MANICA - PONTE SOBRE NHANCUARARA: Obras de emergência para estancar erosão



Escrito por jornal noticias
Quarta, 16 Fevereiro 2011 07:23

A EMAD, uma empresa moçambicana de construção civil a quem foram adjudicadas as obras de manutenção de rotina da Estrada Regional-525, na qual foi construída a ponte sobre rio Nhancuarara, iniciou, há dias, os trabalhos de correcção da incidência da erosão pluvial sobre aquela infra-estrutura, localizada no posto administrativo de Mavonde, distrito fronteiriço de Manica.
O director provincial das Obras Públicas e Habitação de Manica, Agostinho Raiva indicou que, como obras visando travar a erosão, a EMAD foi imediatamente mobilizada ao terreno onde está a efectuar os trabalhos de colocação de sacos de areia sobre os sulcos abertos pela corrente das águas pluviais, enquanto não chega à província o projectista da ponte que deverá proceder a correcção definitiva de eventuais erros de concepção cometidos.
Espera-se que, amanhã, quinta-feira, o projectista da ponte chegue à província de Manica para este trabalho, devendo em coordenação com o empreiteiro, o consórcio CMC-CETA, proceder aos arranjos adicionais visando a protecção do empreendimento e travar a sua vulnerabilidade à erosão.
Para além desta acção, Raiva revelou que as autoridades do posto administrativo de Mavonde, em resposta ao apelo da governadora de Manica, Ana Comoane, já procederam ao plantio de capim elefante nas áreas contíguas à ponte, como forma de travar o deslizamento de terras e, consequentemente, a erosão que pode pôr em perigo aquela infra-estrutura.
A ponte sobre rio Nhancuarara, no distrito de Manica, inaugurada Dezembro último pelo Primeiro-Ministro, Aires Ali, integra o lote de três que incluem as edificadas sobre os rios Lucite e Mussapa, no distrito de Sussundenga e que, no global, custaram aos cofres do Estado pouco mais de 600 milhões de meticais.
Trata-se de pontes de raiz que foram edificadas como reposição das destruídas há mais de três décadas pelo então regime racista de Ian Smith, no decorrer da guerra de agressão que moveu contra o nosso país, como retaliação ao apoio político e militar moçambicano à luta de libertação nacional do Zimbabwe.
Porém, conforme testemunhou há dias a nossa Reportagem, no local, dois meses depois da entrega da obra ao Estado, os taludes e as bermas da estrada apresentam profundas crateras resultantes da força das águas que arrastaram consigo os solos e as protecções edificadas nas partes laterais da rodovia e da ponte.
Devido a esta situação, a governadora de Manica, Ana Comoane deslocou-se, há dias, de emergência ao local e visitou a infra-estrutura. Em declarações a jornalistas que a acompanharam, Comoane manifestou a sua “profunda preocupação pelo fenómeno” que, segundo disse, estava a pôr em risco aquele investimento milionário e de importância vital para a economia da província e do país.
Na ocasião, aquela governante sublinhou que medidas urgentes deveriam ser tomadas no sentido de colmatar o problema. Assim, segundo afirmou, “estando a ponte em tempo de garantia, o empreiteiro da obra, o consórcio CMC-CETA deverá ser responsabilizado e, o mais urgente possível, mobilizar-se ao local para corrigir os eventuais erros cometidos”.
Em observância a esta orientação, segundo soubemos de Agostinho Raiva, o empreiteiro da obra já foi notificado com vista a fazer o levantamento e iniciar o processo de correcção de eventuais erros de projecção ou construção cometidos.
Para estancar o deslizamento de solos pela erosão pluvial, a governadora de Manica recomendou, na ocasião, que para além das medidas técnicas que deveriam ser levadas a cabo com urgência, seria sensato recorrer-se ao plantio de árvores, capim elefante, VTV e bambus e proibir a abertura de machambas nas áreas contíguas à ponte, pelas populações.
Instado a comentar, na ocasião, sobre a situação da erosão na ponte, o director provincial das Obras Públicas e Habitação de Manica, Agostinho Raiva reconheceu que aquilo era um facto que pode pôr em causa a ponte. Referiu que, “para além das grandes fendas e crateras, os taludes deverão estar protegidos, tendo em conta a velocidade das águas e a inclinação do terreno, o que não terá sido pormenorizadamente observado pelo empreiteiro ou projectista”.
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