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Em Nacala há prédios prestes a desabar!

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Vários edifícios habitacionais e comerciais localizados na parte baixa da cidade de Nacala-porto, província de Nampula, estão na iminência de desabar a qualquer momento se não forem tomadas medidas urgentes por parte das autoridades municipais e distritais. No sentido de prevenir um desastre que pode ceifar centenas de vidas humanas entre inquilinos e transeuntes, além da destruição de bens valiosos nos estabelecimentos comerciais e de serviços. Os Prédios conhecidos por Enacomo, Diname e Clássica, localizados na parte baixa, erguidos no limiar da década de 70, num quarteirão com lençol freático muito alto, constituem uma amostra dos edifícios que se encontram numa situação de risco.

Os mesmos caminham perigosamente neste momento em direcção ao seu desmoronamento dada a precariedade do seu estado de conservação, o que coloca muitas famílias em risco permanente de vida. Por outro lado, os proprietários dos estabelecimentos comerciais e de serviços arriscam-se a acumular prejuízos financeiros avultados se vier a consumar-se o desastre que espreita os edifícios onde desenvolvem as suas actividades económicas.
Os três edifícios são mistos, pois no piso inferior funcionam serviços e estabelecimentos comerciais. No entanto, os serviços que funcionavam no prédio Enacomo foram transferidos em razão da degradação que tomou conta do edifício segundo apuramos. Enquanto nos prédios Diname e Clássica com Quatro e Seis andares residenciais respectivamente, ainda acomodam unidades comerciais e de serviços, não obstante da ameaça de desmoronamento que é visível a “olho nu”. 


EDIFÍCIOS NÃO REABILITADOS

Para perceber melhor as razões que podem estar por detrás da ameaça de desmoronamento dos edifícios supracitados a nossa reportagem procurou os serviços distritais de obras públicas e habitação contactou Tomás José funcionário do sector a cerca de 34 anos. Participou da construção de alguns edifícios na cidade de Nacala-Porto enquanto operário de construção civil nas construtoras Anacleto e mais tarde a António Duarte Riscado baseadas naquela cidade portuária.

Segundo ele, alem dos prédios supracitados existem muitos outros em situação de risco de ruir sobretudo na parte baixa da cidade de Nacala-Porto, situação que se deve a ausência de obras de manutenção e reabilitação dos mesmos desde que foram construídos. Lembra que os construtores deixaram recomendações claras sobre o tipo de intervenções que devem ser feitas e sua calendarização visando garantir maior tempo de vida útil aos edifícios.

“A única intervenção que os edifícios de Nacala-Porto beneficiaram circunscreveram-se em pinturas das paredes interiores e exteriores como forma de emprestar alguma beleza a cidade e foi orientada pela administração do parque imobiliário do estado muitos antes do inicio do processo de alienação” – sublinhou Tomás José.
O entrevistado referiu que a cidade baixa de Nacala é sobretudo pantanosa e os edifícios ali construídos obedeceram uma arquitectura que exige trabalhos específicos de manutenção visando a conservação dos mesmos sobretudo da estrutura de pilares para a sua sustentação que sofrem os efeitos da intrusão salina.

Alberto Carimo, munícipe já residiu num dos prédios daquela cidade portuária antes de se transferir para a sua própria residência, após passar à reforma há cinco anos. Apontou que a degradação dos edifícios é acelerada pelo alegado mau uso dos apartamentos, sobretudo por uma camada com fraca instrução académica e falta de urbanidade.
“Os edifícios ainda sofrem pancadas de almofariz de forma sistemática no processo de preparo de alguns tipos de pratos e isso tem impacto na sua estrutura de suporte. As enxurradas registadas com frequência na década 80 deixaram os prédios mergulhados nas águas por alguns dias, provocando marcas de destruição profundas que, no entanto, não mereceram obras de conservação para garantir a durabilidade dos mesmos” - disse Alberto Carimo. 


INQUILINOS DESAMPARADOS

Em meados do ano de 1994 a APIE em Nacala-Porto, ordenou a desocupação imediata e incondicional do prédio Enacomo por não reunir condições de habitabilidade e por colocar em risco a vida dos inquilinos. A medida não surtiu os efeitos desejados porquanto ate hoje os inquilinos de Seis dos 14 apartamentos ainda não se retiraram apesar de reconhecer o risco que essa relutância pode representar para as suas vidas.

Abudo Manuel, inquilino, justificou a sua permanência ate o momento naquele edifício como sendo de falta de orientação por quem de direito, “porque só nos avisaram para sair porque o edifício não reúne condições para viver, e esperávamos que o Apie ou a edilidade avançasse pelo menos na distribuição de talhões para construção das nossas casas definitivas mas ate o momento não se vislumbram acções nesse sentido” - lamentou.

António Bitone, inquilino do Prédio Diname, disse que aquele imóvel já não reúne condições de habitabilidade tendo aludido o facto do seu sistema de esgotos se encontrar inoperacional há mais de três anos e como alternativa os moradores arremessam as águas sujas para as traseiras o edifício com todas implicações negativas para a estrutura.

“Nós notamos que os dois blocos do prédio estão em fase de desintegração. Quando chove regista-se infiltração de águas no sexto e quarto andar do prédio. Os moradores do prédio privam-se de energia eléctrica sempre que chove porque as paredes interiores transforma-se em condutor de energia eléctrica que periga as suas vidas” - explicou o entrevistado.

A nossa reportagem escalou o prédio Diname e a chegada foi colhida de surpresa, pois, a loja daquela distribuidora nacional de material escolar que funcionou largos anos no rés-do-chão foi transferido para o primeiro andar. Desconfiamos que o facto se deve a cratera.

aberta no meio do salão de vendas mas para mais esclarecimentos questionamos um dos encarregados que nos confirmou as nossas suspeitas acrescentando que o buraco está aumentar progressivamente podendo o edifício afundar a qualquer momento.

Ao lado do prédio Diname surgiu a alguns anos uma nascente cujo caudal das águas tem estado a subir significativamente para espanto dos munícipes. O conselho municipal sensibilizado pela gravidade do caso viu-se obrigado a construir um aqueduto para drenar as águas da referida nascente para a rede urbana de esgotos.

Alguns inquilinos que aceitaram falar para a nossa reportagem sobre as razoes que ditam a sua permanência naquele edifício, exaltaram a iniciativa da edilidade que consistiu na colocação de 32 tambores para igual número de famílias nos seis pisos do prédio para depósito do lixo eliminando o arremessado de lixo para as suas do imóvel onde a imundice dominava o meio ambiente.
Segundo constatamos os inquilinos não estão organizados mas um grupo de condóminos vai interceder brevemente junto a edilidade no sentido de colocar as suas preocupações em relação ao estado físico do imóvel onde habitam e procurar facilidades no que diz respeito a atribuição de terrenos para construção de habitações o que vai viabilizar a sua intenção de se abandonar o edifício.


MUNICÍPIO SEM SABER O QUE FAZER

Amade Champion, vereador das infra-estruturas e urbanização no conselho municipal de Nacala-Porto, não teve papas na língua quando questionado pela nossa reportagem a respeito das soluções que estavam sendo esboçadas pela edilidade, no sentido de estancar o avanço dos níveis de degradação dos edifícios, afirmando que “não sei o que vamos fazer em relação a estes problemas que nos preocupam, sobremaneira”.
Confessou-se surpreendido pela abordagem feita pela nossa reportagem em relação a conservação dos edifícios da cidade. Entretanto, avançou que uma análise profunda sobre a matéria envolvendo o governo distrital e a edilidade, pode resultar na identificação de soluções alternativas ou definitivas para a questão que segundo ele pode provocar uma tragédia caso venha a registar-se.

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