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Produção de electricidade: Matola vai usar lixo como matéria-prima

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Produção de electricidade: Matola vai usar lixo como matéria-prima

PARTE do lixo produzido no município da Matola será usada para a geração de energia eléctrica para uso público naquela cidade. Os proponentes da iniciativa já apresentaram o projecto à Administração Municipal, estando agora em curso discussões sobre questões práticas da sua implementação.


O edil da Matola, Arão Nhancale, que se referiu ao projecto no decurso do III Fórum Empresarial daquela município, realizado na semana passada, disse que a ideia é de um investidor estrangeiro que se aproximou das autoridades municipais manifestando o interesse de gerir a lixeira de Mahlampsene, onde pretende instalar unidades de geração de energia eléctrica a ser posteriormente distribuída aos consumidores daquela cidade, através da rede pública da empresa Electricidade de Moçambique (EDM).

Nhancale não avançou detalhes sobre o proponente do projecto nem sobre a capacidade dos geradores a serem instalados na lixeira de Mahlampsene, mas dados apurados pela nossa Reportagem indicam que se trata de uma empresa com experiência no ramo, que já desenvolveu iniciativas do género nos Estados Unidos, Índia, Omã, entre outros países.

A implementar-se o projecto, o município da Matola será pioneiro da iniciativa no país, esperando-se que o seu sucesso possa estimular não só a sua replicação por outros pontos, como também ajudar a resolver o problema da gestão de resíduos sólidos, comum a praticamente todas as cidade e vilas de Moçambique.

De acordo com Lázaro Bambamba, vereador municipal do pelouro de Salubridade, a Matola produz diariamente uma média de 500 toneladas de resíduos sólidos, os quais são recolhidos e depositados nas duas lixeiras actualmente disponíveis, nomeadamente a de Mahlampsene e do Infulene.

Segundo ele, a actual capacidade do município da Matola só lhe permite assegurar a recolha regular de resíduos em apenas 24 dos 42 bairros residenciais que compõem o Município, estando em curso acções diversas visando alargar essa capacidade por forma a cobrir outras áreas do território com aquele serviço.

“Uma das fórmulas que encontramos para racionalizar os meios de que dispomos foi a introdução de três turnos para a recolha do lixo, sendo um das 06 às 14 horas, um segundo das 14 às 22 horas e o terceiro das 22 às seis horas”, explica Bambamba.

Paralelamente, o Município acaba de introduzir um projecto-piloto de envolvimento do sector privado na recolha de resíduos, ao abrigo do que foi já seleccionada uma empresa que desde Abril último que trabalha na recolha de lixo nos Bairros do Fomento e da Matola “C”.

A questão da limpeza da cidade foi uma das que suscitou acesos debates no decurso do II Fórum Empresarial da Matola, no qual oradores como Mário Machungo, ex-Primeiro-Ministro, apresentou uma experiência da cidade de Windhoek, na Namíbia, onde, segundo ele, as autoridades adoptaram uma estratégia que envolve marginais no processo de recolha do lixo, experiência considerada útil pela cadeia de valor que a mesma replica em diversos segmentos da sociedade.

 

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