Quarta, 23 Maio 2012 English Chinese (Simplified) Finnish French German Italian Portuguese Russian Spanish Login

Legislação Moçambicana & Documentos

Pesquisar neste portal

Login

 
• Esqueceu Password - Nome de utilizadorCriar nova conta

sales@euroasiatrucks.com

Japanese Car Exporter

Home Noticias Arte & Cultura TEATRO - O teatro está moribundo em Gaza

TEATRO - O teatro está moribundo em Gaza

PDFVersão para impressãoEnviar por E-mail

A falta de apoios financeiros e de infra-estruturas para o acolhimento de sessões teatrais está a preocupar, em grande medida, os fazedores e amantes do teatro em Gaza. Recentemente houve, em Gaza, a apresentação de uma peça teatral do Grupo Teatral Gungu, que se deslocou de Maputo para uma exibição na cidade de Xai-Xai. E a presença do grupo não só serviu para se mostrar bom teatro como também foi uma oportunidade para os actores fazerem uma análise crítica e fria da condição a que se encontram votados em Gaza. O ambiente de apreensão que se vive, segundo apuramos, resulta de uma certa nostalgia dos tempos áureos vividos naquela província, particularmente nos finais da década 1980, em que a actividade teatral atingiu o seu ponto mais alto, graças, dizem os actores, à dinâmica então imprimida tanto pelos actores, como pelas autoridades que tutelam o sector que são a Educação e Cultura. Estas entidades tinham no teatro o espelho das realizações culturais em Gaza, ao mesmo tempo que ele era uma das actividades culturais mais praticadas nos estabelecimentos do ensino primários e secundários. Mas, hoje vê-se que o teatro não perdeu terreno em favor de nenhuma outra expressão cultural, porque a Educação e Cultura não estão a apoiar nenhuma actividade, apenas deixando que todas elas se tornem moribundas.

Os actores falam do período em que Gaza que orgulhava de ter grupos teatrais notáveis como são os casos de “Ko Sala Nós”, Associação Cultural da Casa Velha, “Txongola”, “Ndzongo”, só para citar alguns nomes.

As nossas fontes dizem que esse foi um período único para o movimento cultural e, particularmente, para a afirmação do teatro enquanto instrumento de intervenção social e cultural inquestionável.

“Onde foram parar estes grupos”, questionam-se, sem, no entanto, vislumbrar uma resposta que seja convincente.

Dizem-nos ainda os actores que, não obstante na altura o perigo sempre eminente nas rodovias, devido ao conflito armado civil terminado em 1992, o intercâmbio na área do teatro entre os diversos grupos a província de Gaza e outros de Maputo era uma constante, o que, sem dúvidas, ajudou a impulsionar uma maior qualidade e dinâmica nos grupos teatrais que actuavam na província.

Para o encenador e líder do Grupo Teatral Txongola, Armando Machava, o teatro sobrevive hoje, graças ao amor que os seus praticantes ainda nutrem por ele, pois, segundo ele, não pode haver moral e nem entusiasmo enquanto a comunidade empresarial de Gaza e os gestores das áreas da educação e da cultura continuarem indiferentes a este movimento cultural.

“Infelizmente a classe empresarial local está totalmente alheia ao teatro. Mais grave ainda é que as grandes empresas aqui baseadas como são os casos das operadoras de telefonia móvel, instituições bancárias, entre outras entidades intervenientes na economia de Gaza, nada fazem em prol do desenvolvimento da cultura, e do teatro em particular”, lamentou Machava.

O que mais dói, segundo o director do Txongola, é o facto de os empresários e as autoridades locais não estarem a fazer nada em prol do movimento cultural da província, o que só vem demonstrar a falta de cultura geral e de compreensão da importância que a cultura tem para o desenvolvimento duma sociedade.

A nossa fonte disse, entretanto, que nem tudo está mal no que concerne ao movimento teatral em Gaza, tendo destacado o aparecimento e as intervenções de vulto protagonizadas pela Casa Provincial de Cultura e do Espaço Xigovia.

Yolanda Butana, actriz do grupo Gungu, entrevistada pelo “Noticias”, sobre a participação do público de Xai-Xai quanto à sua adesão para assistir às obras no Xigovia, disse que aquela sessão teatral superou as expectativas, o que demonstra uma clara avidez dos gazenses em querer ter actividades culturais, sobretudo teatrais.

Falou da necessidade de existirem eventos que possam servir de forja de talentos no campo do teatro e que depois possam replicar os seus conhecimentos por outros grupos que estão não só na cidade de Xai-Xai, como também avançar para outros distritos.

Reconhece, no entanto, que sem incentivos financeiros nada pode ser realizado, daí a importância de parcerias entre a classe empresarial, as autoridades que tutelam as artes e cultura e ainda os próprios grupos de teatro ou promotores culturais.

“É importante encetar esforços para pressionar as autoridades da Educação e Cultura e outros parceiros no sentido de apoiarem o teatro, na mesma proporção que apoiam o desporto ou outros tipos de actividade”, disse, enaltecendo o gesto empreendedor dos gestores de Xigovia, que decidiram apostar em construir um espaço de promoção cultural.
Para ela, aquela é também uma forma de participação sócio-económica no país.


SITUAÇÃO PREOCUPANTE

Samuel Chacate, técnico afecto à Casa Provincial de Cultura, reconheceu a gravidade da situação dos grupos culturais em Gaza, tendo realçado que o teatro é quase inexistente.

Para ele, é inconcebível que instalações como a Casa Velha, que em tempos foi uma verdadeira catedral das artes, e do teatro em especial, estejam hoje nas mãos de privados a desenvolverem actividades que nada tem a ver com a cultura, numa altura em que a província ainda não dispõe de um único cine-teatro.

Segundo a nossa fonte, é necessário que se comece a pensar, seriamente, no teatro como parte integrante da indústria cultural, o que, concorre para que se comece a pensar também nas infra-estruturas.

“Entendo que estamos perante um problema estrutural e só poderemos colher frutos oriundos do teatro se alguns pressupostos forem materializados, e um local para os grupos se exibirem é o mínimo que pode se exigir”, disse Chacate.

Ele garantiu que continuarão a trabalhar arduamente com todos os actores envolvidos no processo para que nos próximos tempos se alavanque o movimento cultural em Gaza, particularmente o teatro. O primeiro passo que se deu, disse, foi a criação da Casa Provincial de Cultura.

Comentar

NOTA SOBRE COMENTÁRIOS:
- Os comentários publicados no “site” são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores.
- Ao comentar declara que todos os conteúdos por si enviados não infringem direito de terceiros e assume ser o único e exclusivo responsável por eventual prejuízo causado a terceiros.
- O conteúdos dos comentários não exprimem de forma alguma a opinião do Zambézia Online e muito menos a manutenção de tais conteúdos no “site” poderá ser considerada como uma concordância do Zambézia Online com relação a tais conteúdos.


Código de segurança
Actualizar

Economia & Negócios

Recursos moçambicanos atraem empresas britânicas
“A interacção com empresários brit...
EUA lideram investimento estrangeiro em Moçambique
África do Sul, Maurícias e Portugal ...

Actualidade Nacional

Código de ética veda conflito de interesses
A Asembleia da República aprovou ontem...
“Giovanna” dissipa-se mas alerta mantém-se
O Ciclone “Giovanna”, que se encont...

Desporto

Mart Nooij afastado dos "Mambas"
  O TÉCNICO holandês Mart Nooij foi ...

Africa

UA reconhece CNT como Governo líbio
  A UNIÃO Africana (UA) reconheceu on...