Escrito por jornal noticias Terça, 15 Fevereiro 2011 06:46
Os erros, omissões e incorrecções detectados nas obras de reabilitação da linha férrea de Sena serão sanados a tempo de, com o mínimo de atraso, dar vazão às operações de escoamento do carvão de Moatize para exportação, através do porto da Beira. A garantia é dada por Rosário Mualeia, Presidente do Conselho de Administração da Empresa Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), que, segundo decisão do Conselho de Ministros, deverá assumir a gestão do sistema ferroviário do Centro com a iminente rescisão do contrato com o consórcio indiano Rites and Ircon (RICON).
Segundo projecções das companhias brasileira Vale e australiana Riversdale, com contratos de exploração de carvão em Moatize, a exportação daquele mineral através do porto da Beira deverá iniciar em Julho deste ano. Segundo dados oficiais, as reservas conhecidas na região de Benga, área concessionada à Riversdale, atingem os 4,4 biliões de toneladas, enquanto em Moatize, zona operada pela brasileira Vale, existem cerca de dois biliões de toneladas de carvão.
Nos últimos tempos, de acordo com Rosário Mualeia, a atenção das autoridades moçambicanas tem vindo a ser concentrada no desenho de uma estratégia funcional para assegurar que os trabalhos em falta ou as correcções necessárias na linha de Sena sejam feitas sem causar prejuízos, para além dos causados pelo atraso de cerca de 16 meses que a obra regista.
Mualeia garante que a sua empresa possui capacidade humana e técnica para realizar o trabalho, sustentando que parte do pessoal que actualmente opera na Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira, gestora do sistema ferroviário Centro, foi cedido pelos CFM.
O projecto de reabilitação da linha férrea de Sena foi desenhado com a perspectiva de conferir àquela via uma capacidade de cerca de 3 milhões de toneladas de carvão por ano, numa perspectiva de, futuramente, vir a receber investimentos adicionais por forma a corresponder ao incremento dos volumes de produção, elevando a capacidade para entre 15 e 20 milhões de toneladas de carvão por ano.
Nos termos do projecto de reabilitação da linha de Sena acordados entre o Estado moçambicano e a RICON, há uma componente de manutenção que não chegou a ser concluída.
Por outro lado, e segundo testemunhou a nossa Reportagem no local, no troço entre Savane e Sena há muito capim a crescer ao longo da via, para além de que não existe um sistema de drenagem indispensável para garantir o escoamento das águas pluviais.
Já no troço entre Sena e Moatize, é visível a olho nu a má qualidade de balastragem, o alinhamento e o nivelamento. Além disso, há regiões que ficaram assoreadas devido às chuvas, acabando por contaminar o balastro.
A obra regista actualmente um atraso de cerca de 16 meses, pois em 2008 a RICON prometera que a mesma seria concluída até Setembro de 2009, facto que viria a não acontecer. A última promessa feita pela concessionária foi de concluir os trabalhos até 31 de Janeiro do ano em curso, prazo que, uma vez expirado sem que a promessa fosse cumprida, o Governo, sob proposta dos CFM, decidiu iniciar o processo de rescisão da concessão, tendo a respectiva notificação lhe sido entregue a 24 de Dezembro de 2010, com indicação para que os trabalhos em falta sejam concluídos até 24 de Março próximo.
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