Denunciaram nepotismo e foram chamados à Polícia



Escrito por jornal noticias
Quinta, 10 Março 2011 07:37

PELO menos Cinco cidadãos residentes da vila sede do distrito de Mecuburi, na província de Nampula, foram há dias intimados pelas autoridades policiais daquela região, a apresentarem-se no comando local da corporação, para “prestarem declarações”, em virtude das denúncias feitas num comício popular.
No referido comício, orientado pelo governador Filismino Tocoli, os aludidos cidadãos apontaram “o dedo acusador”contra os governantes locais, alegando nepotismo e falta de diálogo com os governados, situação que supostamente estaria a inibir a participação popular, no processo da governação participativa.
Trata-se de Albisto João, Mirage Almeida, Almirante António, Arcanjo Vasseque e Felisberto Ernesto, que neste momento, dizem temer pelas respectivas liberdades individuais.
No comício popular, Albisto João queixou-se da falta de espaços verdes, tratamento dos jardins da vila, poda das árvores, corte de capim que actualmente engole os edifícios públicos, entre outras situações que o levaram a “pedir” ao governador, a transferir a administradora do distrito e o secretário permanente, respectivamente Nerina Buston e Lucas Somo.
Já Almeida, a sua intimação esteve relacionada com as denúncias segundo as quais, não existe no distrito aquilo que chamou de governação aberta pois, segundo ele, é difícil aceder aos dirigentes quando estes são solicitados pelos governados.
Por seu turno, Almirante António, foi ao Comando da Policia da República de Moçambique para “responder” a cerca dos pronunciamentos feitos no comício popular sobre a alegada falta de diálogo entre os governados e governantes. Segundo referiu, “a senhora administradora só faz reunião com o povo quando é para reconhecer uma associação”.
António denunciou ainda que o chefe da brigada da Policia de Investigação Criminal, de nome Mita, era corrupto material e que no centro de saúde local, aos acompanhantes dos doentes, era-lhes exigidas velas de iluminação.
Arcanjo Vasseque foi chamado para “justificar” o porquê de ter acusado o governo local, de discriminação na alocação dos Fundos de Desenvolvimento de Iniciativas Locais, segundo teria dito, os desempregados nunca recebiam os valores que pediam, ao contrário dos funcionários públicos, não obstante a sua ilegibilidade.
Felisberto Ernesto, disse ao governador que tinha sido detido ilegalmente pelo chefe da brigada da PIC do distrito, por ter se recusado a destruir a sua casa, supostamente construída num espaço pertencente à polícia.
Apesar das promessas do governador Filismino Tocoli, de que ninguém seria perseguido por ter expressado a sua opinião, paradoxalmente, as pessoas viriam a ser intimadas para prestar declarações na polícia.
No comando distrital da PRM de Mecuburi, para onde nos deslocamos para apurar mais informações à volta do assunto, informaram-nos que a comandante provincial, Arsénia Massingue, tinha dado ordens para que ninguém falasse à imprensa.
Todavia, Nerina Buston, administradora do distrito de Mecuburi, assegurou-nos que não deu orientações a nenhuma instituição para intimar os intervenientes no comício popular orientado pelo Governador.
Contudo, importa referir que o clima que se vive na sede do distrito, mais concretamente no seio dos visados e seus familiares, é de medo, uma vez que as pessoas receiam que, a qualquer momento, possam ser recolhidas à cadeia, depois que prestarem declarações.
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