Reservistas das FADM: Adeus, missão cumprida!



Escrito por jornal noticias
Quarta, 16 Fevereiro 2011 08:07

Mais de 100 militares do quadro permanente das FADM em todo o país passaram ontem à reserva, em cerimónia central dirigida pelo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, Paulino José Macaringue.
Trata-se de oficiais superiores e subalternos dos três ramos das Forças Armadas que passaram àquela situação por imperativo legal. Falando na cerimónia, o chefe do Estado-Maior General afirmou que volvidos longos anos de intenso, empolgante e gratificante serviço efectivo nas Forças Armadas, aqueles militares tiveram a sorte e o privilégio de, orgulhosamente, passarem à reserva das FADM.
Sorte e privilégio porque, segundo Paulino Macaringue, deixam a vida militar activa com saúde e uma folha de serviço limpa e invejosa, numa altura em que a instituição ainda tanto precisa da sua valiosa contribuição.
Ao longo de dezenas de anos de serviço nas Forças Armadas, afirmou o chefe do Estado-Maior General, demonstraram zelo, dedicação e comprometimento para com a causa da pátria e seu povo.
“Revelaram ser dedicados defensores da pátria, ao aceitarem defender, com brio, coragem e audácia, os mais elevados interesses da nação, hipotecando a vossa juventude, abdicando dos vossos sonhos e consentindo sacrifícios pessoais e familiares, por esta nobre causa patriótica: a defesa do país, integridade territorial e dos seus cidadãos”, disse.
Muitos dos militares que passaram à situação de reservistas ajudaram a construir as forças regulares a partir dos guerrilheiros das extintas Forças Populares de Libertação de Moçambique (FPLM), contribuíram para a promoção dos valores da unidade nacional, patriotismo, hierarquia, disciplina, lealdade e apurado senso de dever, atributos indispensáveis para a preservação da ordem e conduta militares, fundamentados, única e exclusivamente, no mérito de respeito e valorização dos altos interesses da nação moçambicana, construídos e desenvolvidos durante a luta de libertação nacional e continuados ao longo do sinuoso processo de defesa e preservação da independência e soberania nacionais.
Paulino Macaringue afirmou que a passagem à situação de reserva abre uma nova página nas vidas daqueles. Abre-se uma ampla oportunidade de se dedicarem à sua vida privada, maximizando a enorme experiência acumulada ao longo da carreira militar.
“Acreditamos que, tal como no serviço efectivo nas Forças Armadas, saberão enfrentar e vencer os desafios que se lhes colocarem pela frente e lograr uma integração exemplar e harmoniosa na vida civil donde todos somos provenientes”, augurou o chefe do Estado-Maior General, acrescentando que a situação de reforma que os reservistas iniciaram não pode de maneira nenhuma significar uma ruptura com a instituição militar, que tanto ajudaram a edificar.
Deverá ser apenas uma mera mudança das formas de prestação das obrigações militares, mantendo-se sempre na disponibilidade de serviço até atingirem a situação de reforma, como reza o Estatuto do Militar.
MISSÃO CUMPRIDA
Em mensagem lida na ocasião, o representante dos reservistas disse que os mesmos se sentem honrados em terem servido a soberania e defesa da pátria, cumpriram o serviço militar guiados pelos ideais de pátria una e que estão dispostos a enfrentar os desafios da vida civil, contribuindo nos esforços em curso de combate à pobreza.
Depois da mensagem, três reservistas, representando os três ramos das FADM, foram destacados para procederem à entrega simbólica do espólio militar ao chefe do Estado-Maior General.
Presenciaram à cerimónia, para além de outros oficiais superiores, subalternos, sargentos e praças, familiares e amigos dos reservistas.
Já em contacto com a nossa Reportagem, eles manifestaram-se satisfeitos com o facto de terem servido a pátria e o seu povo. Disseram que não têm nenhuma dificuldade de enfrentar os desafios da vida civil e estão dispostos a retornar ao activo caso seja necessário. Muitos deles, senão todos, possuem uma especialidade aplicável à vida civil.
“Missão cumprida! Estou muito feliz por ter cumprido e servido a pátria. Sei que na vida civil poderei encontrar dificuldades mas estou preparado para enfrentar qualquer desafio. Espero que a sociedade me vai ajudar a enfrentar as dificuldades”, disse o coronel José Raimundo Manuel, da Força Aérea.
Para o coronel Gafar Guale, do ramo do Exército, nenhum obstáculo será invencível, porque “saímos do povo e agora é para lá onde voltamos”.
“Uma marcha sempre tem destino. Não haverá dificuldades. Como é que os outros vivem. Vou me sentir como um peixe na água”, afirmou aquele reservista.
A coronel Alcina Bambo Lopes, também do ramo do Exército, disse, também se sentir feliz por ter cumprido a missão, sabendo, sobretudo, que deu a sua contribuição para as Forças Armadas.
“Exige-se muita disciplina no Exército. E depois há que se enfrentar muitos desafios. Estou apta a enfrentar dificuldades na vida civil”, disse. Alcina Lopes é técnica de saúde materno-infantil.
Por seu turno, o capitão-de-mar-e-guerra, Simão Dzonzi, também manifestou a sua satisfação por ter passado à situação de reserva, afirmando que agora vai poder descansar.
“Foram grandes os desafios que tivemos que enfrentar, mas vencemo-los. Estou disposto, nesta condição, a contribuir para o meu país”, disse.
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