TEATRO - Mombe: Drama do dia-a-dia da cidade de Pemba



Escrito por Jornal Noticias
Quinta, 18 Novembro 2010 06:53

Estreou-se, aplaudiu-se. Fez rir, delirar e agora ficaram as saudades! A questão é saber quando é que de novo o Tambo Tambulani Tambo, volta a apresentar a peça que acaba de nascer na periferia da cidade de Pemba, bairro Nanhimbe, onde se localiza o Centro Cultural daquela associação.
Quando naquela quinta-feira, 21 de Outubro, a peça foi levada aos palcos da Casa de Cultura da cidade de Pemba, ninguém percebeu como as crianças foram as primeiras a entender a mensagem transmitida e que na mesma sessão já iam cantando e interpretando com os actores do Tambo.
Na véspera haviam assistido ao ensaio da peça, Mombe - a cidade espera , uma produção da Associação cultural Tambo Tambulani Tambo, na sua vertente teatral, em parceria com o Theatre Embassy, da Holanda, que pretende trazer o dia-a-dia da cidade de Pemba, principalmente das suas mulheres na luta titânica pela vida, tendo no fim um lugar aonde todos os caminhos parecem ir dar para a maioria delas, o mercado de Mbanguia e outros, onde tudo se vende aos montinhos (Mombe, em língua local).
Dia seguinte, no mesmo local, o número de espectadores cresceu e Raul Juga, director do Instituto de Formação de Professores Alberto Chipande, na impossibilidade de improvisar uma actuação no seu estabelecimento, entendeu encher a casa da cultura de seus formandos, para que vissem como a sociedade estava a ser apresentada, por via da arte que nasceu na mesma cidade onde estava a ser exibida.
É uma história de um machimbombo que leva muitos passageiros, entre eles, muitas mulheres que vão fazer o seu dia habitual num mercado, que para o azar de todos, fica avariado, tendo como tripulantes um motorista de reconhecida inexperiência e um ajudante sempre embriagado.
As passageiras, ainda tentaram alguma resistência em abandonar o autocarro, quiseram que lhes fosse devolvido o dinheiro de passagem pago, mas acabaram caminhando a pé até ao mercado. Não se esqueceram, todavia, do problema que já era colectivo, da avaria do seu habitual meio de transporte.
Tentativas de solução foram desfiladas, passando pela compra de algumas peças em substituição das inutilizadas, sintomaticamente no próprio mercado, onde eram aviadas, como todos os produtos, aos montinhos (Mombe), que entretanto não resolveram patavina, porque eram acessórios desajustados.
A crise então prevalecente acaba na decisão de vender o próprio autocarro aos montinhos (Mombe), tal que desmontaram as suas partes vitais e funcionais, para logo a seguir fazerem montes de peças, no mercado onde tudo se pode encontrar.
É uma curta história de sensivelmente uma hora, que leva consigo toda uma vivência da actualidade e do dia-a-dia de que as cidades moçambicanas têm presente, feita por intérpretes dum dos bairros da cidade de Pemba, cheia de muita vivacidade.
Mombe - a cidade espera, que como dissemos já foi apresentada na Casa de Cultura, nos dias 21 e 22 de Outubro passado, foi levado levada ainda ao descampado da Feira Popular, ainda na cidade de Pemba (zona do Wimbe) nos dias 23 e 24, do mesmo mês.
Tudo gira à volta do provérbio segundo o qual “quem espera alcança, mas também quem espera desespera”, sob a direcção da brasileira Ibelisse Guardia Ferragutti, assistida por Victor Raposo, a Cenografia está a cargo do holandês, Jochem Van Tol e nas técnicas de som e luz, os moçambicanos Latifo Issa e Pira Aquimo.
Os actores/criadores são todos da Associação Tambo Tambulani Tambo, nas diferentes disciplinas, que por serem polivalentes, também se fazem presentes neste empreendimento, nomeadamente, Abel Martins, Anifa Aidua, Duacal Abdala, Faquina Salimo, Fátima Nácir, Inês Adelino, Manze Junaite, Muque Sebo, Nhamo Amede, Ninhundu Tauria Abudo e Rucaia Alavao.
Mombe - a cidade espera, nasceu e ficou no conjunto das peças teatrais que o Tambo Tambulani Tambo tem e enriquece o manancial cultural que aquela associação esta criando nos seus 10 anos de existência. Ideias de a peça ir passeando pela região norte, em particular, e no país em geral, não faltam, mas ainda nada há em concreto, tal como tem sido avançada a possibilidade de ser levada aos palcos europeus.
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