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Registo militar: Postos ainda às moscas

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As autoridades ligadas ao processo a nível nacional não possuíam até ontem, segunda-feira, dados de todas as províncias do país, por dificuldades técnicas registadas no sistema de comunicação. Fonte do Departamento de Mobilização e Recenseamento do Ministério da Defesa Nacional disse à nossa Reportagem que os referidos dados estavam em processo de centralização e seriam disponibilizados hoje, ter­ça-feira, à Imprensa.

Para o presente ano, o recenseamento militar, cujo processo arrancou a 3 de Janeiro último, abrange jovens de ambos os sexos nascidos em 1993 e decorre em todo o território nacional e em missões diplomáticas e consulares.

Estão também abrangidos todos aqueles que não puderam fazê-lo em ocasiões anteriores desde que não tenham ultrapassado os 35 anos de idade. Segundo o Ministério da Defesa Nacional, o recenseamento militar vai decorrer nos Governos distritais, conselhos municipais, postos administrativos ou em outros órgãos da Administração Pública.

No estrangeiro, o recenseamento militar vai decorrer em missões diplomáticas e consulares da área de residência dos cidadãos moçambicanos no estrangeiro. No acto do recenseamento militar, o cidadão deverá ser portador de um documento de identificação, uma declaração de habilitações académicas e uma declaração de residência emitida pela estrutura da área respectiva.

Quando da apresentação ao recenseamento militar pelo representante legal, este deve ser portador da sua identificação e dos documentos anteriormente referidos. No acto do recenseamento militar, ao cidadão recenseado ser-lhe-á entregue um recibo comprovativo da sua apresentação na inscrição.

Segundo o Ministério da Defesa Nacional, o cidadão que não se apresentar ao recenseamento militar no período e locais indicados deverá regularizar a sua situação nos 30 dias subsequentes à data de 28 de Fevereiro, no Centro Provincial de Recrutamento e Mobilização da sua área de residência.

O cidadão que não se apresentar ao recenseamento militar e não regularizar a sua situação nos prazos indicados será considerado faltoso, ficando sujeito a sanções nos termos da lei.

 

SITUAÇÃO PREOCUPANTE NA CIDADE DO MAPUTO

 

 

 

 

 

 

 

A nossa Reportagem efectuou na manhã de ontem uma ronda por alguns postos de recenseamento militar localizados na cidade do Maputo. O cenário foi simplesmente preocupante. Em pelo menos seis postos visitados, a média de jovens que haviam sido inscritos até pelo menos 11.00 horas era de dois por cada brigada.

A brigada em serviço no posto de recenseamento localizado na sede da administração municipal do distrito Ka Mpfumo, havia inscrito até às 10.00 horas dois jovens. Soubemos que em toda a semana passada, aquela brigada recenseou 64 jovens.

Julieta Fernando, brigadista local, disse à nossa Reportagem que normalmente a grande afluência de jovens ocorre no mês de Março, quando muitos alunos começarem a frequentar as aulas a sério.

“Neste momento, as aulas ainda não arrancaram a todo o gás em muitas escolas. Esperamos penetrar nas escolas em Março, quando for prorrogado o recenseamento e aí as cifras vão disparar”, disse, garantindo que não há aflição quanto ao material para levar avante o processo.

Na sede do bairro do Maxaquene “B”, no distrito de Ka Maxakeni, a nossa Reportagem foi informada de que também só haviam sido registadas até às 10.00 horas duas pessoas. “Como o senhor jornalista vê, estamos sentados à espera que os jovens venham. Nós estamos preparados. Eles é que chegam a conta-gotas. Mas como sabemos pela experiência nestes processos, esperamos um grande movimento nos meados ou finais de Março, quando o recenseamento for prorrogado. Nós os moçambicanos temos o hábito de deixar as coisas para o fim (risos). Isso acontece, por exemplo, com o recenseamento eleitoral. Quando o recenseamento for prorrogado, nós iremos às escolas, onde esperamos abranger muitos alunos”, relatou a brigadista Anita Mondlane.

Na sede do círculo do bairro da Urbanização, a brigadista Eulália Rosita Macune contou-nos que o processo naquele aglomerado populacional está a registar uma aderência considerável. Segundo suas palavras, desde que iniciou o processo, as estatísticas da brigada são razoáveis.

“Semanalmente, as nossas estatísticas são razoáveis, em termos de números registados. Há uma relativa adesão. Diariamente, registamos, pelo menos, 10 jovens. Todo o trabalho está a decorrer bem até aqui. Não temos problemas de ruptura de material e estamos preparados para atender a qualquer situação que vier a registar-se. Muitos jovens que cá aparecem são voluntários e quando é assim, nós recomendamo-los a se apresentarem ao Centro de Recrutamento da Cidade”, disse.

Na sede do círculo da Mafalala, contrariamente, nenhum jovem havia recenseado, pelo menos até às 12.00 horas. A brigadista Alima Sulemane do Lobo disse-nos que a maioria dos jovens que já se apresentou ao posto queixou-se de alegadas cobranças pela emissão de declarações no bairro.

Segundo afirmou, os jovens alegam que algumas estruturas do bairro cobram montantes que variam de 20 a 50 meticais por cada declaração de residência. Refira-se que pela lei, as declarações de residência para efeitos do recenseamento para o Serviço Militar são grátis.

O posto de recenseamento militar da sede do círculo do bairro da Mafalala enfrenta o problema de agrafador e mapas para o lançamento estatístico.

 

A VISÃO DOS JOVENS

 

 

 

 

 

Alguns jovens ouvidos pela nossa Reportagem no acto do recenseamento mostraram-se mais ou menos claros do dever patriótico. Todos eles disseram que cumprir o Serviço Militar era um dever cívico e que estavam prontos para seguir, caso fossem chamados.

No entanto, outros mostraram-se desconhecedores de algumas cláusulas da Lei do Serviço Militar, a exemplo da possibilidade de adiar o cumprimento por imperativos de estudos ou outros.

“Não há que se ter medo de se ir à tropa. Tenho 24 anos e se for chamado irei cumprir. Recenseei-me aos 18 anos, mas como ainda não fui chamado, faço actualização sempre que chegar este período”, disse Donaldo Armando, quando inquirido pela nossa Reportagem na sede do círculo do bairro da Urbanização.

Sebastião Orlando Matavele também tem 24 anos. Disse que estava apto para cumprir o Serviço Militar como dever patriótico. E mais: segundo afirmou, o Serviço Militar molda a juventude para os desafios da vida.

“Ir à tropa é bom. Dizem que a tropa muda a vida de um homem. Um jovem que ainda não foi à tropa não é nada. Por isso, eu estou apto e apelo a outros jovens da minha idade e do meu bairro para aderirem ao recenseamento militar”, afirmou.

 

 

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