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TEATRO - Queremos ser extensionistas teatrais- afirma Elliot Alex do Projecto Lareira

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Os estudiosos dizem que o grande teatro tem seus temas polarizados em aspectos particulares da natureza humana e no que aflige ou alegra os homens em geral. Não aborda temas que são momentâneos, não discute problemas sociais. Entretanto, em contraponto, existe o teatro pedagógico que se interessa pela discussão de problemas sociais contemporâneos, para os quais, procura despertar ou encontrar soluções. Encontrar soluções para os problemas das comunidades é o compromisso do projecto LAREIRA, uma iniciativa artístico cultural dirigido pelo actor Elliot Alex. O grupo, que se encontra já no Brasil a participar no Festival Internacional de Teatro Lusófono (FESTLUSO), entende que o teatro não é só informação, mas também formação, dai que coloca-se o desafio de, através do teatro, disseminar as mensagens necessárias para o desenvolvimento comunitário, intervindo nomeadamente nas áreas da saúde, educação, agricultura, entre outras de interesse social. Para melhor compreensão dos propósitos do grupo transcrevemos a seguir excertos significativos da conversa que mantivemos com Elliot Alex.

O que é, como surge e qual acha que vai ser a pertinência deste grupo: Lareira?

- O projecto Lareira é uma ideia que apareceu e está enquadrada na área artística e cultural e pretende dinamizar a acção artística e se envolver na componente multimédia.


Como surgiu o projecto?

- É uma ideia de dois actores, por sinal de dois grupos diferentes, que decidiram se juntar para fazer uma peça de teatro. Os actores são Sérgio Mabombo, que vem do grupo de teatro Mugachi, e Dias Santana, que é do Hopangalatana. A peça, “A Cavaqueira do Poste” foi escrita por Sérgio Mabombo e juntou-se ao Dias. Os dois procuraram um encenador que pudesse montar a obra. E a sorte calhou a mim, tendo a direcção artística. Quando fizemos a ante-estreia em Agosto, no âmbito do Festival Tunduru, nós usamos os nomes dos grupos de proveniência dos actores, daí termos chamado de co-produção do Mugachi e Hopangalatana.

Tendo começado desta co-produção como chegam à Lareira?

- Nós percebemos que este projecto tem pernas para andar e eu como director de produção da peça senti que estavam criadas condições para continuarmos a trabalhar. Assim, comecei a fazer contactos para exibições dentro e fora do país. Fiz os meus contactos pelo mundo fora e consegui que participássemos num festival internacional de teatro no Brasil, que é o FestLuso, o Festival de Teatro Lusófono. A perspectiva era levar o grupo, como co-produção, ao Brasil, mas os grupos de que fazem parte os actores punham como condição levar-se outras pessoas que não fossem os actores da peça. Isso criou um certo desconforto no seio do grupo, pois para além dos actores há uma equipa de produção que está por detrás da peça e que não faz parte de nenhum dos grupos. Quando isso aconteceu reuniram-se e acharam melhor seguir um outro caminho, evitando pressões. Foi quando se decidiu criar o grupo Lareira. O nome foi sugerido por Rosa Langa. E assim foi Lareira: produções artísticas.


Que objectivos e perspectivas têm?

- O projecto veio para ficar. Começamos agora com o teatro, mas queremos que haja uma componente multimédia.

A que componente multimédia se referem?

- Queremos que o nosso projecto tenha, para além do teatro, a produção de vídeos, de documentários; não sabemos ainda se iremos actuar na área de publicidade.


Portanto, há, para além do teatro, o cinema?

- Sim. Queremos também actuar no cinema.

Como é que acham que vão conseguir inserir-se neste mercado cultural. E qual é o vosso propósito?

- O grupo é composto por pessoas já experientes no panorama nacional e também já conhecidas no mercado cultural. Estou a falar, por exemplo, de mim, Elliot Alex, de Sérgio Mabombo, que, para além de actor é também jornalista, do Dias Santana, que é co-fundador de Hopangalatana, de Leo Mendes, que é um produtor cultural experimentado, de uma Rosa Langa, que é uma excelente jornalista e que assume o papel de assessora. Temos uma equipa constituída por pessoas que já estão no mercado e que sabem onde ir buscar as coisas, para além de que sabem como trabalhar.

Só isso vos dá garantia de sucesso?

- Isso não é suficiente. O que queremos é, futuramente, trabalhar não para concorrer, mas tentar criar uma outra visão, uma outra forma de estar no teatro.


Qual é essa forma?

- Nós faremos um teatro mais interventivo, interactivo e de alguma forma contemporâneo. Não vamos trabalhar clássicos e comédias como alguns grupos fazem, mas vamos trabalhar mais no teatro contemporâneo. E esta peça “A Cavaqueira do Poste” tem essa perspectiva contemporânea. Já fiz uma peça desta natureza com o Rogério Manjate, que foi “A Solidão dos Campos de Algodão”.

Qual é a razão das diferentes componentes?

- A nossa aposta é expandir o nosso raio de acção. Não queremos somente ficar no teatro, pois sabemos podemos acabar como os outros grupos, reclamando de falta de espaços para apresentar as obras, situação que nos pode tornar redundantes e monótonos. De quando em vez nós faremos uma peça de teatro, tal como agora fizemos. Vamos entrar mais na componente educativa, que é fazer teatro virado para o desenvolvimento.


Que tipo de teatro é?

- É um teatro não só de informação, mas também de formação comunitária. Nós vamos levar sempre uma componente teatral para a comunidade, mas não só para assistir. A comunidade vai assistir e vai sentir a necessidade de obter conhecimento naquilo que nós estamos a abordar em teatro, e a partir daí nós vamos dar formação. Queremos ser actores extensionistas. Queremos intervir na saúde, educação, agricultura, entre outras comunidades.

Qual é a diferença entre essa abordagem teatral e a clássica?

- Aqui o actor não é um simples intérprete do texto ou duma mensagem, mas sim um formador, um extensionista rural, urbano e em diferentes áreas.

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