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Febre aftosa e fome afectam norte de Gaza

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Febre aftosa e fome afectam norte de Gaza

AS populações do norte de Gaza enfrentam actualmente o duplo drama de estarem impossibilitadas de poder comercializar o seu gado bovino, caprino e ovino, na sequência da interdição de movimentação de animais, devido à eclosão no ano passado de um surto de febre aftosa, uma situação ora agravada pela crise alimentar sem precedentes que grassa a região, afectando mais de 30 mil pessoas, por causa da escassez de chuvas.
Refira-se que devido ao facto do norte de Gaza ser caracterizado por solos áridos e semi-áridos e ciclicamente alvo de secas, os habitantes da região encontram na comercialização de animais, venda de lenha, entre outras actividades, o melhor recurso alternativo para a satisfação das suas múltiplas necessidades diárias.

Estão nesta situação os distritos de Massangena, Chigubo, Mabalane e Chicualacuala, zonas igualmente com um grande potencial para a prática de turismo cinegético, dadas as privilegiadas condições que a sua fauna e flora oferecem para a prática desta actividade, mormente ainda muito longe de dar resposta às ansiedades de desenvolvimento que a região aspira.

Raimundo Diomba esteve de visita naquela região de Gaza, onde se apercebeu do drama que atinge aqueles cidadãos e em entrevista exclusiva ao “Notícias” aquele dirigente manifestou o seu sentimento de admiração e excelente impressão com que ficou depois que manteve com populares da região, pelo facto de, as comunidades visitadas enfrentarem contrariedades de vária índole, pois estas vão buscando alternativas locais, para enfrentar os desafios do quotidiano.

O governador Raimundo Diomba disse ainda à nossa Reportagem, que a disponibilização dos sete milhões para a materialização de iniciativas viradas à produção de alimentos, aproveitando as potencialidades hídricas oferecidas pelos rios Limpopo e Save, bem como a fertilidade dos solos, paulatinamente vão sendo encontradas alternativas para se contornar as secas cíclicas que grassam o norte de Gaza.

“Quero confessar que fiquei bastante surpreendido pela forma criativa e dinâmIca como a população de Chicualacuala e Massangena tem dado resposta aos nossos apelos de tirarem vantagens possíveis para a prática de agricultura. Estamos igualmente satisfeitos por sabermos que as pessoas, hoje, já admitem a possibilidade de vender parte dos seus animais para a satisfação de outras necessidades, que não incluem apenas a aquisição de alimentos, como também a melhoria das suas casas e financiamento de outras actividades lucrativas, mau grado, esta contrariedade imposta pela febre aftosa, mas que é obviamente uma situação transitória”, sublinhou Diomba.

Um dos factores que concorrem para o fraco desenvolvimento socioeconómico da região nortenha de Gaza tem a ver com o facto de os distritos ali situados não estarem ligados à rede nacional de energia eléctrica.

Em Chicualacuala, por exemplo, apenas na sua sede distrital, a vila Eduardo Mondlane, os seus habitantes dependem exclusivamente da generosidade dos Caminhos-de-ferro de Moçambique para se beneficiarem de energia eléctrica durante algumas horas por dia.

Esta situação inviabiliza naturalmente a instalação de pequenas unidades industriais e torna a actividade hoteleira e similar bastante insustentável e onerosa.

Por seu turno, Bocoda, a sede do distrito de Massangena, não obstante ser detentora de um gerador de grande capacidade para a produção de energia eléctrica actualmente está desprovida deste recurso há cerca de um ano, por falta de disponibilidade financeira para a gestão e manutenção daquele equipamento.

“Estamos cientes de todas as dificuldades e esforços estão sendo envidados pelo Governo para que em tempo oportuno possamos ter a partir de Mapai, uma subestação a ser alimentada a partir de Lionde, no distrito de Chókwè. Enquanto isso não acontece, os governos distritais foram orientados a buscar parcerias para a minimizar o problema”, disse o governador de Gaza, Raimundo Diomba.

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