Escrito por Jornal Noticias Sexta, 08 Outubro 2010 10:53
Ainda vai longe a superação das divergências de compreensão sobre aquilo que deve ser o peso real do pão que chega ao consumidor e o preço actualmente praticado na sua comercialização. O Governo defende que as medidas estabelecidas devem corresponder ao produto final, enquanto que os panificadores entendem que as mesmas são em relação à massa do pão antes da sua cozedura. A prevalência destas discrepâncias voltou a evidenciar-se no encontro havido na última quarta-feira, em Maputo, entre as partes, com cada uma delas a reafirmar o seu posicionamento.
O encontro, que foi dirigido pelo Ministro da Indústria e Comércio, António Fernando, contando com a presença da governadora da província de Maputo, Maria Elias Jonas, e quadros da Inspecção das Actividades Económicas a diversos níveis, juntou panificadores da cidade da Matola e da capital do país. O objectivo era a discussão da questão do peso e a identificação de eventuais formas de redução dos custos de produção através da reintrodução das boas práticas alimentares.
Os panificadores reiteraram no encontro que o peso exigido é em relação à massa antes da sua cozedura, medida que vêm observando. Disseram não conhecer a lei que estabelece que as 250 gramas é em relação ao produto final, considerando que a ter que ser tinham que aumentar a quantidade da farinha de trigo na preparação da massa para a produção do pão com aquela pesagem.
“É possível produzir o pão com aquelas quantidades (250 gramas), mas para que isso aconteça é preciso ter a massa com cerca de 300 gramas de peso e isso significa que o produto final custará mais caro que o preço actual”, disse Telma Churi, uma das panificadoras que interveio durante o encontro.
Apontou que o subsídio agora pago pelo Governo apenas serve para compensar o custo da farinha de trigo junto às moageiras, sendo importante considerar outros custos de produção, como a electricidade, água, fermentos, vitaminas, lenha, salários aos trabalhadores, entre outros. “Se tivermos que vender o pão de 250 gramas ao preço actual (5,50 meticais) então vamos fechar as portas”, ameaçou.
Para o Ministro da Indústria e Comércio, António Fernando, a questão dos preços tem que ser discutida ao nível da Associação dos Panificadores, sendo que o que é necessário é a observância do peso estabelecido no processo de produção do pão “que é isso que o povo quer”.
Face a este facto, as partes concordaram que a Associação Moçambicana dos Panificadores (AMOPÃO) vai reunir-se para encontrar uma solução do problema, cuja proposta deverá ser apresentada nos próximos dias ao Governo.
Victor Miguel, presidente da associação, manifestou a esperança da sua organização na identificação de uma proposta de solução consensual do problema, pois, segundo afirmou, entendemos que as reclamações são justas e a nossa preocupação é sobre como podemos fazer para acabar com as reclamações do povo relacionadas com o peso do pão”.
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