"Swilo Swa Missava" Legado às boas práticas



Escrito por Jornal Noticias
Quarta, 08 Dezembro 2010 08:39

“SWILO swa missava” (Coisas da terra, na tradução literal) não é apenas título de uma música.É um legado que Amélia Moiana, ou simplesmente, Vovó Amélia como era carinhosamente tratada, quis deixar para a sociedade moçambicana. Não satisfeita com os resultados do seu primeiro trabalho discográfico editado em 2006, voltou nos últimos quatro meses da sua vida pegar no mesmo trabalho para um novo disco editado e lançado com o mesmo título na passada sexta-feira, 3 de Dezembro corrente.
“Swilo swa missava” canção registada pela primeira vez em fita magnética nos estúdios da Rádio Moçambique (RM), em 1997, é um hino ao amor, ao convívio, à harmonia e à compaixão entre os homens. A par de “A mintiro ya mhuno”, é uma lição de moral que vovó Amélia quis deixar como legado, criticando a ganância, a mesquinhez, a intolerância, a falta de entendimento, apelando sim às boas práticas, porque essas é que determinam e marcam a vida e a passagem do homem pela terra.
Aliás, fazendo jus ao sentido destas duas canções, a festa do lançamento póstumo do segundo disco da vovó Amélia, realizada ao principio da noite da última sexta-feira, no Estúdio Auditório da Rádio Moçambique, em Maputo, começou com “A mintiro ya mhuno”, numa auspiciosa interpretação do jovem Naldo Ngoca e terminou em apoteose com “Swilo swa missava”, já na voz da categorizada Sizaquel.
A edição póstuma de “Swilo swa missava”, sob chancela da produtora “Diamante”, é a realização de um sonho que vovó Amélia perseguiu ao longo de toda a sua vida. Não teve a oportunidade de testemunhar (faleceu a 9 de Outubro de 2009), mas conforme a família, este novo disco é o grande legado.
O lançamento do novo e mais completo (em termos de execução instrumental e vocal) “swilo swa missava”, foi marcado pela participação em palco de uma das filhas, a Elsa que interpretou dois temas, nomeadamente “Loko hosi yesu” e “I pswa yine”.
Elsa não só encarnou a voz da sua mãe em palco, como também participou da gravação do disco, completando as músicas que vovó Amélia não pode interpretar.
Na sua belissima actuação, Elsa lamentou a dado momento, não ter acreditado em sua mãe que um dia podia subir ao palco e cantar para um público diferente de que estava habituado (igreja). Infelizmente fê-lo já sem a sua mãe e foi por ela.
No espectáculo de lançamento do disco ainda participaram o maestro Cadinho (Ricardo Cândido), Cidinha, Inocêncio Matola e Amigos, acompanhados pelos instrumentistas Raimundo (teclado), Jimmy Gwaza (guitarra), Sacres (viola baixo) e Zito (bateria).
A festa do lançamento foi aberta pelos grupos corais “Xihanhanomo e Majahana.
AMÉLIA MOIANA
Descoberta para o grande público por Eldorado Dabula, no programa “Keti-Keti” da Rádio Clube (actual Rádio Moçambique) lá para década de 60.
Mas antes de aparecer naquele programa Amélia Moaina, contou numa das conversas, que começou a cantar ainda em tenra idade, por influência do pai que foi maestro da Igreja Missão Suíça, actual Igreja Presbiteriana de Moçambique e da mãe. “Minha mãe também tinha uma voz linda, mais linda que a minha”, dizia sempre Amélia Moiana.
Eldorado Dabula catapultou Amélia Moiana para o grupo Djambo.
Antes de começar a cantar para grandes públicos, em particular no Centro Associativo dos Negros, hoje “Ntsindza”, no bairro do Xipamanine. Amélia Moiana foi maestrina de um dos corais da Igreja Presbiteriana de Moçambique.
Com “Swilo swa missava" participou em 1997, na final do “Top Feminino” parada de música feita por mulheres, organizada pela Rádio Moçambique.
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