HIV/SIDA: Pacotes alternativos podem salvar vidas - defendem antigos estadistas africanos buscando saídas para o problema em Maputo



Escrito por jornal noticias
Terça, 22 Março 2011 06:36

A COMBINAÇÃO do tratamento anti-retroviral e de alimentos com estimulantes imunológicos naturais podem ajudar a salvar vidas de cidadãos infectados pelo HIV/SIDA, segundo defenderam ontem, em Maputo, alguns líderes africanos no âmbito da IIª reunião do Grupo Livingstone, organismo que integra antigos Chefes de Estado e de Governo, assim como instituições africanas envolvidas no combate à doença.
O encontro, que tem o seu término previsto para hoje, foi dominado pela apresentação e discussão dos ganhos científicos recentes, no contexto mundial, na luta contra o HIV/SIDA e mecanismos para mobilizar recursos financeiros destinados ao combate à pandemia no continente.
Sob o lema "Rumo à Erradicação Funcional do Virus HIV", o encontro foi dirigido pelo antigo estadista zambiano, Kenneth Kaunda, na qualidade de líder do grupo de Livingstone e presenciado pelo Professor Luc Montagnier, Prémio Nobel de Medicina 2008, e investigador que descobriu o vírus HIV causador da SIDA.
Segundo Luc Montagnier, serão necessários mais ensaios para avaliar os progressos da tecnologia laboratorial que está a ser desenvolvida em pesquisas que estão a ser realizadas na Costa do Marfim no âmbito duma parceria com a Edge to Edge, farmacêutica que se ocupa de produção de medicamentos contra esta e outras doenças.
Entretanto, ensaios preliminares nesta luta levados a cabo permitiram determinar que o pacote Imuniti, que é uma combinação de produtos de origem vegetal, incluindo a batata africana, quando articulada com medicação baseada em anti-retrovirais, permite baixar consideravelmente a carga viral no organismo humano.
Segundo Montagnier, apesar de a terapia baseada nos anti-retrovirais constituir até ao momento um avanço importante, percebe-se que nem todos têm acesso a eles, daí a necessidade da emergência de tratamentos alternativos que proporcionem a restauração imunológica.
Na óptica do antigo estadista moçambicano e Presidente do Fórum Africano, Joaquim Chissano, seria de considerar também a popularização do uso da moringa que provou ser barata, acessível e adaptável a condições extremas.
Kenneth Kaunda disse, por seu turno, que o HIV/SIDA continua a destruir o sector activo da população, constituindo uma ameaça à segurança das nações e do continente, para além dos efeitos socioeconómicos, situação que passa pela mobilização de recursos para combatê-lo.
Na óptica dos antigos Chefes de Estado, são requeridas respostas mais abrangentes e abordagens inovadoras, particularmente numa altura em que o Mundo se debate com a crise de alimentos, sabido que os alimentos e a nutrição são importantes.
A primeira reunião de alto nível do Grupo Livingstone teve lugar em 2008 na Zâmbia.
O Grupo Livingstone foi inspirado pela resolução da IIª Assembleia Geral do Fórum África, havida na cidade sul-africana de Joanesburgo, em 2006, a participar activamente nas várias iniciativas visando contribuir nos esforços regionais, sub-regionais e internacionais de combate ao HIV/SIDA, Tuberculose e Malária.
Tomam parte na reunião de Maputo antigos estadistas como Benjamim M`Kapa e Ali Hassan Myinhe (Tanzânia), Ketumile Masire (Botswana) e Kenneth Kaunda da Zâmbia e ausentes por motivos justificados Thabo MBeki (África do Sul) Pierre Buyoya (Burundi) e Festus Mogae (Botswana).
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