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Agricultores denunciam Açucareira de Xinavane

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OITO associações e agricultores de cana-de-açúcar que abastecem a Açucareira de Xinavane, na província do Maputo, acabam de denunciar ao Chefe do Estado, Armando Guebuza, o alegado incumprimento de várias obrigações contratuais por parte da Direcção da empresa.



O representante das referidas associações, Infânio Cossa, afirmou que, entre outras irregularidades, a Direcção da Açucareira nunca aceitou firmar qualquer vínculo contratual com os agricultores, o que na sua óptica constitui uma clara violação à Lei do Trabalho.

“Somos oito associações abrangidas pelo projecto de expansão da área de cultivo da cana-de-açúcar levada a cabo pela Açucareira de Xinavane. Todavia, o que se verifica agora é que a empresa não só expropriou as nossas terras como praticamente nada nos paga pela cana por nós produzida”, disse Cossa.

As denúncias foram feitas sábado último durante um comício popular orientado pelo Presidente da República, Armando Guebuza, na localidade de Xicutsu, distrito de Magude, no âmbito da presidência aberta que o estadista está a efectuar à província do Maputo.

Segundo Infânio Cossa, a Açucareira de Xinavane está actualmente a expandir a sua produção pelo facto de os camponeses agregados nas associações fornecê-la várias toneladas de cana-de-açúcar em cada época agrícola.

“Infelizmente, a Direcção da empresa nunca quis, ao menos, nos dizer por quanto compra a nossa cana, pagando, por conseguinte, o valor que bem entende. Muitas vezes nos oferecem um valor que não corresponde à metade dos curtos da nossa [produção,” afirmou Infânio Cossa.

O representante das associações de produtores da cana-de-açúcar em Xinavane disse que, por exemplo, quando os camponeses exigem o seu dinheiro a Direcção da empresa reage negativamente, alegando ter efectuado descontos com o apoio concedido aos agricultores durante o cultivo da cana.

“Na realidade essas despesas nunca existiram. A Direcção fala de pagamento de salários de um ano sem que, no entanto, tivéssemos recebido qualquer ordenado. Refere-se ainda as despesas com o transporte dos trabalhadores, o que não é verdade, porque todos os camponeses vivem em redor dos campos de produção, não precisando, por isso, de transporte para irem aos locais de trabalho”, disse.

As despesas reportadas pela Açucareira de Xinavane incluem a facturação de elevadas quantidades de adubo vendidas aos agricultores, o que é igualmente refutado por estes.

“Esse procedimento leva a que os camponeses trabalhem vários meses no cultivo da cana para receberem apenas seis mil meticais”, disse Infânio Cossa.
Entretanto, a presidência aberta à província do Maputo prossegue hoje, devendo o Chefe do Estado escalar o distrito de Namaacha.

 

Fonte: Jornal Noticias.

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