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Preços de combustíveis não cobrem importações

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O PREÇO de venda dos combustíveis líquidos em Moçambique continua a não cobrir os custos de importação, o que poderá, a breve trecho, forçar a novos agravamentos. Para este ano estão programadas pelo menos três reajustamentos dos derivados de petróleo, sendo que o primeiro foi já feito em Abril.

 

Os reajustamentos programados inserem-se na necessidade de colocar os preços dos combustíveis cada vez mais próximos da realidade do mercado, sobretudo em relação ao gasóleo, cuja tabela está muito abaixo da média da região.

Uma investigação levada a cabo pelo nosso Jornal apurou que a hesitação no reajustamento do preço do gasóleo, por exemplo, faz com que a diferença entre o custo de importação e o de comercialização se situe mais ou menos nos nove meticais por litro.

Na gasolina a diferença está à volta dos dois meticais por litro, por causa dos reajustamentos que estão a ser feitos desde o ano passado. Aliás, este é o único produto cujo preço se encontra próximo da realidade do mercado.

A factura de importação de combustíveis em Moçambique tem vindo a crescer, tendo atingido mais de 500 milhões de dólares norte-americanos no ano passado, contra 250 a 300 milhões antes de 2008 (ano da crise de petróleo) para comprar mais ou menos a mesma quantidade do produto.

Assim, o provável agravamento do combustível tem em vista também estancar a onda de drenagem de produtos petrolíferos para os países vizinhos, atraídos pelos preços relativamente baixos praticados em Moçambique.

Mais de 60 porcento das importações de combustíveis no país são constituídos por gasóleo, devido à sua importância para o sector produtivo. Esta é, aliás, uma das razões que faz com que o Governo tenda a protelar os aumentos neste produto.

Depois de vários meses de adiamento do aumento dos preços, chegou-se à conclusão de que uma política de subsídios generalizados acaba beneficiando, inclusive, pessoas singulares e instituições que deles não carecem. É assim que os mega-projectos e as grandes empresas de transporte rodoviário e ferroviário de carga passaram a pagar o preço real dos combustíveis.

A situação de Moçambique é deveras complicada, por se tratar de um país que importa exclusivamente produtos refinados, regra geral mais caros devido à ausência de uma indústria local de processamento de petróleo.

Em Abril os preços de produtos refinados subiram de 258,5 dólares em 2004 para 1,327 dólares em 2008, ou seja, cinco vezes mais caros. Actualmente Moçambique compra a tonelada a 1020 dólares.

Fonte: Jornal Noticias.

 

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