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Governo aposta na semente melhorada para aumento da produção

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Noventa porcento dos produtores agrícolas nacionais continuam a usar exclusivamente o grão como semente, situação que concorre para os baixos níveis de produção agrária no país. Apostado em inverter este cenário, o Governo aprovou ontem, em Maputo, o programa nacional de fortalecimento da cadeia de sementes, um instrumento alinhado ao Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA), cujo objectivo é aumentar a disponibilidade e o acesso a sementes melhoradas por parte dos produtores, para que possam fazer da agricultura um negócio.

 

Segundo o Ministro da Agricultura, José Pacheco, actualmente o nível de produção de semente melhorada no país ronda as seis mil toneladas, metade das quais são de milho, 32 porcento de arroz e os restantes 18 porcento de culturas diversas. Entretanto, apenas dez porcento dos produtores têm acesso a estas sementes.

José Pacheco, que ontem foi convidado ao habitual briefing com jornalistas no final da vigésima segunda sessão ordinária do Conselho de Ministros, disse que a implementação do plano estratégico do seu sector, aprovado em Maio último, visa fundamentalmente aumentar os níveis de produção de semente no país e expandir a sua rede de distribuição, sobretudo pelas zonas rurais, além de incrementar a capacidade de processamento através do fortalecimento das empresas produtoras.

Mais do que isso, de acordo com o Ministro da Agricultura, o Governo pretende garantir um sistema cada vez mais eficaz e eficiente de controlo da qualidade da semente que chega aos produtores. Segundo ele, só com semente de qualidade é que os produtores poderão alcançar melhores resultados em termos de produção e da produtividade, ponto de partida para que transformem a agricultura que praticam num negócio rentável para si e para o país.

Uma das medidas que o Executivo defende como fundamental para o sucesso do plano é a reestruturação da empresa nacional de sementes, a SEMOC, bem como a revitalização do Instituto de Cereais de Moçambique. A ideia, segundo Pacheco, é que, uma vez na posse de semente de qualidade, os produtores possam aumentar a produção agrícola, para o que haverá toda a necessidade de se criar condições para a comercialização dos excedentes.

“O programa começa já na campanha 2011/2012 e terá uma primeira fase a decorrer até a safra 2014/2015, altura em que passaremos a ter uma produção na ordem de 262 mil toneladas de semente melhorada, com a qualidade requerida para se alcançar bons níveis de produção agrícola”, explicou o Ministro da Agricultura.

O programa, de acordo com aquele governante, é orçado em 1,5 mil milhões de meticais que serão financiados pelo Orçamento do Estado, havendo uma parte que será assegurada por parceiros.

Ainda na sessão de ontem, o Governo apreciou o relatório sobre a implementação do plano multissectorial de acção para a redução da desnutrição crónica aprovado em 2010.

Sobre este instrumento, o Vice-Ministro da Justiça e porta-voz do Conselho de Ministros, Alberto Nkutumula, explicou que o mesmo assenta em sete pilares principais, nomeadamente a melhoria do estado nutricional dos adolescentes; da saúde nutricional da mulher em idade fértil; do estado nutricional das crianças nos primeiros dois anos de vida; do acesso e utilização de alimentos com alto valor nutritivo, o fortalecimento dos recursos humanos na área da nutrição e o reforço da advocacia, coordenação, gestão e implementação do plano.

Foram igualmente apreciadas informações relativas aos III e IV relatórios nacionais combinados sobre a implementação da Convenção para a Eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher e sobre o ponto de situação da implantação da fábrica de anti-retrovirais em Moçambique.

 

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