O Presidente viu e gostou



Escrito por Jornal Noticias
Terça, 26 Outubro 2010 12:20

O JAM de papaia, biscoitos de mandioca, bolos de batata-doce, licor de massala, sumo de ananás, da manga de Chiguelane, da tangerina de Cumbana, os cestos de Mucucune, panelas de barro de Jangamo, castanha de caju processada em Mabote, o piri-piri de Nhacoongo, o tomate de Nova Mambone, onde é que são vendidos e quem afinal consome esta variedade de produtos? Eis a pergunta que o Presidente da República, Armando Guebuza, colocou aos camponeses da província de Inhambane que recentemente participaram na exposição agro-pecuária, realizada na localidade de Ngomane, em Massinga, no lançamento da campanha agrícola, 2010 2011, nesta província.
O Presidente da República disse que a mandioca de Inharrime, tão boa e saborosa para o pequeno almoço, o maheu feito a partir da casca de banana, bem como o sumo de caju, entre outros derivados de recursos produzidos em Inhambane, tudo começa e termina com os camponeses. É por isso que alguns pensam que o nosso país continua muito pobre, porque o que se faz não sai ao mercado, não é encontrado nos centros comerciais.
“ E depois vão reclamar embalagens para melhor colocar o produto no mercado”, disse Guebuza para quem tanto a falta de embalagens para melhor conservação e transporte dos produtos processados nas pequenas unidades industriais em instalação nas zonas produtivas, em cumprimento do plano da industrialização rural, assim como as precárias condições das ruas dos pólos de produção para os mercados, são problemas que devem ser vencidos por nós, tal como já, deixamos para traz, muitos obstáculos.
Visivelmente satisfeito por ter contemplado o avanço da economia nacional traduzida pelas inovações que se verificam no ramo de aproveitamento da produção local, bem como o entusiasmo dos camponeses que redobram esforços para liquidar a fome, o Presidente da República, dirigindo-se a centenas de expositores que idos de todos cantos de Inhambane, exibiram as potencialidades agrícolas daquela província, deixou repulsa às vozes que continuam, segundo disse, a negar o progresso do país.
“Há pessoas que se divertem com a nossa pobreza, que vivem da nossa pobreza, aqueles que, mesmo com tudo quanto fazemos, aquilo que mostramos hoje aqui, que não é tudo, dizem que somos pobres”, disse Armando Guebuza acrescentando que são essas pessoas que dizem que agora estamos cada vez mais pobres do que no período colonial.
Um pouco fora do contexto do encontro, o Presidente da República afirmou não fazer sentido que os nossos detractores continuem a tentar travar o vento com as mãos, dizendo que somos pobres numa altura em que o ensino superior está quase em todos distritos do país, e a partir daqui de Ngomane conseguimos nos comunicar com as pessoas que estão muito distantes de nós, através do telefone celular, etc. etc.
Guebuza quis com este pronunciamento, sustentar que o avanço da produção agrícola que se verifica no país tem como impacto, a disponibilidade de alimentos e por via disso, gerar renda para aquisição de bens básicos para melhorar a vida dos Moçambicanos.
“Temos problemas sim, mas também temos capacidade para superá-los, temos que encontrar meios para vencer os problemas que temos, vamos vencer, somos capazes, ninguém disse que morreremos pobres, as novas gerações saberão desta pobreza, através da história do nosso país, nos livros” disse o Chefe do Estado, acrescentando que para pessoas que vivem da pobreza dos Moçambicanos, defendem que nunca sairemos desta situação.
GRÃO A GRÃO, ENCHE A GALINHA O PAPO
O grande salto que a província de Inhambane deu nos últimos seis anos no que tange ao avanço da sua economia é em parte, graças à contribuição dos camponeses que paulatinamente conseguem fazer da Revolução Verde, a alavanca de produção de comida para reduzir a fome. Já passa bom tempo, ou seja, desde 2005 que a segurança alimentar naquela província do sul do Save, é sustentável, mercê do sucesso de uma agricultura de desenvolvimento e não de gestão de programas de emergência.
Dados divulgados recentemente pelo Ministério de Planificação e Desenvolvimento, indicam que Inhambane recuperou a sua economia, ocupando neste momento a sexta posição como província mais desenvolvida do país, passando da décima segunda posição que ocupava em 2003 depois de Sofala.
Para Francisco Mapanzene, Presidente da Associação dos camponeses de Chicungussa em Morrumbene, a pobreza está sendo fragilizada no país, pois aqueles que estão a aplicar devidamente o Fundo de Desenvolvimento Distrital, vulgo sete milhões de meticais, estão a resolver parte dos problemas que o país tem, sobretudo a fome.
“ A minha associação, no caminho da Vitória, já se beneficiou por duas vezes dos sete milhões de meticais, sendo que a primeira vez aplicou e geriu devidamente o dinheiro no projecto de produção de comida. Fomos os primeiros no distrito de Morrumbene a introduzir e produzir em boas quantidades, a cultura da batata-reno”, disse Vasco Mapanzene para quem todos os membros desta associação, já têm condições básicas para a sua sobrevivência na sua casa, porque o produto das vendas é distribuído equitativamente por todos os membros”, afirmou
Mapanzene explicou ainda que o distrito de Morrumbene, nunca teve fome porque não só há trabalho, como também muita seriedade. “A minha associação já tem seu carro próprio, compramos para operacionalizar a comercialização da nossa produção”, disse Mapanzene.
Para Alberto Malhamale Mazive, agricultor da região de Murambe distrito de Funhalouro, se todas as pessoas acatassem as mensagens do Governo para deixar de estender as mãos a pedir donativos, se todas as pessoas assumissem que o país depende de nós, quando todos apostarem na produção agrícola para acabar com a fome, hoje o nível de desenvolvimento seria mais visível.
“ Acho que teríamos avançado muito porque os resultados que estamos a colher desde que iniciou o financiamento do projecto, através do Fundo de Desenvolvimento Distrital, muita coisa está a mudar para o melhor”, anotou Mazive.
Alberto Mazive antigo comandante de Pelotão das Forças Armadas de Moçambique, actualmente líder comunitário de primeiro escalão, disse que os actuais índices da produção agrícola mostram claramente que, mais um pouco de esforço de todos, aproveitando zonas húmidas, baixas e margens das lagoas, pelo menos, haveria o suficiente para alimentação.
“Sou assíduo nas feiras agro-pecuárias, participo nos distritos de Funhalouro e Mabote e nem sempre consigo vender tudo porque há muita comida, explicou, acrescentando que os que não têm preguiça foram à machamba, colheram muito e não têm onde vender tudo, daí que o nosso apelo ao Governo, é encontrar alternativas para a comercialização, primeiro reabilitando as vias de acesso enquanto instalam celeiros melhorados para a conservação e, segundo, organizar e realizar feiras agro-pecuárias como esta, para trocas comerciais entre os camponeses” – indicou.
Mazive disse ser pertinente que noutros pontos de Inhambane se adopte, igualmente, o sistema de feiras para a venda de gado bovino, tal como se verifica no distrito de Mabote, desde ano passado.
Esta estratégia, de acordo com aquele líder comunitário, não só permite o controlo dos preços, uma vez que se usa uma balança para determinar o preço por quilograma, de animais vivos, é um processo que também permite a negociação do preço final de acordo com o estado nutricional do animal.
“Também sou um criador, a estratégia da venda de animais nas feiras deu cobro ao roubo de gado, porque ficou estabelecido que, é naqueles locais e datas marcadas, que se pode vender o gado”, disse Mazive acrescentando que antes da data, a comissão de criadores estabelece contactos com os compradores para saber que tipo de gado bovino deve ser levado à feira.
PR viu e gostou do esforço de luta contra a fome
“MINA ADORMECIDA”
A Baixa de Ngomane, a 30 quilómetros da sede do distrito de Massinga, tem pouco mais de cinco mil hectares de terras aráveis. Todavia, desta área, apenas 300 hectares é que estão sendo explorados, tendo milho, batata-doce, batata-reno, bananeiras e mandioca. Trabalham em Ngomane para além de seis associações de camponeses, para exploração do sistema de regadio recentemente instalado pelo Governo, um grupo de empresários chineses que requereu e foi autorizado a trabalhar uma área de seiscentos hectares.
Os chineses apresentaram como projecto, a produção de cereais, nomeadamente, arroz e milho. Introduziram igualmente a produção de chá doce tendo iniciado pelos respectivos ensaios que já deram bons resultados, 0,03 porcento de glicose.
Dados em nosso poder indicam que para a concretização do projecto avaliado em um milhão e duzentos mil dólares, o grupo chinês já iniciou a mobilização do equipamento para o efeito, nomeadamente, auto-combinadas, tractores e respectivas alfaias agrícolas.
O Presidente da República que visitou o sistema de regadio bem como algumas áreas já em exploração, cem hectares dos chineses, ficou satisfeito com o que viu e ouviu, disse no entanto que Ngomane, não passa de uma “ mina” adormecida, necessitando ainda de muito investimento para melhor aproveitamento das potencialidades agrícolas que tem.
“Aqui está a nossa riqueza, requer apenas um pouco mais de atenção e trabalho e rapidamente poderemos esquecer a fome”, disse Guebuza depois de visitar a baixa de Ngomane, uma das melhores e com maior área de produção de arroz.
Refira-se que como Ngomane, existem outras áreas na província de Inhambane que necessitam de investimento para dinamizar a Revolução Verde, nomeadamente, Inhassune distrito de Panda, Chinzinguir em Homoine e ainda, Pateguana, em Morrumbene.
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