Nada acontece por acaso – afirma Arão Nhancale, dirigindo-se aos jovens da Matola



Escrito por jornal noticias
Segunda, 21 Fevereiro 2011 08:45

O Presidente do Conselho Municipal da Cidade da Matola, Arão Nhancale, instou sábado aos jovens locais a se organizarem de modo a apresentarem projectos concretos e viáveis no âmbito do fundo de combate à pobreza urbana.
Arão Nhancale foi convidado da Organização da Juventude Moçambicana (OJM) para falar sobre a problemática dos transportes na cidade da Matola. Tratou-se do primeiro encontro com a juventude daquela urbe, desde que Basílio Muhate foi eleito secretário-geral da OJM. O encontro aconteceu na ADPP, no bairro do Infulene.
O presidente do Conselho Municipal da Cidade da Matola começou a sua intervenção recordando o slogan “A Matola Primeiro”, que marcou a sua campanha eleitoral para a eleição ao cargo. Recordou ainda que em cada ano, os jovens da cidade da Matola se reúnem duas vezes em acampamentos juvenis para debater o papel da juventude na sociedade.
Relativamente ao tema, disse que o desafio é vencer a problemática dos transportes e das vias de acesso, afirmando que nada acontece por acaso. Aludiu ao exemplo dos holandeses que venceram a água construindo o seu país. Afirmou que tudo tem que ser planificado, acrescentando que em momentos de crise não se deve desfalecer.
Arão Nhancale falou aos jovens presentes no encontro sobre a conjuntura internacional que, segundo suas palavras, não poupa países como Moçambique que ainda não tem a necessária musculatura para produzir para o seu auto-sustento.
“Temos que ser capazes de explicar isso aos outros jovens, porque é uma situação que não depende da vontade de ninguém. Ninguém quer sofrer”, disse, acrescentando que para contrapor à crise, há que se aumentar a produção para criar riqueza para, deste modo, sustentar a economia.
Afirmou que 85 porcento das necessidades em transportes na cidade da Matola reside no sector privado. Os restantes 15 porcento são satisfeitas pelo transporte público, no caso os Transportes Públicos de Maputo, TPM. Em condições normais, segundo Arão Nhancale, seriam necessários 320 machimbombos de 60 lugares para a tranquilidade dos munícipes locais.
Disse que o problema dos transportes naquela cidade não é necessariamente de estradas como alegaram alguns jovens na ocasião. Reconheceu, no entanto, que as estradas são cruciais, apelando aos jovens para se organizarem em pequenos grupos de associados para, por exemplo, submeterem projectos de gestão dos transportes no âmbito do fundo de combate à pobreza urbana. Neste quadro, Arão Nhancale anunciou que a cidade da Matola vai receber 21 milhões de meticais destinados ao financiamento de projectos sustentáveis de geração de renda e produção.
Os jovens, organizados em associações, podem, por exemplo, eleger uma estrada, apresentar projectos de abertura de creches ou de corte e costura. As soluções estão com os próprios jovens, segundo o presidente do Conselho Municipal da Cidade da Matola.
Sobre estradas, disse que há um esforço enorme para que as vias de acesso no município sejam transitáveis. Por exemplo, este ano vai ser asfaltada a estrada Zona Verde-Khongolote e Liberdade Matlemele, entre outras acções e intervenções pontuais.
JOVENS DEVEM ESTAR NA DIANTEIRA
O secretário-geral da OJM, Basílio Muhate, que ao encontro se fez presente com os membros do Secretariado do Comité Central da organização e colaboradores do seu gabinete, enumerou uma série de problemas que apoquentam a juventude, desde o desemprego, habitação, vias de acesso e a crise de transportes que, nos dias correntes, afectam particularmente a juventude.
Aliás, o encontro que Basílio Muhate e o seu elenco manteve com os jovens da cidade da Matola foi descrito como sendo de interacção e não de auscultação. Disse que a organização que dirige não pode ficar alheia à situação.
“Qual é o nosso papel como jovens? Será que depende de nós ou de outros?”, questionou, para depois explicar aos jovens presentes que no mundo, a maior parte das fábricas e dos transportes funciona com base no petróleo, cujos preços no mercado internacional tende a subir.
“A maior parte da indústria e do comércio no mundo depende do petróleo e seus derivados. Quando há aumento do preço do petróleo no mercado internacional, nós somos afectados, porque somos importadores. Assim, é difícil a nós, a nível interno, mantermos o preço”, realçando que se trata de uma situação que não depende do Governo, agravada pelo facto de ainda se continuar a importar produtos de primeira necessidade.
Sobre o emprego, Basílio Muhate questionou aos jovens se se deve esperar pelo Governo. Já no debate, os jovens apontaram a fragilidade que existe no domínio da fiscalização dos “chapa”, a corrupção envolvendo fiscais e a própria Polícia, o desrespeito e os maus tratos a que os passageiros estão sujeitos, o desvio de rotas, a inacessibilidade de algumas vias, ocasionada por falta de reabilitação ou melhoramento das mesmas, entre outros problemas.
O secretário-geral da OJM prometeu levar as preocupações levantadas ao partido, Ministério dos Transportes, aos transportadores e aos conselhos municipais das duas cidades, nomeadamente Maputo e Maputo província.
Na ocasião, Basílio Muhate também falou do Ano Samora Machel, apelando aos jovens para que se guiem pelos ideais do primeiro Presidente de Moçambique independente, nomeadamente a auto-estima e a unidade nacional.
Entretanto, o secretário do Comité Central da OJM para a Mobilização e Propaganda, Henrique Mandava, orientou aos secretariados da organização aos níveis da cidade da Matola e província do Maputo para fazerem a réplica do debate havido com os jovens sobre o tema.
“É preciso dialogar com as bases, por forma a que as pessoas compreendam a génese do problema da falta de transportes nas cidades de Maputo e Matola. Jovens, o presidente do Conselho Municipal disse aqui que o município vai receber 21 milhões de meticais no âmbito do fundo de combate à pobreza urbana. Não devemos esperar. Devemos apresentar os nossos projectos concretos e viáveis”, disse.
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