Cirurgiões chegam aos distritos



Escrito por jornal noticias
Segunda, 23 Maio 2011 07:42

Cirurgiões chegam aos distritos
NUMA iniciativa inovadora, o Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA) está a formar técnicos superiores de saúde que irão salvar milhares de vidas a nível distrital.
Trata-se de especialistas em Saúde Pública, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Enfermagem de Saúde Materna, entre outros, que deverão se ocupar de patologias que atacam, sobretudo, mulheres e crianças.
“No caso de Enfermagem de Saúde Materna estamos a formar os primeiros profissionais que vão fazer cesarianas a nível dos distritos. Depois de teremos quadros nas unidades sanitárias não podemos continuar com casos de mulheres que perdem a vida devido a complicações que podem ser sanadas através de cirurgias”, disse Joana Salia, directora científica do ISCISA.
Salia, que falava ao “Notícias” por ocasião das VII Jornadas Científicas do Instituto Superior de Ciências de Saúde promovidas pelo ISCISA, explicou que aquela entidade está a fazer uma extensão dos cuidados cirúrgicos aos serviços de saúde primários.
“É uma actividade inovadora dada a falta de cirurgiões a nível da base. A nossa escola é a única que forma outros especialistas de saúde que complementam os médicos formados na Universidade Eduardo Mondlane”, disse Salia.
Os quadros formados no ISCISA vão se ocupar dos assuntos de saúde menos complicados em termos de intervenção tais são os casos de hérnia, pequenos traumatismos, crianças que engolem objectos, só para citar alguns exemplos.
Assim sendo será possível reduzir a pressão que sofrem os hospitais centrais ou provinciais dado que, até ao presente, são os únicos estabelecimentos que, a par das clínicas privadas, fazem intervenções complicadas.
“Neste momento não temos quadros suficientes a nível da base, daí que a nossa aposta é estender os serviços até os cuidados de saúde primários. Acreditamos que paulatinamente podemos atingir os objectivos”, sublinhou a nossa fonte.
Até ao ano em curso, o ISCISA formou dois grupos de técnicos superiores de cirurgia. Em termos numéricos são cerca de 80 bacharéis e perto de 40 licenciados.
No mês de Junho vão ser graduados quase 40 técnicos do ISCISA, o que vai aumentar o universo de especialistas em saúde que poderão trabalhar nos cuidados primários de saúde, a nível dos diversos centros de saúde.
Durante a conversa com a nossa Reportagem, a directora disse que a falta de material habitualmente utilizado pelos técnicos de saúde constitui uma grande preocupação do ISCISA. É tendo em consideração este facto que, durante a formação, os estudantes recebem ensinamentos para saberem cuidar dos equipamentos existentes.
“A falta de material nas unidades sanitárias tem sido debatida bastante aqui, mas, nós, como instituição de ensino, temos como preocupação formar profissionais de saúde, deixando questões de recursos materiais para outras entidades como o Ministério da Saúde”, disse Joana Salia.
Os especialistas formados no ISCISA deverão atender, sobretudo, casos de crianças e mulheres que sofrem de diferentes infecções e hemorragias.
“Há situações em que ocorrem gravidezes fora do útero. A mulher sangra bastante. Perante esta realidade a intervenção cirúrgica deve ser imediata. É aqui onde os quadros aqui formados fazem a diferença nos distritos”, garantiu a directora científica do ISCISA.
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