Escrito por jornal noticias Quinta, 23 Dezembro 2010 07:01
DO estado da Nação fala o Chefe do Estado. É sua função. Aliás, só ele é que pode dizer em que estado – ou em que estado ele gostaria que os moçambicanos pensassem que – a nação se encontra. Neste sentido, o discurso do estado da nação vale o que o nosso sistema político permite que ele valha. Pouco. Isto é, como a atribuição principal do Chefe do Estado é garantir o funcionamento do aparelho estatal, o estado da nação sobre o qual ele pode falar é o que lhe permite fazer a reportagem das suas realizações para garantir, entre outras coisas, que o favor do povo continue do seu lado. Sendo assim, a pergunta que se coloca é de se saber quem, nestas circunstâncias, pode, então, falar da nação do estado, isto é daquilo que está acima, muito acima, na verdade, da máquina estatal. A resposta a esta pergunta constitui o tema deste texto.
A nação é a moral. Leia-se bem: é a moral, não amoral. A nação é a convivência de todos os dias que nos permite dar sentido ao que se passa em nosso redor. Não são as ideias abstractas de liberdade, direitos humanos, justiça e integridade que dão substância ao nosso sentido moral. É sim o significado denso que cada uma dessas ideias abstractas assumem no nosso quotidiano e que são o ponto a partir do qual torcemos o nosso nariz perante coisas que ofendem o sentido do que consideramos bom. O grande problema, porém, é que o que leva alguns a torcerem o nariz é o que leva outros a aspirar bem fundo com as narinas dilatadas. Não há, em minha opinião, um sentido moral comum a todos nós. Há apenas ideias abstractas que cada um de nós – em grupo ou individualmente – interpreta ao sabor das experiências quotidianas. Há muitos que, de certeza, intervêm na esfera pública, partindo do pressuposto de que interpretamos essas ideias abstractas da mesma forma ou, o que é pior, que pensam que só há uma interpretação possível e legítima dessas ideias.
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