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Zona urbana no país: Dois milhões de pessoas afectados pela pobreza

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Zona urbana no país: Dois milhões de pessoas afectados pela pobreza

UM milhão e oitocentas mil pessoas estão em situação de pobreza nas cidades moçambicanas. O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, afirmou que este número corresponde aos cidadãos que vivem com menos de 18.4 meticais por dia.
O governante que falava recentemente em Maputo, numa palestra subordinada ao tema “Além das Medidas de Austeridade: Dimensões da Pobreza Urbana e as Políticas Socio-Económicas do Estado de Moçambique”, organizado pela Universidade São Tomás de Moçambique, afirmou que o fenómeno é consequência da relação existente entre o campo e a cidade.

“A cidade continua a ser vista pela população rural como um lugar de oportunidades e prosperidade, mas muitos que acreditaram nisso ficaram frustrados”, disse.

O crescimento da população urbana devido à migração do campo para a cidade, na óptica do governante, ocorre a um ritmo acelerado e coloca desafios ao Estado para a provisão de serviços básicos.

“O papel preponderante da agricultura urbana praticado nas cinturas verdes das cidades é limitado, tornando as cidades dependentes dos alimentos produzidos exclusivamente no meio rural e isto aumenta, cada vez mais, o custo de vida. Como as nossas cinturas verdes não produzem, porque todos que estão na cidade preferem vender que produzir, então dependemos só daquilo que vem do campo que, por sua vez, também não é suficiente”, afirmou.

O Cuereneia referiu-se igualmente às medidas recentemente anunciadas pelo Governo, realçando não haver uma relação directa entre o aumento salarial e a subida do preço dos combustíveis.

Para justificar o seu posicionamento, ele afirmou que o Governo vai manter as medidas de protecção daqueles sectores mais necessitados, enquanto os megaprojectos, como a HCB, a Vale e a Riversdale, as firmas de construção e obras públicas, as empresas ferro-portuárias e os grandes transportadores de carga irão continuar a pagar o preço real pelo consumo do gasóleo.
“Sendo assim, não podemos dizer que de uma forma directa, como o preço do combustível aumentou, o salário ficará corroído, tanto mais que os funcionários públicos têm outras regalias e outras formas de compensação que, embora não sejam suficientes, são resultado de um esforço que o Governo está a fazer”, afirmou o ministro

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