Mais água potável para Moatize e Tete



Escrito por Jornal Noticias
Terça, 19 Outubro 2010 09:05

A Vila de Moatize e a cidade de Tete vão registar até o primeiro semestre do próximo ano, 2011, melhorias consideráveis no abastecimento de água potável, conforme assegurou ao “Notícias” Carmen Bilale, directora do Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água nesta região do país.
Para o efeito, decorrem desde o ano passado trabalhos de reabilitação e montagem de novos equipamentos nos sistemas de abastecimento de água potável nos dois municípios, actividade considerada bastante intensiva, particularmente nos centros de captação e bombagem, abarcando os tanques reservatórios, até às condutas de canalização do precioso líquido a vários consumidores.
Segundo Carmen Bilale, para este trabalho de vulto, para além de investimentos do Governo Central, o FIPAG conta com um financiamento externo, nomeadamente do Banco Mundial para o Projecto Wazs, do Governo da Holanda e de outros parceiros, como é o caso da Fundação Vale, sendo esta última que mostrou a sua disponibilidade, tendo rubricado recentemente um acordo com o FIPAG.
Entretanto, os residentes da cidade de Tete e vila de Moatize manifestaram a sua satisfação pelo melhoramento do abastecimento de água, trabalho responsabilizado à FIPAG, sobretudo nos últimos dois meses, em que a água jorra com pressão em zonas outrora carenciadas, nomeadamente nos os subúrbios da cidade.
Efigênia Juvêncio, moradora no bairro Chingodzi, nos arredores da cidade de Tete, disse que a partir de finais de Agosto último a sua zona começou a registar um melhoramento no abastecimento de água potável, situação que veio a aliviar de certa maneira o sofrimento da população no que diz respeito à busca da água para o consumo.
“Desde que estou a viver aqui no bairro Chingodzi, particularmente aqui vulgarmente conhecido por bairro azul”, em finais de 2009, nunca tivemos água assim como está a acontecer agora. Era uma grande luta mesmo para se obter o precioso líquido. A água sai/a, às vezes com muita fraca pressão e num espaço muito reduzido que praticamente não servia para nada e tinha que procurar outras alternativas para poder tê-la para o consumo. Hoje temos água a jorrar nas torneiras por um período longo, a partir das 17.00 até as 23.00 horas”, disse Efigénia Juvêncio.
Para António Razão, residente de Cambinde, bairro de Matundo, na periferia da cidade de cimento em Tete, que encontrámos a preparar a argamassa para a produção de tijolos para a construção de uma casa convencional, afirmou que o abastecimento de água nos centros residenciais é uma realidade naquela zona, onde o FIPAG está a colocar nova tubagem para transportar o precioso líquido para mais próximo das comunidades.
“Este bairro, desde a sua existência e agora em expansão, nunca teve água canalizada. Sempre consumíamos água directamente tirada do rio Zambeze, correndo muitos riscos, devido a acção dos crocodilos, que quase sempre atacam e matam as pessoas que para lá se dirigem quer para tirar água, quer para pescar.
Depois de uma reclamação durante a campanha eleitoral finda, porque já fartos de perdermos os nossos entes queridos vítimas de crocodilos, o Governo prometeu no seu mandato dar água canalizada e hoje a promessa foi cumprida, com sucesso. Temos finalmente água potável a jorrar nas nossas torneiras aqui em Cambinde”, explicou, denotando total satisfação.
Luís Chico, outro morador, desta feita do bairro Samora Machel, na zona de M’páduè, subúrbio da cidade de Tete, frisou que a redução da tarifa para a canalização de água potável aos domicílios foi uma das grandes medidas que o Governo acaba de tomar em benefício da população.
“O foco da epidemia de cólera estava aqui em Canongola, causado pelo consumo de água imprópria, aliado ao fraco sistema de saneamento do meio. Aqui se concentram milhares de pessoas provenientes de vários pontos do país à procura de gado, porque é aqui onde se localiza a feira de comercialização de bovinos, caprinos e suínos. Nos últimos dois anos o FIPAG iniciou a canalização de água potável na zona e agora está a levar o precioso líquido até ao domicílio. Com efeito, podemos dizer que a cólera está quase estancada na cidade” - realçou Luís Chico.
DEPOIS DA ÁGUA AGORA O PREÇO
NA vila de Moatize, a 20 quilómetros da cidade-capital da província de Tete, o abastecimento de água potável era um problema já antigo que preocupava a todos, mas hoje por e hoje a situação tende a melhorar, isso depois da construção em meados do ano 2000 de um novo sistema de captação, bombagem e armazenamento de água.
O sistema construído e financiado com base nos fundos do erário público injectados pela Direcção Nacional de Águas no Ministério das Obras Públicas e Habitação garante a cobertura do fornecimento de água a todos os cinco bairros do centro da vila e outros na sua periferia.
“Finalmente temos água potável aqui na vila de Moatize, o que é muito bom. O Governo melhorou os sistemas de abastecimento de água, mas o problema agora reside nos pagamentos. É que o consumo de água está a custar preços proibitivos aqui em Moatize. Os valores facturados são altíssimos e eu sou uma professora primária, acabo pagando a água a um preço que oscila entre 1200,00 a 1900,00 meticais, o que é praticamente absurdo, porque não ganho este dinheiro, para além de que não chego a consumir tanta água assim até ao ponto de me cobrarem estes valores. É só ver aqui na minha casa. Não tenho nada de especial. Este consumo que vem na factura é exortritante”, lamentou Emília Tiago.
Entretanto, Colarinho Navaia, presidente do Conselho Municipal da Vila de Moatize, explicou que o problema do deficiente abastecimento de água potável às regiões suburbanas tem dias contados, uma vez que decorrem obras de expansão da rede de canalização de água naquele município.
“Agora estamos a trabalhar conjuntamente com o FIPAG para o melhoramento da nossa rede de abastecimento de água potável, sobretudo às zonas um pouco afastadas do centro urbano. O nosso objectivo principal é dar água potável aos 35 mil munícipes de Moatize ainda dentro deste mandato. Queremos trabalhar para materializarmos as recomendações do Presidente Armando Guebuza, na Reunião Nacional dos Presidentes dos Conselhos Municipais havida em Nampula. Cólera “Zero nos Municípios”, assegurou Navaia.
ALARGAMENTO DA REDE DE ABASTECIMENTO
Carmen Bilale, directora do FIPAG em Tete, apontou que foram desenhadas duas grandes linhas de acção, sendo a primeira a reactiva, para corresponder ao nível de crescimento galopante que a cidade de Tete e vila de Moatize estão a registar nos últimos anos.
“Estamos a implantar infra-estruturas da rede de produção em áreas que já estão habitadas e a segunda linha é a visão futura daquilo que é Tete. Neste momento temos uma certa demanda de água em bairros que ainda não estão com uma urbanização consistente. São zonas de expansão, como é o caso dos bairros Sansão Muthemba, Samora Machel, M’páduè e Matundo. Em Chingodzi a infra-estrutura encontra-se minimamente implantada, o que vai facilitar o processo2, disse Carmen Bilale.
Ela apontou que para a execução do programa o FIPAG conta com dois financiamentos assegurados pelo Governo da Holanda e pelo Banco Mundial do Projecto Wazs, para além do Governo Central.
Do Governo da Holanda, cujo valor é de 2 milhões e quatrocentos mil euros, que já está com o FIPAG desde os princípios do ano 2009, está sendo aplicado este ano na abertura de nove furos de água, dos quais dois já estão em funcionamento nos bairros de expansão de Chingodzi e Matundo e os restantes sete serão executados nos próximos meses, sendo, dois para o bairro de Chithatha, no município da vila de Moatize, dois no bairro Samora Machel, que também servirá ao bairro M’páduè e os outros três serão efectuados na estação de captação no vale de Nhartanda, para reforçar o sistema de abastecimento de água na cidade de Tete.
“O financiamento do Governo da Holanda está alocado para a área de produção e armazenamento de água. Já abrimos dois furos na estação de captação de Revúbuè, no bairro Chingodzi, que abastece a este bairro e Matundo. Foram já colocados igualmente geradores para a produção de energia eléctrica para casos de emergência nos centros de captação de Nhartanda e Revúbuè no município da cidade de Tete, e em Chithatha, na vila de Moatize”.
A nossa entrevistada referiu que brevemente vai arrancar o processo de abertura, ainda com este dinheiro, dos restantes sete furos e a reabilitação de alguma parte da rede de canalização da água e da componente eléctrica dos centros de captação.
Com o dinheiro do Banco Mundial do Projecto Wazs, que são milhões de dólares norte-americanos, o FIPAG vai aplicá-los na reabilitação e expansão da rede de canalização de água, onde está já projectada a canalização de água num raio acima de 85 quilómetros nos municípios da cidade de Tete e vila de Moatize.
A directora do FIPAG disse, por outro lado, que, para além destas infra-estruturas, na semana passada foi rubricado um memorando entre o FIPAG e a Fundação Vale, que consiste essencialmente na preparação do plano director de abastecimento de água aos municípios da cidade de Tete e vila de Moatize para os próximos 30 anos.
“Com este acordo vamos definir as nossas necessidades em termos de infra-estruturas a serem implantadas e outras capacidades técnicas, materiais e humanas, para correspondermos às exigências vindouras nos próximos cinco, dez ou vinte anos. Tendo em conta a componente do desenvolvimento industrial, que está em alta na província, temos que nos preparar para este desafio em termos de abastecimento de água de qualidade e suficiente” – acrescentou Carmen Bilale.
ÁGUA COM NOVO HORÁRIO
Aquela gestora do programa de abastecimento de água em Tete e Moatize assegurou ao nosso Jornal que até ao fim deste ano o horário de fornecimento de água vai conhecer alargamento, como resultado das obras de reabilitação dos sistemas, em curso.
“No vale de Nhartanda, na cidade de Tete, onde se localiza o maior centro de captação, serão abertos mais três novos furos, elevando-se para 12 unidades. Em Canongola foram abertos mais dois furos e será também aberto um outro furo que levará a água até ao reservatório no bairro Sansão Muthemba, no primeiro semestre de 2011. Com estas operações, a cidade de Tete vai passar das actuais 22 horas consecutivas de abastecimento de água para 24 horas até 31 de Dezembro do corrente ano” – finalizou Carmen Bilale, directora do FIPAG em Tete.
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