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Agricultura recebe 8% dos recursos destinados a combater a pobreza

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Ao mesmo tempo, o mesmo sector pouco endividou-se junto à banca para inverter o cenário da baixa produtividade
O Governo concedeu menos recursos para a agricultura e desenvolvimento rural, em comparação com outros sectores prioritários para combater a pobreza. Ao mesmo tempo, o mesmo sector pouco endividou-se junto à banca para inverter o cenário da baixa produtividade. Assim, o país distancia-se cada vez mais da concretização do seu principal objectivo: a redução da pobreza.

A quantia aplicada pelo Governo nos sectores prioritários de combate à pobreza tem um peso superior à metade do total da despesa efectuada anualmente: 54,8%. Do montante total aplicado pelo executivo para este fim em 2010 – 49 907,6 milhões de meticais – apenas 8% foram direccionados ao sector da agricultura e desenvolvimento rural.

Neste sector – apesar de ser considerado estratégico para o desenvolvimento do país, dadas as potencialidades não exploradas (36 milhões de hectares de terras aráveis) e défice produtivo considerável – o Governo investiu perto de quatro mil milhões de meticais.

Ao contrário, os sectores da Educação e da Saúde absorveram, em conjunto, mais de metade dos recursos que o Executivo aplicou nos sectores prioritários do Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta (PARPA). Assim, dos 49 907,6 milhões de meticais disponíveis para este propósito, estes sectores engoliram 26 584,4 milhões, correspondentes a 53,3%. 

Ainda no ano passado, o Estado tinha programado aplicar 68 845,9 milhões de meticais nos sectores prioritários do PARPA, tendo utilizado, efectivamente, 49 907,6 milhões de meticais, que correspondem a  72,5% do montante inicialmente definido. Apesar disso, observou-se um crescimento, em termos nominais, de 4,9 % face a execução de 2009, ano em que o montante disponível para o combate à miséria era de cerca de 47,6 mil milhões de meticais.

Num ano em que o défice orçamental forçou o Estado a adoptar medidas de contenção das despesas, os investimentos para combater a pobreza estiveram aquém dos previamente estabelecidos. Por exemplo, o investimento em infra-estruturas – sector indicado por muitos analistas como a chave do desenvolvimento – foi de cerca de 10 mil milhões de meticais, sete mil milhões menos que o que tinha sido programado, e abaixo do investimento de 2009 em 3,3%.

O combate à pobreza é um dos principais objectivos do executivo de Armando Guebuza, que no ano passado foi contrariado pelos dados do Inquérito de Orçamento Familiar (IOF) do Instituto Nacional de Estatística (INE), ao indicar que o mesmo teria aumentado em algumas partes do país.

Segundo o INE, entre 2002 e 2003, 54, 7% dos moçambicanos viviam abaixo da linha da pobreza. Entre 2008 e 2009, essa camada social reduziu para 54,1%, havendo pontos do país onde a pobreza aumentou.

Crédito à economia continuou a penalizar agricultura, turismo e habitação

À semelhança do nível de acesso ao crédito em 2009, a agricultura, indústria de turismo (sectores para os quais o país possui grandes potencialidades e que precisam de investimentos para melhorarem a produtividade) e habitação são os que menor bolo do crédito disponível tiveram. Para agravar o problema da habitação, o crédito às construções também é, comparativamente, dos mais baixos.

O Comércio continua a ser o ramo de actividade que mais se beneficia do crédito bancário, com 21,6% do agregado dos fundos concedidos pelos bancos aos diversos sectores da economia. Particulares vão no encalce, a beneficiarem de 17,3%.

O nível de acesso ao crédito pelos diferentes sectores no ano passado não apresenta grandes diferenças em relação ao ano anterior.

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