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2011: ANO SAMORA MACHEL: Justa homenagem

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O consenlho de Ministros decretou 2011 Ano Samora Machel. Trata-se de uma homenagem ao antigo estadista moçambicano por ocasião da passagem do 25º aniversário do seu desaparecimento físico.

Os partidos políticos, as organizações da sociedade civil e todos os moçambicanos em geral são convidados a se associarem ao intenso movimento visando perpetuar a vida e obra daquele herói nacional. Como é sabido, Samora Machel sucedeu Eduardo Mondlane na liderança da FRELIMO após a morte deste. Sábia e inteligentemente dirigiu a luta armada de libertação nacional que culminou com a proclamação da independência nacional. Estabeleceu as bases gerais e fundou o Estado moçambicano, tornando-se primeiro presidente de Moçambique independente.

Numa altura conturbada em que o país era vítima de agressão externa, Samora dirigiu a nação e procurou devolver a paz aos moçambicanos. Aliás, Samora morreu há 25 anos vítima de acidente de viação quando regressava da Zâmbia em mais uma missão de busca da paz para o país, para região austral e para todo o continente, sendo o seu legado algo por preservar e consolidar. Disso ninguém duvida.

Até porque líderes de partidos políticos contactados a-propósito do Ano Samora Machel são unânimes em afirmar que a homenagem é justíssima e se comprometem a tudo fazer em prol do engrandecimento desta figura. Referem ainda que tudo farão para que os seus militantes se envolvam nesta homenagem e para que a História registe todos os factos em benefício das gerações vindouras.

“Os filhos dos nossos filhos e os filhos destes precisam de conhecer a vida e obra de Samora Machel. Precisam de conhecer a vida e obra de tantos outros heróis nacionais, tais como Eduardo Mondlane, Josina Machel, Francisco Manyanga, Filipe Samuel Magaia, Paulo Samunel Kankhomba e tantos outros que lutaram pela causa nacional. Precisam de conhecer a vida e obra de tantos outros que continuam a dar o melhor de si em prol do bem-estar dos moçambicanos”, defendem os nossos entrevistados.
LEGADO POR EXPLORAR – CONSIDERA YÁ-QUB SIBINDY

SAMORA Machel deixou um legado ainda por explorar – considera Yá-qub Sibindy, presidente do Partido Independente de Moçambique (PIMO) – Bloco da Oposição Construtiva.

A fonte entende que a homenagem a Samora Machel vai ajudar o país a compreender que o projecto deste mantém-se vivo, 25 anos após o seu desaparecimento físico.

“Samora morreu em busca da paz; a paz de que hoje desfrutamos. Samora morreu em busca do desenvolvimento e do bem-estar para todos os moçambicanos, projecto hoje perseguido pela Frelimo. Samora queria acabar com a pobreza e os moçambicanos lutam ainda hoje para esse fim”, afirmou Yá-qub Sibindy.

O dirigente do PIMO lembrou ainda que Samora Machel foi um líder de dimensão internacional, pois foi fundador da Linha da Frente – organização de alguns países da Africa Austral que desempenhou um papel importante para a independência do Zimbabwe, da Namíbia e até para o fim do regime do “Apartheid” na África do Sul.

“Samora queria a paz regional; Samora queria a paz continental e Samora queria a paz mundial. É preciso estudar e compreender o pensamento deste estadista. Ele morreu e deixou-nos um legado ainda por explorar”, afirmou Yá-qub Sibindy.

Ainda segundo o interlocutor, é justo que os moçambicanos, do Rovuma ao Maputo e independentemente das suas crenças políticas ou religiosas se unam em torno do movimento que visa homenagear Samora Machel.

“Os que se apartarem serão condenados pela História”, referiu Sibindy.

O presidente do PIMO aproveitou a ocasião para apelar aos moçambicanos no sentido de fazerem do Ano Samora Machel um momento de reflexão sobre os desafios do país, os quais passam necessariamente pelo combate contra a pobreza. Afirmou que cada cidadão deve fazer uma introspecção para saber em que contribui nos esforços colectivos de luta contra este mal social.

“Se assim o fizermos estaremos a preservar o legado de Samora e estaremos a contribuir para um rápido desenvolvimento do nosso país”, disse.

ACONTECIMENTO HISTÓRICO –AFIRMA JOSÉ NHAMIZINGA




CELEBRAR os 25 anos da morte de Samora Machel é um acto que mexe com todos os moçambicanos, conhecido o papel deste estadista no processo de luta contra a dominação estrangeira em Moçambique – considerou José Nhamizinga, combatente da luta armada de libertação nacional e dirigente da União Africana para a Salvação do Povo (UASP).

“Pessoalmente, conheci Samora Machel em 1969, durante a luta de libertação nacional. Conquistada a independência nacional Samora não descansou. Continuou a luta pela libertação do continente. Estava a África do Sul sob dominação do regime minoritário do “Apartheid”; estava o Zimbabwe sob dominação do regime minoritário de Ian Smith; estava a Namíbia também dominada pela África do Sul. Samora continuou a lutar até encontrar a morte em Mbuzini. Por tudo o que fez, merece esta homenagem”, referiu José Nhamizinga, acrescentando que por Samora tudo deve ser feito.

José Nhamizinga prometeu mobilizar os membros e simpatizantes da sua união e a população em geral no sentido de encararem com patriotismo as celebrações dos 25 anos do desaparecimento físico de Samora Machel.

“Samora libertou-nos da escravidão colonial; mostrou-nos o caminho para a paz, para a democracia e para o desenvolvimento. Todos nos curvamos perante a grandeza desta figura”, disse José Nhamizinga.

O interlocutor afirmou que tratando-se de um programa estadual aguarda, a qualquer momento, um convite formal para participar em todos os actos atinentes a esta grande homenagem ao herói nacional.

“Samora merece esta homenagem”, rematou José Nhamizinga.
VÉNIA ESTADUAL – ADVERTE FRANCISCO CAMPIRA

FRANCISCO Campira, da coligação G-12 (grupo dos partidos políticos total e/ou parcialmente excluídos das últimas eleições gerais), concorda que Samora Machel seja homenageado, mas adverte que as celebrações devem ter um cunho verdadeiramente estadual.

“É que não raras vezes vemos o partido no poder a apropriar-se destes momentos, o que não é nada bom para os partidos da oposição. Quando as cerimónias são do Estado todos os partidos políticos, todas as organizações da sociedade civil, quando convidados, devem ter tratamento igual”, protestou.

Francisco Campira quer que as celebrações dos 25 anos do desaparecimento físico de Samora Machel sejam um momento de reflexão para os moçambicanos. Reflexão sobre a necessidade da preservação e consolidação da paz, da unidade nacional e do desenvolvimento.

“Repito que é uma cerimónia do Estado e ninguém se deve apropriar dela. Vamos conferir às celebrações o seu devido lugar. Questões partidárias que sejam exibidas nas sedes dos partidos políticos”, referiu o interlocutor, acrescentando que nenhum político gostaria de participar numa cerimónia de Estado em que se dêem vivas a um determinado partido.

“Vivas são para Moçambique no seu todo e seu povo. Vivas à pátria de heróis. Os heróis dos partidos são venerados nos partidos”, sublinhou a fonte, acrescentando, porém, que a coligação G-12, caso seja convidada, tomará parte das celebrações.

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