Escrito por Jornal o Pais Quarta, 12 Janeiro 2011 07:28
O corpo de Malangatana chega hoje a Maputo. Na capital do país, concretamente na sua residência, o artista será velado antes de ser levado ao Palácio do Conselho Municipal e, de lá, seguirá para Matalana, terra que o viu nascer e onde será sepultado.
No entanto, ontem, artistas das diversas associações culturais do bairro do Aeroporto, na cidade de Maputo, juntaram-se para o homenagear.
O acto teve lugar na Escola Nacional de Artes Visuais e contou com a presença de vários membros das associações culturais daquele bairro, com destaque para Associação Batiqueiros, Associação Cultural do Bairro do Aeroporto, Associação Cultural Tlavana e do grupo Cultural de Dança do Bairro do Aeroporto.
Na ocasião, o coordenador cultural do bairro do Aeroporto, Crimildo Magaia, reconheceu os feitos do artista Malangatana para, de seguida, avançar que o bairro que representa fará de tudo por forma a imortalizar as obras do artista-mor.
“Trata-se de uma homenagem merecida, tendo em conta o seu contributo na divulgação da cultura moçambicana no mundo fora. Perdemos Malangatana, mas as suas obras ficarão para sempre expostas nas diversas galerias nacionais e internacionais”, disse Magaia.
Ainda na cerimónia em alusão, foram apresentadas duas obras de pintura e que deverão ser entregues, hoje, à família do pintor, em Matalana.
“Vamos entregar esta obras, hoje, aos familiares do nosso mestre. São obras que resumem o seu percurso. Trouxemos quase todos os momentos que marcaram a vida dele”, disse Ernesto Tembe, artista plástico.
Participaram nesta cerimónia, para além dos membros das associações culturais do bairro do Aeroporto, diversas figuras que cresceram ao lado do artista.
Vozes que falaram de fora
Os restos mortais do pintor permaneceram, durante seis dias, em Portugal, onde foi alvo de homenagens.
O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, dirigiu uma mensagem à família de Malangatana, na qual expressa “condolências” pela morte. Chama o pintor “artista de excepção, (...) pelo seu papel cívico na luta pela democracia e pela melhoria das condições de vida do povo moçambicano”, e “uma figura marcante do encontro de culturas secular entre Portugal e África, que ficará na memória e no coração de todos os que acompanharam o percurso deste amigo de Portugal e dos portugueses”.
O secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Domingos Simões Pereira, expressou-se à Lusa, afirmando ser “uma grande perda para o mundo”. Segundo afirmou, Malangatana ultrapassou as fronteiras de Moçambique e de África. “Esta perda é irreparável”. Pereira sublinhou ainda que o pintor era uma das pessoas “mais carismáticas” de Moçambique que, “rapidamente, se transformou numa verdadeira lenda viva. (...) era senhor de uma grande dimensão humana”.
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