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“É inevitável que União Africana seja por vezes dirigida por ditadores”

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Tomaz Salomão alerta também que as manifestações registadas em Maputo, Tunísia e Egipto poderão propagar-se por mais países africanos

No passado fim-de-semana, a União Africana nomeou para a sua presidência a Guiné Equatorial, cujo chefe de Estado, Teodoro Obiang, está no poder há mais de 30 anos, onde chegou através de um golpe de Estado.

Para o secretário executivo da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, SADC, Tomaz Salomão, considera inevitável que a União Africana seja por vezes dirigida por ditadores e diz que quem lidera a organização são países e não pessoas.

Em entrevista à Agência Lusa em Maputo, na qual fez um balanço dos 30 anos da SADC, Tomaz Salomão lembrou que também outro ditador, Muamar Kadafi, que está no poder há 40 anos e que foi recentemente presidente da União Africana.

“O importante é que enquanto não se alterarem as regras de eleição da presidência, o que se está a eleger não é a pessoa, é a Guiné Equatorial. São ditadores, mas pronto, paciência (...) são as pessoas que estão lá”, afirmou, lembrando que os critérios da liderança da organização não obrigam a realização de eleições democráticas.

Para África, defende também a consolidação e o reforço da capacidade do Parlamento Pan-Africano, mantendo o Fórum da SADC com as funções actuais e garante que as metas de integração traçadas pela organização que representa estão a decorrer com normalidade.

Manifestações generalizadas

Num outro desenvolvimento, Tomaz Salomão alerta para o perigo de se propagarem em África confrontos idênticos aos de Moçambique, em Setembro passado, “na medida em que os efeitos da crise internacional ainda continuam a sufocar os cidadãos. Alguns países têm capacidade para aguentar (a crise), outros não. Moçambique não tem essa capacidade de reservas internacionais. se o rand se fortalece na África do Sul, acabamos por sofrer por tabela, dadas as nossas fraquezas como país”, afirma.

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