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Causas da violência estão ligadas à pobreza

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O Governo manifestou ontem, em Maputo, a vontade de ver as forças religiosas uníssonas a representarem cada vez mais a voz da razão e da objectividade das leis de desenvolvimento social, contribuindo, de forma decisiva, para o crescimento da consciência de que as causas da violência e da ameaça à paz estão intimamente relacionadas com as da pobreza do ser humano. Com esta visão, segundo a Ministra da Justiça, Benvinda Levy, que se reuniu com representantes de 65 congregações religiosas, juntos se pode encontrar soluções na reconciliação dos ânimos exaltados contra a carestia da vida nos principais centros urbanos, com particular incidência nas cidades do Maputo e da Matola.

Benvinda Levy disse que é por acreditar no pressuposto de que a pobreza gera conflitos que o Governo pretende, com esta iniciativa, renovar o compromisso de engajamento comum na construção de uma pátria de paz, justiça social e bem-estar, onde o pão para as crianças, adultos e idosos não seja o centro de disputa insolúvel entre os que podem e os que não podem comer.

A ministra ajuntou que os cuidados básicos de saúde não podem ser uma razão perpétua de a dor e tristeza no seio das famílias por falta de acesso a uma unidade sanitária e ao medicamento, assim como as famílias não podem sofrer traumas sociais em resultado do crime violento e falta de segurança, protecção nos bairros onde vivem e locais onde trabalham.

“É nestas e noutras preocupações concretas que se devem centrar as mensagens de apelo dirigido a todos quadrantes pelos líderes religiosos e seus seguidores, nas mais diversas aparições tendo em conta as manifestações de Setembro último. Com base neste entendimento e conscientes de que no nosso dia-a-dia persistem factores que podem perigar a paz, almejada por todos nós, recorremos uma vez mais a este diálogo com as forças da sociedade, que por sua vocação constituem o expoente mais alto da promoção do respeito pela vida, tolerância e dignidade entre os homens. Assim, queremos que sejam levadas a cabo acções de transmissão de mensagens de preservação da paz com recurso a programas das organizações religiosas, desenvolvimento de programas de educação cívica e moral, com enfoque em grupos etários alvos, tendo em conta que registam-se casos em que são os adultos que incitam os jovens e crianças a ter atitudes de pouca dignidade social”, disse a  ministra.

Na mesma linha de pensamento acrescentou que pretendemos ainda que a necessidade de repulsa de todas as manifestações e práticas de linchamentos que têm continuado, impondo-se com urgência a implementação das recomendações dos diversos estudos sócio-antropológicos realizados, para além da necessidade de se reforçar a credibilidade das instituições do sistema da administração da justiça, encorajando a divulgação da lei como forma de persuasão das práticas anti-sociais e aplicação da mesma para a reposição dos direitos e interesses violados.
Por seu turno, as 65 congregações que estiveram representadas renovaram o seu cometimento de continuar a colaborar com o Governo na moralização da sociedade, engajando-se na luta sem tréguas contra a violência colectiva, vulgos linchamentos, tráfico de seres humanos, homicídios, assaltos à mão armada, violência doméstica, corrupção e todas as manifestações negativas que não só perturbam e põem em causa a luta que se trava contra a pobreza, como corroem em última estância os alicerces de uma sociedade de progresso e paz duradoura. Contudo, lamentaram que nem sempre as suas contribuições têm sido valorizadas, razão pela qual pediram mais espaço de intervenção.

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