Escrito por Jornal Noticias Quarta, 27 Julho 2011 18:51

A reivindicação do aumento salarial em 17.5 porcento por parte dos trabalhadores dos Transportes Públicos de Maputo (TPM) resulta de um mal entendido, porque apesar de ser uma empresa de transportes integrante no grupo sete, referente aos serviços não financeiros, ela tem a particularidade de ser parte do Aparelho do Estado, cujo ajuste foi de apenas oito porcento.
O facto foi ontem avançado na capital do país pelo titular dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, falando à Imprensa à saída de mais uma sessão do Conselho de Ministros.
O governante explicou que desde sempre a massa laboral dos TPM vem recebendo aumento salarial destinado à Função Pública, tal como acontece com as demais unidades pagas pelo Estado.
A empresa recorria a fundos próprios para fazer com que os trabalhadores tivessem os seus rendimentos igualados com as outras firmas do sector dos transportes, cujos ordenados foram neste ano elevados em 17.5 porcento.
Entretanto, e segundo Paulo Zucula, neste ano os TPM não estão em condições financeiras sustentáveis para pagar os nove porcento por cima do que o Estado vai disponibilizar, a exemplo do que vinha sendo prática nos últimos quatro ou cinco anos. E é aqui onde o problema começa, pois os trabalhadores exigem um ajuste salarial de 17.5 porcento, contra os oito disponíveis.
Nesse sentido, o ministro reiterou que voltará a reunir hoje com os trabalhadores da transportadora rodoviária pública, firma oficialmente extinta pelo Estado há uma semana, para apresentar-lhes um roteiro de negociações com vista a sair-se do problema.
O ministro recusou-se a revelar a proposta do Governo, explicando que o posicionamento só será apresentado aos sindicatos, com os quais vai buscar consensos.
A reivindicação da massa laboral dos TPM iniciou-se há dias quando a direcção anunciou que o aumento seria de oito e não 17.5 porcento, tendo ganho contornos preocupantes na última sexta-feira, altura em que a empresa começou a ser ensombrada por uma possível greve geral.
Dado o impacto que a paralisação geral da circulação dos autocarros públicos teria sobre os cerca de 100 mil passageiros que diariamente usam o serviço para ligar vários pontos de Maputo, Matola, Boane, Marracuene e Manhiça, o responsável da pasta dos Transportes e Comunicações esteve com os trabalhadores na tarde de segunda-feira e prometeu voltar hoje após o Conselho de Ministros de ontem.
De referir que no fim do encontro de segunda-feira o clima mostrava-se tenso, com os trabalhadores a elevarem o tom de ameaça de início de greve, caso o Governo não aceitasse pagar os 17.5 porcento de aumento que acreditam ter direito.
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