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Nas celebrações do 4 de Outubro

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Renovados apelos à manutenção da paz, tolerância, diálogo e concórdia entre os moçambicanos marcaram ontem as celebrações do 4 de Outubro, data em que, há 18 anos, foi rubricado, em Roma, o Acordo Geral de Paz (AGP), que pôs termo ao conflito armado que vinha causando a perda de milhares de vidas e destruindo a economia nacional. As cerimónias centrais evocativas da efeméride tiveram lugar em Maputo e constaram da deposição de uma coroa de flores na Praça dos Heróis, num acto dirigido pela Presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, em substituição do Chefe do Estado, Armando Guebuza, de visita oficial à República da Índia.

Ainda em Maputo, o Conselho Cristão de Moçambique (CCM) organizou, na Praça da Paz, um culto ecuménico para agradecer a Deus pelo dom da paz e que continue a iluminar os corações dos moçambicanos para o bem. Na ocasião, foram entregues diplomas pelo empenho e dedicação na busca e preservação da paz ao Chefe do Estado, Armando Guebuza, ao ex-presidente, Joaquim Chissano, ao líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e a Raul Domingos, líder do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento, todos protagonistas do Acordo Geral de Paz.

Falando a jornalistas, Verónica Macamo saudou a todos os moçambicanos pela passagem da data, recordando que foi a 4 de Outubro de 1992 que os moçambicanos disseram não à guerra. Afirmou que 18 anos depois da assinatura do AGP, pode-se constatar com muita satisfação que Moçambique está em paz, importante e necessária para a criação de condições que estimulem a luta que se trava no país contra a pobreza.

Solicitada a comentar se as manifestações ocorridas nas cidades de Maputo e Matola nos dias 1 e 2 de Setembro não eram em si um sinal de ameaça à paz, a presidente da Assembleia da República afirmou que se tratou de momentos maus da vida do país, os quais nenhum moçambicano gostaria de ver repetidos.

“Para além de que (as manifestações) não resolvem os problemas, conduzem ao recuo. Temos agora que repor o que havíamos conseguido construir e produzir com muito sacrifício. Creio que esta paz deve ser acarinhada com actos e também com comportamentos. Actos que tragam ou que cada dia criam condições para que a justiça social seja um facto no país”, disse.

Por seu turno, o ex-presidente da República, Joaquim Chissano, destacou a importância da paz para o desenvolvimento do país, defendendo que a primeira condição para o efeito é que ela deve reinar no interior de cada cidadão. Cada um deve reconciliar-se consigo mesmo, em primeiro lugar, para que a paz possa ser preservada.

Chissano, que falava no culto ecuménico organizado pelo Conselho Cristão de Moçambique, referiu-se à violência gerada pelas manifestações de 1 e 2 de Setembro último, afirmando que quaisquer actos violentos fazem retroceder os ganhos já conquistados.

Entretanto, informações oriundas de todo o país dão conta de que o 4 de Outubro foi recordado de forma pacífica e ordeira, com a realização de cerimónias de deposição de coroa de flores nos monumentos erguidos em homenagem aos heróis.

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