marracuene, província de Maputo. Em Matalana, terra natal do mestre, está programada uma cerimónia pública, na qual estão previstas várias actividades de homenagem e reconhecimento à sua figura.

Restos mortais vão a enterrar amanhã

Amanhã, sexta-feira, será realizado o enterro, com honras de Estado e com a presença do Presidente de Moçambique, Armando Guebuza.

As cerimónias fúnebres terão início às 10h00. O funeral terá dois momentos, sendo o primeiro no anfiteatro do Centro Cultural de Matalana, e o segundo no local onde irão repousar os restos mortais.

Em Portugal, o pintor foi homenageado no Porto, no dia 6, na Fundação Portugal-África tendo, no dia seguinte, sido trasladado para Lisboa, onde foi velado no Mosteiro dos Jerónimos.

No antigo refeitório dos frades Jerónimos, decorreu uma sessão oficial em que a ministra da Cultura de Portugal, Gabriela Canavilhas, sublinhou o contributo artístico e como cidadão de Malangatana.

“Malangatana Valente é um ícone moçambicano das artes plásticas, mas também Portugal reconhece o carácter emblemático da sua obra”, disse a ministra que referiu ser “um modelo de cidadania activa, mas pacificadora”.

Malangatana fez do português a língua da sua criação artística, salientou o embaixador de Moçambique em Portugal, Miguel Costa Mkaima, que veio a Maputo, acompanhando a urna deste expoente máximo das artes plásticas, que perdeu a vida aos 74 anos, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, vítima de doença.

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